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Por que é tão difícil fazer amizades a partir dos 30 anos?
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A maior dificuldade em fazer amizades a partir dos 30 anos prende-se, segundo diversos autores, com a entrada numa nova etapa de vida.
 
Por norma, é quando terminam os estudos, quando se constitui família, quando se tem de estar mais disponível para a parceria amorosa e dar mais atenção aos filhos. É a partir das três décadas de vida que se faz um balanço sobre o que se pretende também em termos profissionais e se procura uma maior estabilidade. Esta fase contrasta e muito, com as anteriores em que era interessante conhecer alguém novo, em que as relações fluíam sem qualquer interesse a não ser o prazer de estar ou de encontrar um futuro parceiro ou parceira.
 
Os estudos, os trabalhos de grupo, as saídas à noite marcam a adolescência e os anos que se lhe seguem. Nesse período há um conjunto de interesses e de características pessoais que se mostram livremente aos outros e que se quer comparar com os demais. A partir dos 30 anos, ocorre precisamente o oposto. Entramos mais dentro de nós próprios e do nosso mundo e sentimos uma maior necessidade de construir o nosso ninho; o nosso conforto. Percebemos que já passaram três décadas da nossa vida e que temos de construir algo que nos possa ajudar a enfrentar melhor a velhice, pelo que, naturalmente estamos menos disponíveis para os encontros, festas e concertos.
 
Isso não quer dizer que não façamos esses programas, mas estamos mais concentrados nos interesses da pessoa que está ao nosso lado, em caso de termos filhos, temos de ajustar as saídas aos mais pequenos e, no seu todo,  reduzimos a nossa disponibilidade para as relações exteriores.
 
Por norma, só quando ocorre um divórcio é que o sujeito regressa um pouco a esse modelo de vida porque precisa de conhecer novas pessoas para poder voltar a construir uma relação, um novo sentido para a sua vida.
 
Num artigo no New York Times, Alex Williams reforça que, à medida em que as condições externas mudam, torna-se mais difícil atender às três condições que os sociólogos – nos anos 1950 – consideram cruciais para fazer amigos íntimos: proximidade; interações repetidas e não planeadas; e um cenário que incentiva as pessoas a baixarem a guarda e a confiarem umas nas outras. De acordo com Williams, «é por isso que tantas pessoas conhecem os seus amigos de toda a vida na faculdade».
 
Segundo o mesmo escritor, à medida que as pessoas vão ficando mais velhas, os dias de exploração e liberdade social intensa naturalmente vão ficando para trás. “Os horários vão ficando apertados, as prioridades mudam e as pessoas muitas vezes tornam-se mais seletivas no que desejam dos seus amigos”.
 
São muitos os trabalhos científicos que têm vindo a comprovar esta realidade.
 
Para a investigadora Laura L. Carstensen, professora de psicologia e diretora do Centro de Longevidade de Stanford, na Califórnia,  «as pessoas passam a interagir com menos gente à medida que chegam à meia-idade”. Nas suas observações, a mesma investigadora percebeu que, os contactos da maior parte das pessoas, eram os mesmos do passado», pelo que, a interação com desconhecidos e «semiconhecidos» diminuiu.
 
De acordo com a mesma especialista, «o ser humano dispõe de um despertador interno que apita em eventos importantes, como fazer 30 anos». Nessa altura, percebemos que «o nosso tempo de vida está a reduzir-se e que,  precisamos de parar de explorar o mundo por aí e de nos concentrar no que é mais emocionalmente importante aqui e agora».
 
Para Laura L. Carstensen, passa a ser menos importante ir a um concerto ou a uma festa porque preferimos estar com a nossa cara-metade e/ou com os nossos filhos, as piadas deixam de ter a mesma graça porque preferimos conversar sobre assuntos mais sérios e que nos estão ligados diretamente. Por tudo isso, conversamos nas redes sociais, podemos até alimentar alguns tempos de conversa, mas quando se aproxima a hora de marcar um encontro presencial, este vai sendo adiado até que caia no esquecimento. Não há muita disponibilidade para iniciar uma nova relação de amizade quando se tem uma vida tão preenchida e exigente. Quem consegue, mantém as amizades do passado e cumpre um ou outro encontro pontual, quem não o consegue, acaba por se focar mais no trabalho e na família.
 
Fátima Fernandes
 
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