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Por que nos enganamos uns aos outros?
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Nascemos e crescemos entre humanos que se fazem transportar da sua herança cultural e do conjunto de crenças e valores adquiridos nesse ambiente.
 
Aprendemos as regras e as crenças próprias dessa cultura e passamos a defendê-las até que as coloquemos em evidência e, passemos a aceitar que devemos cumprir aquilo que é punido por lei, que será a garantia de que nos respeitamos uns aos outros, como é o caso das regras de trânsito, a punição face a crimes, assumir um determinado comportamento face à legislação em vigor num determinado local e daí por diante.
 
No caso das crenças, podemos reparar que o dito popular “água mole em pedra dura”, vale o que vale numa sociedade sem tempo para esperar resultados, sem esquecer “há sempre uma luz no fundo do túnel”, mas que isso tem de ter algum significado para a nossa vida que não somente essa claridade…
 
Há pessoas que fazem este processo de “libertação” daquilo que “herdaram” mais depressa que outras. Começam a colocar em causa aquilo que aprenderam e a procurar outro tipo de conteúdos que lhes permitem aproximar-se mais da sua essência. Outras demoram mais tempo a fazer esse processo, enquanto que outras nem o fazem e continuam a manter essas características como se lhes pertencessem e fossem “verdades” inquestionáveis.
 
Há muito que digo que cada um acredita no que quer, enquanto que eu acredito no que consigo, precisamente porque rejeito a ideia de me enganar a mim mesma. Por norma, gosto de colocar em causa aquilo que ouço e que me é dado como “verdade”. Faço esse exercício desde muito pequena, por isso, ando sempre à procura de conteúdos mais atualizados e, é o que recomendo a toda a gente, já que essa é a melhor forma de não nos iludirmos e de não enganarmos os outros e a nossa própria inteligência.
 
Claro que, nos enganamos uns aos outros precisamente pelo medo de assumirmos quem realmente somos, o que gostamos e o que queremos. Temos medo da crítica social e da rejeição, por isso alimentamos farsas em torno de nós mesmos e da própria essência humana para nos podermos defender e fazer parte de um grupo.
 
Naturalmente que se eu disser a um católico que gosto muito de sexo e que me faz bem esse momento de entrega com o meu companheiro, serei “condenada” pelos seus valores, da mesma forma que assumo que não sou crente e que visito as igrejas como espaços maravilhosos e de rara beleza, onde se ouve um bom concerto pela sua acústica fantástica.
 
É por isso que nos enganamos, reprimimos aquilo que é mais natural em nós só para agradarmos os outros e, muitas vezes, chegamos a acreditar que somos mesmo assim ”puros” e sem “ideias pecaminosas”, o que nos leva a privar-nos de tudo só para mantermos essa ligação aos outros que também têm essa frustração de terem de reprimir os seus desejos em prol do que a sociedade lhes incutiu como aceite.
 
Dei o exemplo da religião, mas poderia dar muitos outros, pois não faltam exemplos de erros que cometemos e de sofrimento que arrastamos para poder agradar a sociedade e manter “a fachada”.
 
Somos infelizes quando nos enganamos e ainda mais, quando tentamos passar uma imagem diferente de nós próprios, pois isso mostra que, se não o fizermos, aquele grupo não nos aceita. É caso para perguntar se vale a pena tanto sofrimento, pois qual é o real benefício de pertencer a um determinado grupo? Interesse material? Compensação monetária? Não teremos outra forma de obter lucro?
 
Não nos podemos esquecer que, estamos sozinhos no mundo desde que nascemos. Os outros amparam-nos se assim forem vocacionados, pelo que faz sentido que tenhamos essa força interior para sermos honestos connosco próprios e só depois com os outros. A vida só faz sentido quando a apreciamos na sua plenitude, quando conseguimos sentir verdadeiramente os vários prazeres para os quais estamos equipados como a intimidade, uma boa refeição, um ambiente que nos agrade e, claro estar na companhia de pessoas que nos fazem bem. Não se engane a si mesmo e seja mais feliz!

Fátima Fernandes

 
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