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Por que preferimos uma pessoa a outra?
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05-03-2019 - 12:11
Passamos por diversas fases ao longo da vida, sendo que estamos sempre à procura da nossa “versão mais atualizada” e a que nos aproxime mais da felicidade e nos liberte das tensões negativas.
 
Aos poucos, vamos percebendo que, muitos dos registos que guardamos do passado, deixam de nos fazer sentido pela necessidade de darmos resposta ao presente, o tempo em que nos encontramos, em que temos os nossos objetivos e sensações.
 
Nesse sentido, tomamos consciência de que não temos capacidade para abarcar tudo o que já vivemos, razão pela qual a nossa memória seleciona os conteúdos já vividos e arquiva-os com maior ou menor proximidade por ordem de importância na nossa vida.
 
Arrumados os conteúdos do passado, sentimos necessidade de “deixar passar” aquilo que não nos faz falta num determinado momento, sendo que a tendência natural de uma mente saudável, é dar resposta aos desafios presentes e, ao mesmo tempo, procurar situações que nos permitam fazer essa ativação positiva.
 
Esta tese explica a razão pela qual sentimos necessidade de nos afastar de uns acontecimentos e de dar ênfase a outros. É porque estamos sempre à procura do nosso bem-estar interior e qualidade de vida. Sabemos claramente que, o que nos fez sofrer, não queremos repetir, pelo que substituímos esses conteúdos por outros mais positivos.
 
Quer isto dizer que, não basta querer pensar positivamente nas situações, interessa que nos saibamos afastar daquilo que nos faz recuperar essas memórias.
 
É um processo natural ou mesmo inato que funciona dentro do nosso ser: tentar sair daquilo que nos provoca sofrimento e angústia e sentir algo inverso. É quase como que uma necessidade de sobrevivência humana.
 
Nesse sentido, à medida em que vamos conseguindo reunir mais e mais capacidades, preparamo-nos para nos libertar dessas memórias e das pessoas que nos ativam esses pensamentos e sensações negativas. O processo inicia-se bem cedo, pois não é por acaso que uma criança que brincava indiscriminadamente nos primeiros anos de vida, passa a selecionar os seus amigos numa turma ou num grupo.
 
Naturalmente que, quando existe sintonia entre as pessoas, ambas as partes zelam pela manutenção e atualização desses conteúdos e conseguem prosseguir uma relação mesmo com um passado menos risonho em comum. É o que se passa nas relações duradouras em que o casal assume os momentos menos positivos e, em conjunto, prepara um caminho alternativo.
 
Esses casais conseguem manter-se juntos há muitos anos porque aprendem em conjunto, porque corrigem os seus erros em conjunto, porque conversam acerca dos seus problemas e, mesmo respeitando a individualidade de cada um, conseguem encontrar um conjunto de pontos em comum que transformam as memórias negativas em positivas e alimentam os seus sentimentos.
 
Nas amizades de longa duração, o processo é semelhante. Há uma necessidade constante de superar os maus momentos e de ativar pontos bonitos já vividos.
 
Quando tal não é possível, não se consegue suportar a presença de uma pessoa que nos está sistematicamente a recordar daquilo que queremos esquecer.
 
Num mau ambiente familiar é comum que os casais não se entendam precisamente pela troca de acusações que se vive. Essas discussões fazem ativar o passado não corrigido e, em conjunto, aquelas duas pessoas não conseguem ativar os aspetos positivos.
 
O mesmo se passa nas demais relações. Quando temos um colega de trabalho que nos faz recordar passagens negativas de vida, nem precisamos de discutir para não nos sentirmos bem com essa pessoa.
 
Isto pode explicar linearmente a razão pela qual nos sentimos bem com umas pessoas e mal com outras. É o que nos ativam de positivo ou de negativo que pode promover injustiças, pelo que o ideal é respeitar que não nos sentimos bem com aquela pessoa e respeitá-la na sua diferença, mesmo que não passemos de um simples cumprimento.
 
Dessa forma, nada se ativa, não há discussões nem qualquer tipo de conflito. Aceita-se que a pessoa não nos faz mal, mas que nos faz sentir bem pelo que representa para nós.
 
Uma simples forma de estar ou de falar pode ativar memórias que já tenhamos vivido e que não queremos recuperar, por isso, tentemos compreender as razões para nos posicionarmos melhor nas relações.
 
O mesmo se passa com alguns locais que frequentamos que, nos podem reativar memórias negativas, mesmo que seja com outras pessoas. Podemos dar uma segunda oportunidade, mas se não conseguirmos, optemos por ir a outro local, há tanta diversidade de escolha que não vale a pena estar a estragar um momento de felicidade por causa disso.
 
Acima de tudo, queremos dar-lhe esta dica: é importante compreender as causas que existem dentro de nós para que tenhamos determinados comportamentos, pois só assim podemos viver melhor com isso, ou em casos mais avançados, poderemos transformar aquilo que nos causa mau-estar.
 
Como o nosso objetivo de vida é sermos felizes o maior número de momentos possível, faz sentido que encontremos aquilo que nos impede de validar esse direito para que se possa alterar de alguma forma.
 
É bom ter em conta que, não precisamos de explicar tudo aquilo que sentimos em nós mesmos, mas sim aquilo que causa incómodo para evitar faltar ao respeito e não conseguirmos também validar esse respeito por nós mesmos.
 
Fátima Fernandes
 
 
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