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Porque é que as pessoas estão cada vez mais tímidas?

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A ciência explica as razões pelas quais as pessoas estão cada vez mais tímidas e isoladas.

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Os investigadores afirmam que apenas cerca de 30% da timidez como característica se deve à genética; o resto surge como uma resposta ao meio envolvente. Nesse sentido, é possível conciliar as características do indivíduo herdadas dos pais e a informação que recebe do ambiente e tratar essa condição.

Na prática, a psicoterapia e o empenho do paciente e do profissional podem surtir efeitos muito positivos no que se refere à timidez, afirmam os cientistas.

Chloe Foster, psicóloga clínica do Centro de Transtornos de Ansiedade e Trauma em Londres, diz que a timidez em si é bastante comum, normal e não causa problemas - a menos que se transforme numa ansiedade social maior.

A psicóloga diz que o problema começa quando as pessoas mais retraídas precisam de conversar com colegas de escola ou de trabalho, quando não conseguem pertencer a um grupo ou realizar tarefas básicas no seu dia a dia pelo medo de serem julgadas. É nessa altura que pedem ajuda para que consigam ultrapassar essas limitações.

A especialista diz que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a mais eficaz para pessoas com timidez e ansiedade social, na medida em que ajuda a lidar e a transformar pensamentos que dão lugar a novos comportamentos.

A TCC ajuda, por exemplo, a identificar pensamentos negativos ou comportamentos que acreditamos ajudarem-nos, mas que, na realidade, acabam por ter um efeito inverso. A especialista adianta que uma pessoa tímida acredita que, ao ensaiar tudo o que receia antes da situação, terá um melhor desempenho, mas, na realidade, não é isso que acontece porque acaba por sentir ainda mais ansiedade.

O segredo é baixar as expectativas, uma vez que são elas que fazem disparar a ansiedade. Quanto mais desejarmos ser perfeitos e fazer tudo de modo irrepreensível, menos o conseguiremos fazer porque a ansiedade limita-nos o pensamento e a ação.

Foster diz ainda que muitas pessoas tentam evitar o contacto visual para se sentirem mais seguras, mas o segredo é desligarmo-nos da nossa própria ansiedade e medo e observarmos o que está ao nosso redor como forma de evitar o excesso de atenção em nós próprios. Quando nos colocamos excessivamente no centro do que vamos realizar, ficamos mais retraídos, ansiosos e assustados, o que não nos deixa libertos para apresentar um trabalho, por exemplo.

Desafiar-se a estar mais aberto a novas situações também pode ajudar, uma vez que a participação em cenários diferentes ajuda a ganhar mais experiência e competências sociais, mas Foster alerta: vá aos poucos e encare essa nova etapa como um desafio com altos e baixos e não eleve demasiado as expectativas.

Ao mesmo tempo, é importante mudar o script (roteiro). Pergunte a si mesmo o que mais teme nas situações sociais. Está preocupado em parecer chato? Tem medo de não ter algo interessante para dizer? Foster sublinha que, quanto mais conhecermos a nossa ansiedade, melhor poderemos desafiá-la e lidar com ela, de modo a superarmos esses receios e o treino deve acontecer inicialmente num ambiente onde se sinta seguro. Depois, vá participando noutros com mais confiança, recomenda.

Apesar de os cientistas garantirem que as pessoas mais extrovertidas beneficiam de mais momentos de felicidade, qualidade de vida e bem-estar, é um facto que a sociedade está mais tímida e fechada devido ao excesso de ecrãs, ao medo do julgamento e ao esgotamento mental gerado pelo excesso de estímulos do mundo moderno.

A Fundação "la Caixa" resume, deste modo, os principais motivos pelos quais as pessoas estão mais tímidas:

Hiperconexão digital: As redes sociais substituíram o contacto presencial por interações superficiais, o que reduz a prática de habilidades sociais básicas e gera solidão.

Medo do julgamento: O ambiente online amplificou a cultura do cancelamento e da perfeição, aumentando o receio de errar ou de ser humilhado publicamente.

Atrofia social: O hábito de evitar o convívio cria um ciclo de isolamento e desconfiança, tornando as pessoas mais cansadas da convivência em grupo.

Excesso de estímulos: O stresse diário esgota a energia mental necessária para investir em novas relações fora da zona de conforto.

Neste sentido, é essencial que avaliemos a nossa postura, que nos perguntemos acerca das razões que nos levam a evitar determinados ambientes, o que receamos e o que deixamos de fazer por medo da exposição social, e entender que “não temos de carregar o peso da timidez pela vida fora”.

É sempre possível melhorar através do apoio especializado e não é vergonha alguma admitir que somos tímidos, que temos medo de falar em público ou que evitamos determinados ambientes devido ao receio do julgamento. Mudar a forma de pensar ajuda a alterar os nossos comportamentos e a devolver-nos uma vida mais significativa, com mais qualidade e bem-estar. Cada pessoa tem o direito de ser tal como é, mas, quando isso a impede de ser livre e feliz, é importante que peça ajuda, sugerem os entendidos.