Cultura

Portimão expõe “Portugal Profundo” sob as lentes de Marques Valentim e António Marreiros

Exposição "Portugal Profundo"
Exposição "Portugal Profundo"  
A exposição fotográfica "Portugal Profundo”, que retrata vidas e lugares nas décadas de 60 a 80 do século XX, é uma mostra de imagens captadas por Marques Valentim e António Marreiros, cuja inauguração está marcada para o próximo dia 11 de abril, pelas 16h00, na Casa Manuel Teixeira Gomes.

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A exposição com entrada livre, que pode ser apreciada até 30 de maio, apresenta os olhares de dois fotógrafos, Marques Valentim (1949) e António da Silva Marreiros (1932–2025) que, "apesar de percursos distintos, estabelecem um diálogo visual através de retratos que reportam às décadas de 1960 e 1970, prosseguindo até aos anos 80", descreve nota do Município de Portimão. 

As imagens conduzem o visitante por territórios, mais ou menos afastados dos grandes centros urbanos, que preservam ritmos próprios e uma ligação profunda à sua matriz rural.

Marques Valentim mostra um conjunto de fotografias, a maior parte inéditas, captadas em lugares que vão do interior norte do país até ao Alentejo. "Ao longo desse percurso, revela modos de vida, gestos e práticas quotidianas profundamente enraizados na terra".

A estes retratos contrapõem-se os de António da Silva Marreiros, captados na Mexilhoeira Grande, freguesia rural onde cresceu, e nas suas imediações. "A diversidade de atividades e práticas, enraizadas nas tradições locais e fixadas pela sua lente, reflete a proximidade da costa e a atração exercida pelas paisagens marítimas e ribeirinhas", adianta a nota. 

Não se limitando ao interior da Casa Manuel Teixeira Gomes, a mostra integra ainda seis imagens colocadas na fachada exterior do edifício, impressas em ‘telas’ de grande dimensão e iluminadas durante a noite.

Marques Valentim nasceu em Cascais, em 1949. Frequentou o curso de Fotografia e Cinema nos Serviços Cartográficos do Exército, em Lisboa. Posteriormente, cumpriu o serviço militar obrigatório em Moçambique, como furriel miliciano foto-cine.

Iniciou a sua carreira no fotojornalismo após o 25 de Abril de 1974, colaborando com a Agência Europeia de Imprensa e com o diário A Luta, onde permaneceu até à sua extinção, em 1979. Integrou a equipa fundadora do Correio da Manhã e, mais tarde, trabalhou no Portugal Hoje, até ao encerramento deste matutino, em 1982. Em 2001, foi distinguido com uma menção honrosa atribuída pela revista Visão, no âmbito do seu prestigiado concurso de fotojornalismo.

António da Silva Marreiros foi um artista que conciliou o ofício de barbeiro com a fotografia, a poesia e a pintura. Filho de agricultores, nasceu no Sítio de São Pedro, na Mexilhoeira Grande, a 12 de janeiro de 1932. Antes dos 14 anos, partiu para Portimão para aprender a profissão de barbeiro, procurando afastar-se do trabalho agrícola. Foi na barbearia de Valentim Dias que estabeleceu o primeiro contacto com a fotografia, influenciado pelo seu patrão, que acumulava as duas atividades.

Aos 23 anos, abriu a sua própria barbearia na Mexilhoeira Grande e, dois anos depois, perante a escassez de trabalho diário, começou a dedicar-se à fotografia. Tornou-se, desde então, o principal fotógrafo da freguesia, registando casamentos, batizados e outras celebrações, mas também as paisagens, as gentes, as atividades e as tradições locais, estendendo o seu olhar às geografias envolventes.