O World Sailing Inclusion Championships é o mais recente formato de campeonato criado pela World Sailing, a Federação Internacional da Vela, com o objetivo de promover e desenvolver a vela inclusiva e adaptada a nível mundial. A par da vertente competitiva, este campeonato pretende celebrar e realçar as capacidades dos atletas em vez das suas limitações.
Depois de Omã, que acolheu a estreia deste campeonato do mundo em formato "inclusivo", Portimão recebe a 2.ª edição. Graças ao prestígio alcançado com a organização em Portimão do Campeonato da Europa da classe Hansa em 2019 e do Mundial da mesma classe em 2023, a associação Vela Solidária é hoje uma referência internacional para a organização de eventos desta complexidade: "Organizar um campeonato do mundo de vela adaptada e vela inclusiva como este é um desafio muito grande, muito maior do que organizar um campeonato do mundo de uma qualquer classe. O maior desafio de todos são as acessibilidades. Todo o espaço que os atletas vão usar tem de ser acessível. Neste caso, temos a nosso favor a marina de Portimão, a praia mesmo ao lado e o facto de ser uma zona muito plana, toda a área é naturalmente acessível. Depois há a questão da hotelaria, que é um problema gigante quando a legislação apenas exige um quarto adaptado por cada unidade hoteleira. Isto complica imenso as contas quando precisamos de alojar cerca de 250 pessoas com deficiência no mesmo período", refere Luís Brito, presidente da Vela Solidária.
Em Portimão estarão grandes nomes da vela adaptada, como é o caso do polaco Piotr Cichocki, que já participou nos Jogos Paralímpicos e foi campeão mundial.
Quanto a Portugal, dos 18 atletas nacionais que estarão em prova destaque para a dupla Pedro Câncio Reis e Teodoro Cândido, que já se sagrou este ano vice-campeã da Europa na classe RS Venture Connect, em Para Sailing, e ainda para o atleta João Pinto, atual número 1 do ranking mundial em Hansa 303 single e que no ano passado conquistou o título de vice-campeão do mundo na 1.ª edição deste World Sailing Inclusion Championships que se realizou em Omã.
Cada velejador traz consigo uma história inspiradora de luta e superação, como, por exemplo, Mary Duffy, que, apesar de não ter braços, faz questão de vir a conduzir o seu carro desde a Irlanda, o seu país natal.
Muitos atletas que estão a chegar a Portimão, especialmente de países emergentes, nunca participaram numa prova internacional e nunca tinham sequer saído do seu país até agora. É o caso de Trinidad e Tobago cuja comitiva integra o velejador mais jovem deste mundial, com apenas 11 anos.
A cerimónia de abertura do World Sailing Inclusion Championships 2026 acontece no próximo domingo, dia 4 de outubro, a partir das 18h30, frente à antiga Lota de Portimão.