Focam-se numa perspetiva pessimista da vida e da sua própria existência, estão sempre insatisfeitas, criticam tudo e todos e, acima de tudo, estão sempre saudosas e a recordar o passado, factos que não lhes permitem desfrutar do presente, valorizar as situações, as pessoas e o que de melhor lhes acontece.
De um modo geral, estas pessoas acreditam que essa é a única forma de viver, pelo que alimentam esse mal-estar e transmitem-no àqueles com quem convivem ou partilham a vida.
Segundo os entendidos em comportamento humano, as principais características das pessoas infelizes baseiam-se nestes aspetos: vitimização constante (acham que a vida é injusta), focam-se no que está errado e desconfiam excessivamente dos outros. Ao mesmo tempo, também passam uma boa parte do seu dia a comparar-se com os demais, a invejar o que possuem e a lamentar o que não têm.
O medo do futuro também faz parte das pessoas cronicamente infelizes que, com esse pretexto, acabam por pouco fazer para alterar a situação. É essa uma das razões pelas quais invejam os outros: a coragem que têm de arriscar e de contrariar o que assusta, mas como não o fazem, criticam e desvalorizam o mérito dos demais.
São pessoas resistentes à mudança porque temem sair da zona de conforto, pelo que permanecem tristes, solitárias e infelizes, mas acomodam-se e lamentam-se.
Para conseguirem permanecer na sua condição e postura, controlam tudo e, sempre que possível, impedem que os outros obtenham sucesso, pelo que são muito possessivas e controladoras.
É comum que, no contacto com estas pessoas, a conversa se centre em frases como: "a vida é injusta", "sou azarado", "todos têm sorte menos eu" e daí por diante. Com esta postura, não reagem, não encontram soluções para os seus problemas e alimentam a tristeza, a apatia e a desvalorização. Tornam-se insuportáveis com o seu discurso negativo.
É ainda habitual que estas pessoas falem muito sobre o passado, que imitem problemas e dificuldades pelas quais já passaram e que nem se apercebam de que as coisas mudaram e que elas próprias podem fazer algo novo e melhor. Estagnam completamente na sua negatividade e não aceitam conselhos ou ideias para saírem desse estado.
Como se concentram demasiado em fofocas e na vida dos outros, acabam por desvalorizar o que fazem, o que poderiam conquistar e até o que os outros concretizam com os seus esforços, o que torna a convivência muito difícil e desafiante.
Acreditam frequentemente que as pessoas não são de confiança e que os outros têm sempre segundas intenções. O pessimismo é um hábito crónico de quem está sempre à espera de que o pior aconteça. É um facto que não podemos, nem devemos confiar em toda a gente, mas a verdade é que uma atitude de desconfiança até com quem nos é íntimo requer uma justificação ou um motivo, pois, a ser real, a relação não faz sentido, evidenciam os entendidos, completando que ninguém consegue viver com tantas desconfianças até na vida privada.
Em vez de se focarem no seu próprio percurso e crescimento, as pessoas infelizes comparam-se com as demais para justificar o seu estado de infelicidade e de incapacidade, dando a entender que não conseguem porque os outros não lhes permitem. Na realidade, seria mais interessante que colocassem mãos à obra, que se concentrassem nas suas vidas, lutassem e encontrassem argumentos para viver com mais alegria e saúde física e mental, sugerem os psicólogos.
Como são pessoas muito ansiosas e sempre com medo do futuro, transformam a esperança em temores, dúvidas exageradas e acabam por pouco fazer para melhorar a sua condição. Sofrem muito em silêncio porque a sua mente está sempre carregada de negatividade, o que aumenta a ansiedade.
Esforçam-se excessivamente para controlar todos os aspetos da vida e das pessoas ao seu redor, o que leva a uma frustração contínua quando percebem que não têm esse controlo. Tendem a apegar-se a padrões antigos e infelizes, resistem à mudança porque encaram mal o novo e as oportunidades, pelo que acabam por isolar-se, o que agrava o seu estado emocional, mas dizem “não ter paciência para os outros” e que ficam cansadas só por ver o modo como reagem à vida.
Para alterar este padrão, torna-se necessário que a pessoa se aperceba de que está errada, que esse caminho não a vai conduzir a bons resultados, muito menos a um estado de bem-estar. O aconselhamento psicológico e a psicoterapia são excelentes ferramentas para melhorar a situação, para aliviar a tristeza e para ponderar uma mudança nos hábitos prejudiciais que deixamos enraizar.
Alimentar a tristeza não nos vai conduzir nem à felicidade, nem a um estado de paz interior, por isso, os profissionais de saúde mental aconselham a que peça ajuda, fale com um familiar ou amigo da sua confiança, procure apoio profissional de um psicólogo e permita-se reinventar a sua condição por uma vida mais satisfatória e feliz porque todos merecemos.