A proposta, que vai ser apresentada à Comissão de Acompanhamento da Pesca com Ganchorra na Zona Sul, resulta do facto de os armadores terem considerado “prudente implementar um período de defeso face à observação de volumes consideráveis de juvenis de conquilha e de pé-de-burrinho [espécie de molusco bivalve]”, informou a Olhãopesca em comunicado.
A medida surge na sequência da suspensão excecional, este ano, do período de interdição da pesca com ganchorra na Zona Sul, que havia sido proposta pela Olhãopesca em março passado.
Segundo a organização, a suspensão teve como objetivo “compensar os armadores e pescadores afetados pelos fortes e sucessivos temporais”, registados entre novembro de 2025 e março de 2026, que condicionaram gravemente a atividade da pesca com ganchorra no Algarve.
A Olhãopesca afirma que os objetivos que estiveram na origem da suspensão “foram alcançados, uma vez que a medida contribuiu para a recuperação económica e social do setor”.
No mesmo âmbito, tinha ficado prevista a possibilidade de se estabelecer uma janela de defeso entre setembro e outubro deste ano, caso se verificasse a necessidade de reforçar a proteção do recrutamento dos recursos pesqueiros.
A proposta agora avançada tem em consideração as observações efetuadas pelos mestres das embarcações e os resultados da campanha de investigação realizada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), lê-se na nota.
Segundo a Olhãopesca, a paragem entre 01 de setembro e 15 de outubro pretende “contribuir para a recuperação e sustentabilidade dos recursos pesqueiros, procurando conciliar as dimensões económica, social e ambiental da atividade”.
A associação admite ainda a possibilidade de serem adotadas medidas específicas adicionais, caso a informação do relatório do IPMA justifique novas intervenções na gestão da pesca com ganchorra na Zona Sul.