Ambiente
Programa Setorial de Reordenamento e Gestão da Paisagem da Serra do Caldeirão lançado em São Brás de Alportel
São Brás de Alportel foi o concelho escolhido para acolher a primeira reunião do Programa Setorial de Reordenamento e Gestão da Paisagem (PRGP) da Serra do Caldeirão, que a Direção-Geral do Território está a desenvolver e pretende concluir até ao final do ano para que a sua concretização possa avançar o mais brevemente possível.
Com base neste pressuposto, teve lugar uma reunião no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Brás de Alportel.
Conforme refere o Município em nota enviada ao Algarve Primeiro, "o programa procura identificar as medidas de reconversão da floresta que permitam, num quadro de alterações climáticas, reduzir o perigo de incêndio, através da diminuição da carga de combustível e da sua continuidade e dotar o território de maior resiliência, mediante a procura de estratégias que visem novas dinâmicas de ocupação humana e novas formas de potenciar os seus recursos".
Para tal, o programa recomenda a criação de uma floresta ordenada, bio diversa, humanizada e resiliente, capaz de prestar diversos serviços ambientais e de sustentar atividades económicas que lhe estão associadas, reduzindo a severidade da área ardida, que na Serra do Caldeirão abrange os concelhos de São Brás de Alportel, Loulé e Tavira.
Estiveram presentes no encontro, entidades locais e regionais com responsabilidade e influência direta sobre o território da Serra do Caldeirão, entre as quais os municípios de Loulé e Tavira, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve. Na sessão de lançamento do programa, as metas assumidas incorporam o quadro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), na componente da Transformação da Paisagem dos Territórios de Floresta Vulneráveis e com o Plano de Gestão Integrada de Fogos Rurais (PNGIFR).
O presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Vitor Guerreiro, reconheceu a vantagem deste trabalho concertado e salientou a importância do mesmo para a diminuição do risco de incêndio, para a valorização patrimonial e promoção económica, sem que se perca de vista a necessidade de combater a desertificação destes territórios serranos que se debatem com dificuldades práticas e legais para atrair residentes e atividades.
Os desafios da utilização do solo rústico e a urgência de melhor adaptabilidade dos instrumentos de ordenamento às necessidades dos território e os desafios da desertificação humana dos espaços rurais, associados às dificuldades na fixação das pessoas e das atividades estiveram em debate, sendo unânime a necessidade e mais-valia de envolver as comunidades na elaboração e execução destes programas.
"Em São Brás de Alportel, este processo terá necessariamente o envolvimento das pessoas, na continuidade das práticas de gestão participada, pois só com as pessoas nos territórios podemos protege-los e dar-lhes futuro", referiu a Vice-presidente Marlene Guerreiro, responsável na autarquia, entre outras, pelas pastas do empreendedorismo, turismo e participação.