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Proteja-se de pessoas que se fazem de “coitadinhas”

Foto - Depositphotos  
As pessoas que se passam por coitadinhas têm como principal característica a vitimização.

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Colocam-se no centro do problema e não na resolução do que lhes acontece e, por norma, procuram os outros para desabafarem, pedirem conselhos, «mas acabam por nada fazer para melhorar a sua condição»

Ninguém tem a capacidade de mudar o comportamento de outra pessoa, mas todos podemos modificar a nossa forma de agir com ela. Nesse sentido, a melhor forma de lidar com quem sofre da síndrome do coitadinho ou da coitadinhice é aconselhá-la a pedir ajuda para que identifique quais são as causas de se colocar sempre nesse plano de vítima.

Segundo os especialistas na área da psicologia, nem sempre as pessoas que se vitimizam têm consciência dos danos que provocam aos outros, ainda que também exista quem saiba muito bem o que está a fazer. Em qualquer uma das situações, o segredo é identificar o que se passa e proteger-se o melhor possível desse abuso, recomendam.

Uma relação com uma pessoa que se vitimiza é cansativa, dependente, pouco criativa e nada saudável, por isso, registe estas estratégias para reagir e defender-se da sua arte de manipulação:

1. Exija responsabilidade, uma vez que a pessoa que se vitimiza tende a fugir dela e a culpabilizar os outros pelo que faz e pelo que lhe acontece. Lamentam-se e andam sempre à procura de culpados para tudo, não admitindo que há sempre algo que cada um de nós pode fazer para melhorar as situações em que participa. Para lidar com este tipo de pessoa, o segredo é mostrar-lhe a sua quota de responsabilidade no que se passa, sem permitir a transferência de culpas para si. Pode acontecer que a pessoa se afaste, que se irrite, que não goste, mas o leitor terá de ser firme na sua posição, pois, caso contrário, vai entrar numa espiral de negatividade e de sofrimento que não ajuda a melhorar a relação. Corra o risco de expressar o que pensa e o que sente e, quem sabe se a vitimização diminui, caso contrário, procure alguém disposto a enfrentar a vida e a responsabilizar-se pelo que faz de bem e de menos correto, aconselham os especialistas.

2. Diga claramente que todos passamos por dificuldades e que o que nos evidencia é a forma como solucionamos os nossos problemas, não a constante vitimização e os lamentos. Uma pessoa que deseja modificar um comportamento destrutivo precisa de saber onde está a falhar, por isso, diga-lhe frontalmente que a vitimização não a vai levar a lado algum e ainda menos a uma relação saudável e duradoura.

3. Evite sentimentos de culpa e de compaixão, uma vez que é mesmo assim que as pessoas vitimistas se aproveitam de nós. Pense muito bem na situação, naquilo que realmente se passa e na melhor forma para a resolver. Converse com a pessoa em causa e diga-lhe que cada um tem o seu papel e responsabilidade numa relação e que não aceita ser o culpado por tudo e ainda menos ter de assumir todas as responsabilidades quando cada elemento tem a sua função. Afirme que só aceita manter a relação com um diálogo franco, aberto, onde exista espaço para o encontro equilibrado de soluções e isso depende dos dois.

4. Concentre-se no seu real valor e naquilo que pretende. Aceite conversar nessa lógica de igualdade. São pessoas adultas e não faz qualquer sentido que um seja a vítima e o outro o agressor ou aquele que lhe satisfaz todas as vontades. Não tenha medo de terminar a relação caso a vitimização persista, pois, mais cedo ou mais tarde, esse será o seu desfecho natural. Mais vale só do que acompanhado com alguém que o manipula, que usa e abusa e que não o respeita, esteja ou não consciente disso.

5. Afaste-se quando sentir que o outro resiste e que não quer alterar o seu comportamento. Em muitos casos, a terapia de casal pode ajudar, mas o sucesso da mesma depende da vontade de ambos e, principalmente, de quem se habituou a vitimizar-se para obter o que pretende. É recorrente que este tipo de pessoa faça muitos apelos emocionais, chantagem, que mostre sofrimento, mas essa é mais uma arte que desenvolveu e que sabe que resulta para causar compaixão no outro, pois quem quer mudar de comportamento não recorre a esse tipo de estratégias e quem ama e gosta também de si mesmo não mendiga o amor do outro e ainda menos o usa ao seu bel-prazer.

É importante que o leitor tenha uma boa autoestima, pois, caso contrário, irá cair muitas vezes na sua rede de manipulações e de apelos. Ganhe coragem e, já agora, ao afastar-se deste tipo de pessoa, não aceite o modelo para a sua vida em próximas situações. Pode aconselhar a pessoa em causa a pedir a ajuda de um psicólogo para que ressignifique a sua forma de estar consigo mesma, com a vida e nas relações.

A vitimização desenvolve-se ao longo do nosso percurso e, mediante a aceitação desse modelo, muitas pessoas dão-lhe continuidade, seja na família, no grupo de amigos, no mundo social ou profissional. Naturalmente que, quando vivem uma relação com alguém, acabam por recorrer ao mesmo estilo porque sabem que, nas muitas situações em que participaram, foi bem-sucedido. Naturalmente que se trata de uma pessoa tóxica, que não cuida bem de si nem dos demais, que usa e abusa de quem está ao seu redor e que este comportamento é completamente reprovável. Cabe a cada um de nós aceitar ou rejeitar manter uma relação com uma pessoa assim porque, certamente, vão existir muitas outras que a vão alimentar e submeter-se aos seus desejos e caprichos, também pelo percurso que experimentaram. O leitor saberá até que ponto está disposto a aceitar este tipo de relacionamento.

Encontramos pessoas que se passam por coitadinhas nas mais variadas situações sociais e quase sempre são entendidas como alguém que “suga a energia” dos outros e que contamina o ambiente num grupo. Idealmente estas pessoas deveriam olhar para dentro de si mesmas, tentar entender o que estão a fazer e «deixarem de alimentar a imaturidade porque é disso que se trata», daí estarem sempre à procura de uma fuga às responsabilidades. Ao se vitimizarem, apelam à compaixão e «arrastam o problema até que deixem de encontrar quem as proteja». E, na realidade, quem precisa de proteção é quem convive regularmente com este tipo de características, pois, em pouco tempo, o desgaste emocional estende-se a todas as nossas áreas de vida.

Quem não quer passar-se por um “coitadinho” tem um desafio diário: perceber que a nossa vida é o resultado dos nossos pensamentos e comportamentos e que nada muda se não lutarmos por isso, tal como ninguém é ajudado se não souber aquilo para que precisa de ajuda. Por isso, cultivar o autoconhecimento, admitir erros e imperfeições, corrigir o que sabemos que fizemos menos bem e reservar um tempo diário para analisar as nossas ações é o primeiro passo para enfrentar a vida de cabeça erguida e tentar estar com os outros em pé de igualdade e não como vítimas das circunstâncias.