Os socialistas dizem que é uma intervenção necessária e urgente, que consideram positiva, «mas que nos deve interpelar sobre a forma reativa como o país e o governo pretende enfrentar a intensidade crescente do fenómeno erosivo e de galgamento oceânico que, previsivelmente, terão tendência a agravar-se no futuro próximo ao longo de toda a costa portuguesa, designadamente no Algarve», adianta a publicação enviada ao Algarve Primeiro.
Para a federação do PS Algarve, a proteção do litoral não pode continuar exclusivamente assente em medidas paliativas com recurso a operações pontuais mas de grande envergadura, «e consequentemente de elevado custo financeiro, que sem o recurso a fundos extraordinários e apoios comunitários seria praticamente impossível ao país suportar».
«Quando olhamos para as projeções das consequências da subida do nível do mar e dos previsíveis efeitos das alterações climáticas nas zonas do litoral português, percebemos bem os riscos que a região do Algarve corre. A defesa da costa algarvia é mais do que uma questão exclusivamente ambiental, é um problema de soberania territorial e uma exigência económica. Sem praias, sem areia branca, sem arribas douradas, não haverá turismo, principal atividade económica regional e responsável por cerca de 8% das exportações nacionais de bens e serviços», sublinha Luís Graça, deputado e presidente do PS Algarve.
Para o dirigente socialista, as operações de reposição de sedimentos devem tornar-se «sistemáticas, com intervenções regulares de alimentação artificial, imerso e emerso, das praias e troços de costa mais expostos ao efeito da erosão e o correspondente reforço do cordão dunar e das arribas».
O comunicado destaca ainda que, «noutra dimensão, de planeamento e ordenamento do território, importa assegurar a nutrição dos solos e que os sedimentos conseguem percorrer livremente as ribeiras e os rios e chegar ao mar e às praias onde são necessários para combater o atual déficit de sedimentos, assim como a definição de zonas de salvaguarda, não edificação e proteção das falésias e arribas».
A Federação do Algarve do Partido Socialista recorda ainda a proposta que os deputados socialistas eleitos pelo Algarve têm defendido ao longo dos anos para a existência de um Plano Plurianual de Dragagens para a região do Algarve, designadamente, para a Ria Formosa e Ria de Alvor, «medida que tendo sido inscrita com financiamento definido - 8,5 milhões de euros - no Orçamento de Estado de 2024, último orçamento aprovado pelo governo do Partido Socialista, e que tendo desaparecido em 2025, voltou por proposta do Grupo Parlamentar do PS a ser inscrita no Orçamento de Estado de 2026».
O PS defende que é preciso assegurar que o mesmo é implementado de acordo com as intervenções definidas pela Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos - DGRM e que, para além do Vau e de Quarteira, incluíam a navegabilidade dos canais da Ria Formosa, o porto da Baleeira, em Sagres, canal e porto de Pesca de Lagos, Alvor e porto de Pesca de Portimão, Albufeira, Vilamoura, Faro, Olhão, Fuzeta, Santa Luzia, Tavira e Vila Real de Santo António, conclui o comunicado.