Política

PSD e Chega chumbam empréstimo e presidente de Faro acusa oposição de não deixar governar

António Miguel Pina - Presidente da CM Faro
António Miguel Pina - Presidente da CM Faro  
Foto - CM Faro
PSD e Chega chumbaram hoje a proposta do executivo de Faro para contrair um empréstimo de 10 milhões de euros, levando o presidente António Pina (PS) a acusar aqueles partidos de não deixarem governar quem foi eleito.

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A proposta previa a resolução de um contrato de empréstimo de 16 milhões de euros (ME) aprovado no anterior executivo do PSD, destinado a financiar projetos considerados estruturantes para a cidade e a contratação de um novo empréstimo para outras intervenções municipais.

A proposta do executivo socialista, com quatro eleitos e que não dispõe de maioria na Câmara, foi reprovada pelos três vereadores do PSD e dois do Chega.

Em declarações à Lusa, o vereador do PSD, Gonçalo Gomes, justificou a decisão dos eleitos sociais-democratas, por considerar que o presidente da Câmara de Faro, António Pina, de “não querer concretizar obras essenciais”, desculpando-se com a “falta de maturidade dos projetos para justificar a sua inação”.

“Uma falácia que quer apenas dizer que faltava dar os últimos passos para concluir os projetos herdados do executivo PSD”, frisou.

Em comunicado divulgado após a reunião camarária, o PSD/Faro criticou “o abandono de projetos” como a requalificação do Eixo Central e as intervenções destinadas a melhorar a mobilidade nas Pontes de Marchil.

Segundo o PSD/Faro, o executivo pretendia “deixar cair” o empréstimo de 16 ME e recorrer a um novo empréstimo de 10 ME para financiar, entre outras intervenções, a Ecovia entre Faro e Olhão, a requalificação do Bairro Ribeirinho, obras no Campo de Futebol da Penha e a intervenção no largo do Mercado.

O PSD Faro sustenta que a Ecovia é o único projeto que permanece através do novo empréstimo e acusa o presidente da Câmara de “não ter concretizado obras” que integravam as promessas eleitorais do PS.

Em declarações à Lusa, António Miguel Pina contestou as críticas e afirmou que PSD e Chega são “dois partidos que não deixam governar quem foi eleito para tal”, considerando que os dois partidos “pretendem impedir o executivo de concretizar o seu programa eleitoral”.

“Os projetos que apresentamos hoje na reunião de câmara e para os quais estávamos a solicitar empréstimo, alguns deles até são projetos que iniciaram a sua elaboração no executivo anterior do PSD”, afirmou o autarca.

O autarca acusou ainda o anterior executivo de ter solicitado um empréstimo antes de os projetos estarem concluídos, argumentando que o prazo para utilização daquele empréstimo termina em fevereiro e que alguns projetos ainda não dispunham dos terrenos necessários.

António Pina deu como exemplos a Ecovia e as Pontes de Marchil, afirmando que, neste último caso, “foi necessário refazer” o projeto devido à existência de uma conduta das Águas do Algarve “que não tinha sido considerada na intervenção inicialmente prevista”.

Segundo António Pina, o executivo tem trabalhado nos projetos associados ao anterior empréstimo e só voltará a apresentar um pedido de financiamento quando estes estiverem concluídos.

Sobre a Ecovia entre Faro e Olhão, afirmou que o projeto estava inicialmente avaliado em dois milhões de euros e que “foi necessário avançar com a aquisição dos terrenos, fazendo com que o custo tenha, entretanto, aumentado para quase o dobro”.

“É por isso que não se podem pedir empréstimos sem ter os projetos prontos”, sustentou.

António Pina considerou ainda que PSD e Chega “constituem uma união que nunca conseguiu ultrapassar a derrota eleitoral” e pretendem impedir o executivo de concretizar o programa apresentado aos eleitores.

Por seu lado, o vereador do PSD, Gonçalo Gomes, classificou a alteração das prioridades de investimento como reveladora de “falta de ambição e visão estratégica” notando que o concelho está a perder oportunidades de desenvolvimento e de afirmação regional.

O social-democrata afirmou ainda que a força política continuará a defender os projetos estratégicos para Faro, com “total abertura para dialogar com o executivo.