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Psicologia ensina a desfrutar de relações saudáveis

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Num mundo diverso e repleto de interesses, características e motivações, faz sentido pensar na melhor forma de construirmos relações saudáveis e sem culpas.

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Segundo a psicologia, não existe uma relação saudável sem que se coloquem limites. Para tal, é essencial que cada pessoa se conheça o mínimo possível, que se respeite, aceite tal como é e que não veja o outro como o centro da sua vida, mas sim, alguém com quem gosta de estar e que igualmente aprecia a sua companhia.

A partir desta base que envolve algum desapego, importa reforçar que não faz sentido estar com uma pessoa ou na companhia de quem nos pressiona, ameaça, limita a ação, não nos respeita, que expressa posse, ciúme, manipulação ou outro tipo de agressão.

Cada pessoa tem de ser livre para tomar as suas decisões, mesmo partilhando a sua vida com familiares, amigos, colegas ou conhecidos. Ninguém tem o direito de querer controlar-nos, humilhar-nos, impor-nos o que quer que seja, muito menos usar-nos de qualquer modo.

Para evitar participar em relações tóxicas ou destrutivas, é essencial que saibamos muito bem quem somos e aquilo que aceitamos nos outros que convivem connosco e que, a partir daí, saibamos definir o que é e o que não é aceitável.

Uma publicação das Almas em Expansão cita a psicanálise para explicar que «os limites saudáveis funcionam como uma proteção do “eu” perante as invasões emocionais do outro». A manipulação costuma encontrar espaço quando há culpa excessiva, medo de rejeição ou dificuldade em sustentar o próprio desejo. Nessas “aberturas” psíquicas, o sujeito cede para manter vínculos, mesmo que isso lhe custe sofrimento, lê-se na publicação.

Quem manipula, muitas vezes, utiliza mecanismos subtis: distorce factos, provoca insegurança, desperta pena ou faz o outro duvidar de si mesmo. Já quem não reconhece os seus próprios limites tende a perder-se nas demandas alheias, colocando sempre o desejo do outro acima do seu, enfatiza o Almas em Expansão.

Estabelecer limites não é erguer muros, mas afirmar a própria existência. É dizer ao inconsciente que nem todas as relações precisam de ser sustentadas pelo sacrifício. Quando o sujeito aprende a dizer não, a nomear incómodos e a sustentar escolhas, desenvolve uma imunidade psicológica que o protege dos agressores, ao mesmo tempo em que encontra o seu ponto de equilíbrio em si mesmo, recorrendo ao outro para estar com ele por prazer e não por dependência, enfatizam os psicólogos.

Delinear fronteiras define o que devemos aceitar e aquilo que temos de rejeitar de modo a preservarmos a nossa essência e aquilo em que acreditamos, já que ninguém tem o direito de dizer-nos ou conduzir-nos para um caminho que não nos pertence, onde não nos sentimos confortáveis e para onde não queremos ir. Mas para dizer “não”, temos de saber o que é mais importante para nós, sem permitir que seja outro a tomar essa decisão ou a impor-nos o que quer que seja, sublinham os especialistas.

São essas fronteiras que nos ajudam a aumentar a autoestima, a autoconfiança e o amor-próprio, ao mesmo tempo que recuperamos energia, satisfação perante a vida e bem-estar.

A Psicoforma resume deste modo a importância de estabelecer limites pessoais:

Preservação da Saúde Mental: Dizer "não" protege contra a sobrecarga de tarefas e expectativas alheias, prevenindo o esgotamento emocional.

Relacionamentos Saudáveis: Estabelecer limites claros define expectativas, promovendo o respeito e evitando abusos emocionais.

Autoestima e Autocuidado: Impor limites é um ato de amor-próprio e coragem.

Comunicação Assertiva: Envolve comunicar de forma clara o que é aceitável, o que reduz conflitos e melhora a qualidade das interações, segundo o Psicólogo e Terapia.

Para estabelecer os seus limites é essencial:

Identificar o que o deixa desconfortável.

Comunicar as suas necessidades de forma direta e sem culpas.

Praticar o "não": Comece com situações pequenas para ganhar confiança.

Ser consistente: Mantenha os seus limites para que sejam respeitados.

Por fim, lembre-se de que, se não nos conhecermos e valorizarmos, mais facilmente ficaremos à mercê de pessoas mal-intencionadas, muitas vezes mascaradas de “boazinhas” e “salvadoras”, que nos levam a duvidar das nossas capacidades, dando a entender que, sem elas, nada seremos.

Quando tomamos consciência do que somos e do nosso real valor, criamos “uma barreira protetora” que nos permite recusar o que não queremos, aceitar com um argumento válido e pensar antes de reagir, pois duvidamos até que consigamos confiar com provas concretas. Não se trata de isolamento social, muito menos de comportamentos antissociais, mas sim de respeito para connosco próprios, com a garantia de que, se não nos protegermos emocionalmente, ninguém o fará e até poderá usar-nos indevidamente.

Uma pessoa confiante não depende dos outros, simplesmente seleciona as pessoas com quem sente prazer em estar, mesmo que não sejam muitas, pois sabe que «mais vale pouco, mas bom, do que muito sem valor» e também se orienta pela máxima: uma relação saudável deve funcionar em equilíbrio, onde cada um dá a sua parte e também recebe o que o outro tem para lhe oferecer. Quem não está interessado, deverá procurar alternativas, tal como nós devemos sentir-nos livres para estar com quem nos devolve respeito, afeto e com quem valha a pena estar.