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Quando a ansiedade nos atrapalha os planos  
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As mudanças estão sempre rodeadas de expectativas e, por muito que se tente inverter a situação, poucas pessoas podem afirmar que conseguiram implementar algo novo, sem que antes tenham passado por um processo de desconforto e desequilíbrio.
 
Pode afirmar-se que, sem desequilíbrio, não há a entrada de algo diferente, ainda assim, é preciso ter em conta o tempo de duração desse mau-estar, sob pena de serem maiores os prejuízos para o organismo que os benefícios pretendidos em termos pessoais ou sociais.
 
A mudança faz parte da vida, no entanto, acarreta um conjunto de medos inerentes à saída da “zona de conforto”. Quer isto dizer que, apesar de desejarmos a mudança, esta implica saber lidar com um conjunto de obstáculos, incertezas, medos e, sobretudo, ansiedade.
 
A instabilidade resultante da expectativa, é uma consequência do querer saber, “o mais rápido possível” o que vai acontecer. É o desejo de previsão dos acontecimentos que dá lugar à ansiedade, tal como a necessidade que o processo de transição “passe rapidamente e nos coloque no imediato, nessa nova situação e em estabilidade”.
 
Muitas vezes, é mesmo esse desejo de encurtar etapas que faz disparar a ansiedade, já que, existe uma concentração tão grande nos eventos seguintes que, “nos esquecemos de analisar cada passo que damos”.
 
Em pouco tempo, acabamos por nos confrontar com uma sensação de “pés no ar” que, é o mesmo que dizer que, ficamos quase como que sem defesas emocionais, sem a nossa estrutura e longe das características que naturalmente nos suportam nas mais variadas situações e de que necessitamos em todas e quaisquer mudanças.
 
Na prática, o nosso organismo passa a funcionar de forma desequilibrada e, as ações quotidianas refletem mesmo essa instabilidade e mau-estar. Há alterações no sono, dores de barriga, sensação de “nó no estômago”, alterações nas idas à casa de banho e daí por diante.
 
Este desequilíbrio faz aumentar (ainda mais) a sensação de ansiedade, apesar de, em muitos casos, o sujeito não se apercebe do que se está a passar internamente.
 
O foco é o que vai acontecer, como vai ocorrer e o que lhe vai ser exigido na nova etapa. Para trás fica, “o que eu sou”, “como lido em situações novas”, “a capacidade de encarar a mudança como algo novo, mesmo que não tenha sito uma opção, mas que possa ser um desafio” e tudo aquilo que nos permite manter o nosso estado de equilíbrio, nem que seja mínimo!
 
Os entendidos na matéria, alertam para o problema da vulnerabilidade associada a estes estados de ansiedade, uma vez que, “o indivíduo fica muito mais exposto ao exterior, com muito menos capacidade para resolver problemas, para se esclarecer, o que, em muitos casos, pode dar lugar a doenças ou a estados de frustração prolongados”.
 
Quer isto dizer que, as mudanças são positivas, mas devem ser encaradas como alterações na nossa vida aos mais variados níveis. Para minimizar esses efeitos nocivos, devemos procurar manter algumas rotinas até que as mesmas nos sejam permitidas. Devemos também tentar que a mudança seja progressiva e que se vão mantendo os laços que nos garantem a estabilidade.
 
No mesmo sentido, seria desejável que se pudessem encarar as mudanças como algo que à partida, será sempre positivo, seja pela oportunidade de conhecer algo novo, seja pelo desafio que encerra, seja pela escolha que se fez.
 
O tempo não deve ser “marcado pelo relógio”, mas sim pela disponibilidade do organismo em aceitar cada passo que se vai dando e, procurar tanto quanto o possível, afastar os maus pensamentos e tudo o que possa fazer ativar o medo.
 
Naturalmente que o medo é uma reação ao novo, mas devemos concentrar-nos naquilo que conhecemos de nós próprios e apenas deixar “nas mãos da vida” aquilo que é novo.
 
Um profissional que muda de localidade para trabalhar, “leva consigo” todo o conhecimento e experiência adquiridos. A novidade centra-se apenas no local e nos colegas, não nas suas competências. Com esta concentração nos requisitos pessoais, é grande a garantia de que a mudança será positiva e equilibrada.
 
Respeitar o ritmo do organismo também é muito importante, mesmo que a sociedade exija uma adaptação relâmpago. Todos sabem que é impossível vivenciar algo novo sem um tempo de preparação, por isso, respeite o seu ritmo e liberte a sua estabilidade a cada momento que lhe seja permitido.
 
Nunca é demais alertar que, durante as mudanças ocorrem desequilíbrios mental, físico e emocional e que, os mesmos devem ser ultrapassados paulatinamente. É positivo reconhecer que se está a passar por uma fase, que se precisa de mais disponibilidade e tempo para fazer face a novos desafios e que, se dispõe de menos tempo e energia para os amigos, para a família e outras situações que eram habituais. É fundamental apelar à compreensão dos outros para que se sinta mais tranquilo e confortado. O mesmo se passa com o assumir alguns receios e desabafar aquilo que incomoda e gera instabilidade.
 
Estes recursos são importantes para ultrapassar de forma mais segura e confortável, a fase de transição. Apesar de querermos ultrapassar o impasse o mais rápido possível, devemos ter em conta que, o organismo é quem determina o conta-quilómetros. No entanto, pode acontecer que, uma situação externa ou alheia à vontade do sujeito, o coloque em frustração e sem capacidade de ultrapassar alguns pontos acima referidos. Nestes casos, é preciso estar alerta, já que, para além do mau-estar, são muitos os prejuízos para a saúde, o facto de permanecer em desequilíbrio por um período excessivo.
 
Seja humilde ao ponto de pedir “um tempo” para se reencontrar e comprometa-se com o bem-estar que será capaz de oferecer mais tarde a si mesmo e aos que o rodeiam.
 
 
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