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Quando temos medo do desconhecido, voltamos aos “valores de origem”
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Acredito, pela minha experiência e pelo que vou lendo, que, o desconhecido é uma oportunidade para nos fazer recordar daquilo que somos enquanto pessoas.
 
Sempre que encerramos um ciclo ou que temos pela frente um novo desafio, tendemos a refletir, a reposicionar-nos e a tentar compreender as nossas potencialidades para darmos resposta ao que nos é proposto.
 
É nessas ocasiões que, “regressamos ao passado”, que ponderamos aquilo que já fizemos, que arrumamos alguns conteúdos e que nos conhecemos melhor e assumimos aquilo que somos e que temos.
 
É nessas ocasiões que renovamos os nossos valores e que ponderamos algumas relações com os outros. Procuramos aquilo que de melhor aprendemos e descartamos aquilo que, em determinado momento, nos impediu de sermos quem gostaríamos.
 
Basicamente fazemos uma análise de nós mesmos e, quanto melhor decorrer esse processo, mais preparados estaremos para arriscar a fase seguinte.
 
Penso que, é por essa razão que precisamos de tempo para tomar uma decisão, que pedimos conselhos a alguém da nossa confiança, que procuramos mais informação no exterior, mas acima de tudo, o que queremos é encontrar-nos no nosso percurso, na nossa vida e encontrar uma resposta que nos satisfaça.
 
Se nos é proposto algo que se afasta dos nossos valores de origem, certamente que teremos mais dificuldade em decidir, pois quer queiramos quer não, somos o produto daquilo que aprendemos ao longo da nossa vida.
 
Quando a proposta vai ao encontro do que somos, pensamos e sentimos, na maior parte das vezes, decidimos com mais facilidade, rapidez, convicção e segurança.
 
Quer isto dizer que, acima de tudo, devemos ser fiéis a nós próprios, pois mesmo sabendo que mudamos ao longo da vida, essas transformações ocorrem sempre a partir da nossa base de existência e dos nossos valores de orientação na sociedade e cultura a que pertencemos.
 
Podemos saber que alguém cometeu algo menos correto, mas sabemos sempre qual é a nossa posição e aquilo que nos orienta e, naturalmente tendemos a procurar pessoas, profissões e cenários que nos devolvem esses valores.
 
Se confiarmos nesta nossa capacidade intuitiva e criativa para resolver problemas, certamente que podemos viver com mais segurança e confiança em nós mesmos.
 
No fundo, o desconhecido é uma oportunidade para nos confrontarmos com aquilo que realmente somos e que, em algumas situações parece estar esquecido. Mediante “um salto no vazio”, quando temos aquela sensação de que o tapete nos saiu debaixo dos pés, agarramos aquilo que é estável e seguro, aquilo que nos suporta as escolhas e define aquilo que realmente somos. Não temos de ter medo do desconhecido, devemos até encará-lo como um desafio, uma oportunidade para nos conhecermos melhor e darmos mais valor ao que somos e temos.
 
Fátima Fernandes
 
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