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Quanto mais aceitarmos a morte, mais valorizamos a vida
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As posições dividem-se no que se refere à ideia de que precisamos de conhecer os opostos para valorizarmos o que temos.
 
Há autores que defendem que é muito mais fácil fazer o bem se soubermos as consequências do mal, enquanto que outros consideram que não precisamos de passar pelas situações negativas para as prevenirmos, basta que nos seja ensinado que não é bom para que evitemos.
 
Seja qual for a posição do leitor, uma coisa é certa, está provado que, quanto mais aceitarmos a ideia de que vamos todos morrer, mais tiramos partido da vida e a valorizamos.
 
Esta constatação baseia-se na ideia de que se tem fugido do tema da morte por termos medo que a mesma “nos bata à porta”, que nos leve alguém querido e daí por diante, mas não é pelo facto de evitarmos falar na morte que ela vai deixar de nos acontecer.
 
Ao mesmo tempo, temos de ser racionais ao ponto de pensarmos que a morte é tão natural como a vida: nascemos e morremos, pelo que não vale a pena pensar nela como algo que se pode evitar, mas sim tentar atrasar a hora da partida ao máximo e, para isso, é fundamental que vivamos melhor.
 
É importante valorizarmos cada dia como um direito de estarmos vivos e perdemos a ideia de que, na velhice logo se pensa na morte porque ela estará mais próxima. Para morrer basta estar vivo e, se pensarmos nisto com esta clareza, vamos perceber que faz sentido valorizar cada momento que nos faz bem e, preocuparmo-nos cada vez menos com aquilo que não nos faz falta.
 
Se todos aceitarmos que vamos morrer e que não sabemos quando e que, vamos sempre assistir à partida de pessoas que nos são queridas, construímos sempre vários pontos de interesse e de afetos para que a nossa vida faça sentido.
 
Em vez de nos focarmos só no materialismo, faz sentido que vivamos o nosso plano afetivo com qualidade, já que, é daí que resulta a felicidade.
 
Em vez de alimentarmos os problemas, somos humildes para os resolver. Em vez de passarmos a vida com medo da morte, valorizamos cada momento como único e especial.
 
Já reparou que se calhar faz sentido mudar a forma de pensar?
 
Não é por não se abordar os assuntos que eles deixam de existir. De nada nos serve também andarmos com medo de tudo e mais alguma coisa porque podemos morrer. Precavemo-nos, controlamos os perigos e defendemo-nos, a partir daí, vivamos um dia de cada vez com intensidade.
 
Já pensou que não ama com medo que a pessoa desapareça, não beija com medo de gostar e de perder, não abraça com medo da despedida e, a vida que é para ser vivida, acaba por ser limitada pela constante noção de medo da morte.
 
Temos tanto medo de perdermos a vida que nos esquecemos de vivê-la com dignidade e intensidade.
 
É verdade que o passado não nos ajudou muito nessa tarefa, pois as teorias da época mostravam a morte como “um castigo” e que “escaparia dele” quem se portasse bem. Sabemos muito bem que ninguém escapa à morte seja boa ou má pessoa. Ninguém sabe quando é que é o seu momento, mas sabemos que, quanto mais felizes formos, mais longevidade teremos e, esse é o objetivo deste apontamento, despertar o leitor para a sua felicidade, para a intensidade dos momentos, para os beijos, os abraços diários para que possa gozar de muitos anos de alegria e felicidade.
 
Longe vão os tempos em que se deixava tudo para a velhice como se só nessa fase é que se pudesse aproveitar a vida.
 
A vida é para ser vivida diariamente e ao pulsar das nossas emoções. Não deixe para mais tarde porque nem sabe se lá chegará. Depois, a ansiedade que se gera em torno de querer aproveitar tudo na terceira idade, mata mais depressa, o coração não aguenta essa agitação e não se consegue tirar partido daquilo que não se construiu ao longo da vida.
 
Uma pessoa que tenha passado o seu percurso a trabalhar e sem dar atenção à família porque não soube gerir o seu tempo, certamente que não saberá partilhar afeto na terceira idade, nem terá a família como companhia nesse tempo, pois com essa ausência, naturalmente que a família seguiu outros caminhos. O mesmo se passa com quem anda sempre distante por não assumir as suas emoções, na velhice terá de se vitimizar para ter atenção e, nem sempre terá quem aceite isso. Vale a pena viver deste forma?
 
Claro que não. Faz sentido que se encare a vida como um percurso diário em que se vão acumulando experiências e sensações com várias pessoas e situações. Em cada momento damos e recebemos de nós. Aceitamos cada etapa de vida e a inevitabilidade da morte. Vivemos mais descontraídos, livres e felizes, somos capazes de aproveitar cada momento e de pensar na nossa saúde como um ato responsável e que nos ajuda a viver mais e melhor e, a partir daí, estamos prontos para viver e prontos para morrer quando a vida assim o entender!
 
Fátima Fernandes
 
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