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Que futuro queremos dar às nossas crianças?
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Num primeiro momento, todos respondem, “um futuro de sucesso”, mas se pensarmos melhor, talvez não seja bem isso que se está a passar na realidade.
 
Se no passado recente (após a revolução do 25 de Abril)  a pressão sobre as crianças recaía na necessidade de aproveitar “a liberdade” para entrar no mundo do trabalho e “ser alguém na vida”, neste tempo, as coisas parecem ter dimensões mais assustadoras, a ponto de se retirarem os sonhos dos mais novos e de se lhes incutir desde o berço a ideia de que “têm de ser os melhores para terem um emprego no futuro”.
 
Com esta tónica não se dá tempo para brincar, para aprender e para crescer. As crianças de hoje vivem uma enorme pressão por parte de pais, professores e da sociedade em geral. Todos têm de estudar muito e estar preparados para quando ocorrer a retoma da economia, serem brilhantes… E qual é o resultado disto? Crianças sem sonhos, sem “joelhos esfolados” por falta de tempo para desfrutar da rua, dos parques, do convívio e dos empurrões dos outros…
 
Temos “verdadeiras enciclopédias que sabem debitar tanta informação e tão pouco conhecimento e, ao mesmo tempo, stress, ansiedade e angústia.
 
Há quem diga que são os sinais da crise e a pressão que os pais sentem em ter de fazer face ás despesas e ao investimento com os estudos dos filhos, mas também há quem defenda que se vão encontrando desculpas para cada vez mais depositar as crianças em locais onde só se aprende matemática e as demais disciplinas porque “brincar parece ser um desperdício.”
 
Eduardo Sá já assumiu que as crianças só têm bons resultados escolares se tiverem tempo para brincar e, caso não tenha sido ouvido, 
são cada vez mais os especialistas que se juntam à sua tese.
 
Esta necessidade de fazer com que as crianças sejam “alguém no futuro”, acaba por contribuir para desencadear perturbações obsessivo-compulsivas. “A maioria das crianças tem imensos trabalhos para casa (TPC) para fazer depois do horário escolar e sentem-se sufocadas com a pressão dos pais, da escola, mas também dos centros de estudo e do ATL (atividades de tempos livres), que não compreendem que depois das aulas elas precisam de brincar. Com a crise, a pressão está a aumentar imenso”, afirmou a investigadora Maria José Araújo.
 
Com experiência de trabalho com crianças nesta área, esta investigadora sublinha que é necessário refletir sobre a angústia dos pais, sobre o que significa a excelência e o sucesso já que as crianças são diferentes e têm ritmos de vida que devem ser respeitados.
 
A ideia de que se as crianças trabalharem muito hoje vão ser alguém no futuro não tem, no contexto atual, grande sustentação, além de se ter tornado numa pressão social, salienta, para acrescentar que “o discurso é todo à volta do sucesso, sem se explicar muito bem de que sucesso estamos a falar. E isto exerce uma pressão enorme. 
 
Lê-se na revista Pais&Filhos que, os encarregados de educação “pressionam os filhos, os professores pressionam os alunos e a sociedade pressiona as crianças”.
 
Segundo a especialista, citada pela mesma revista, alguns pediatras e psicólogos têm mostrado muita preocupação com esta situação, relatando atitudes de cansaço e angústia nas crianças e comportamentos de grande mal-estar que desencadeiam stress ou depressão.
 
“O receio alimentado pelo espetro do desemprego e pela incerteza económica tem aumentado brutalmente. E aumenta a pressão sobre os pais, que exercem mais pressão sobre as crianças”, nota Maria José Araújo.
 
Também o pediatra Mário Cordeiro defende que o objetivo do sistema de ensino não deve ser “começar a formar cavalos de corrida para a retoma económica”, mas antes “ensinar, dar informação que permita formar conhecimento, transmitir sabedoria, dar instruções práticas para situações concretas, desenvolver a capacidade de pensar, raciocinar, refletir, dialogar”. 
 
Citado pela revista Pais&Filhos, Mário Cordeiro defende que, o sistema deveria tentar que cada aluno sinta brio e vontade de ser melhor e não, como nos quadros de honra e rankings, o melhor de todos.
 
Por seu turno, os pais não sabem qual a melhor opção a tomar. Se não investem nos estudos dos filhos, temem que no futuro não estejam qualificados e à altura dos desafios, se investem, acabam por lhes roubar tempo para crescerem felizes e saudáveis…
 
Mais uma vez, é no meio-termo que está a chave dizem os especialistas. Sempre se cresceu a brincar e a aprender a vida através do contacto com os outros, dos desafios e das dificuldades.
 
Qualquer adulto de hoje sabe a importância de desafiar os seus conhecimentos e limites entre pares, sabe a importância de cair e de se levantar, sabe o prazer de brincar na rua com os amigos e de ter tempo para tudo.
 
Esta continua a ser a base da vida humana. Tempo para estudar e trabalhar, tempo para se divertir e aplicar o que se aprende nas mais variadas dimensões da vida, pois como queremos ter adultos inteligentes, trabalhadores e felizes se lhes retirarmos esses direitos nas várias etapas de desenvolvimento, questiona Quintino Aires, psicólogo.
 
Para rematar este assunto, é imperativo sublinhar que pais e filhos precisam de partilhar momentos em comum, precisam de saborear cada vivência em conjunto, cada história de vida e conversa, pois não é nos livros que se conquista essa sabedoria. 
 
Ás vezes, mais vale retirar umas horas ao estudo para estar em família do que construir gerações infelizes e incapazes de pensar a vida… quem aprender a defender-se, saberá sempre dar uma utilidade aos estudos e ás experiências que adquiriu e terá sempre um futuro entusiasmante.
 
Fátima Fernandes
 
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