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Quem ama, não agride!
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Este apontamento é pouco mais que um convite para refletir acerca da nossa vida, das formas que encontramos para sermos mais felizes dentro de casa e como podemos melhorar.
 
Todos reconhecemos que a vida em conjunto requer muita arte e habilidade e que devemos estar sempre a melhorar-nos para que a mesma corra bem, pois o amor é o que mais nos torna felizes mas, não é fácil de encontrar e ainda menos de manter.
 
O primeiro ponto a ter em conta é que o casamento ou a vida a dois deve ser uma opção consciente, pois quanto mais estivermos empenhados e motivados para partilhar um projeto de vida com outra pessoa, mais probabilidades o mesmo terá de ser bem sucedido. No passado, as pessoas tinham de se casar por imposição social o que, para além de permitir que os casamentos fossem mais duradouros, já que não era fácil a separação, conferia uma certa falta de responsabilidade aos parceiros, na medida em que, quando havia algum problema, os pais, os padrinhos, os amigos “davam um jeitinho” conversando com ambas as partes para que, durante mais algum tempo, fizessem um esforço por se entender. De nada resultava isso porque os problemas permaneciam, mas todos acreditavam que sim e pouco se fazia para melhorar o papel de cada um dentro de casa. O homem continuava a ir para a taberna para se “livrar” da mulher e esta não deixava que o marido se aproximasse das tarefas domésticas porque esse era o seu território. Com esta base, que sentido fazia o homem ir para casa se nada tinha para fazer depois de um dia de trabalho? Que possibilidade de conversa existia quando a mulher tomava conta de tudo e não pedia opinião ao parceiro?
 
Os tempos mudaram e as responsabilidades também. Mesmo que se faça uma festa para muitos convidados, não são estes que ditam o futuro da relação, muito menos o seu tempo de duração. Os parceiros é que têm de se entender e de encontrar a melhor forma de se amarem, de se respeitarem, de alimentarem a sua relação e de continuarem juntos. Para isso, vão-se estudando formas cada vez mais evoluídas e criativas de organizar a vida do casal dentro de casa, entre outras, a igualdade, o respeito e a compreensão. O homem limpa a casa, cozinha e cuida dos filhos. A mulher trabalha fora e divide as tarefas com o marido. Em teoria, não haveria motivos para as pessoas não se entenderem dentro das quatro paredes. Mas o que falta?
 
Um dos segredos para que tal aconteça é a compreensão. Não há amor sem compreensão, não há relação sem que as pessoas consigam conversar abertamente uma coma outra. Compreensão implica tempo, dedicação, apoio, afeto, carinho , entrega. Implica menos TV à hora do jantar e mais tempo para falar acerca do dia de trabalho, implica menos ecrãs, menos ligação às redes sociais e mais interesse na pessoa com quem partilhamos a nossa vida. Implica mais liberdade pessoal e bem-estar para que possamos estar bem em casa com quem amamos.
 
Custa-me acreditar que, quando duas pessoas se entendem bem, estão tanto tempo ligadas aos ecrãs… não faz sentido, pois quando duas pessoas gostam de estar juntas aproveitam o tempo que têm livre para o fazerem. Claro que podemos ter o nosso tempo pessoal, claro que devemos ter hobbies, claro que precisamos de descomprimir, mas sem ver o parceiro como um entrave. Essa é a diferença! Quando estamos bem com a outra pessoa, sabemos gerir o nosso tempo pessoal, o nosso tempo para os amigos e o nosso tempo para estar a sós com ela, mas o que quero dizer é que sentimos necessidade de ter esse tempo para namorar, para estar, para conversar, para planear, para celebrar as conquistas a dois.
 
O mesmo se passa com os nossos filhos. Pais que amam os filhos não encaram como um sacrifício estar com eles, muito menos conversar e brincar. Talvez nos falte é assumir os nossos verdadeiros sentimentos. Dizer a nós mesmos que amamos a nossa família, que gostamos de estar na sua presença e que é um prazer estar em família depois de um dia de trabalho e de horas de ausência. Os nossos filhos também dizem sentir a falta dos pais desde muito pequenos, o que revela que o ser humano nasce com esses sentimentos e necessidades, mas que as vai substituindo por outros interesses ao longo do seu percurso. Chega a ligar mais ao smartphone do que ao parceiro e aos filhos… será que isto faz algum sentido?
 
Uma pessoa que assume o seu amor por outra, gosta de estar com ela e organiza-se para ter tempo livre para o fazer diariamente. É precisamente isso que alimenta o amor e que nos leva a ter cada vez mais momentos de felicidade, o que acontece é que se tornou uma vergonha dizer que se ama, que se quer estar com aquela pessoa, que é bom estar em família.
Tornou-se normal dizer aos amigos que a mulher é chata e que o marido não faz nada em casa para ter assunto e depois começamos a acreditar naquilo que dizemos e a afastar-nos dos nossos sentimentos e dos momentos a dois. Para agradar aos nossos amigos, deixamos cair os nossos valores, o que sentimos e o que pensamos, pois se todos fazem “um frete” em dividir a sua vida com alguém, nós também “temos” de acreditar nisso e fazer o mesmo. Só porque alguém se divorciou, ficamos logo com o registo de que nos pode acontecer o mesmo, então é melhor começarmos a desligar do nosso parceiro, quando é mesmo isso que dita a separação.
 
É inegável que nos deixamos influenciar pelos outros, pelo que devemos é procurar amigos com valores comuns aos nossos, não alimentar relações tóxicas e más influências! Um dos segredos para uma vida familiar harmoniosa é precisamente ter pessoas boas à nossa volta, ter bons exemplos, valores comuns. Casais que discutem muito, nunca são uma boa companhia, pelo que mais vale estar só do que mal acompanhado.
 
Quando somos honestos, sabemos muito bem quando é que o outro está recetivo para o nosso carinho e quando é que nós estamos igualmente disponíveis para conversar, para partilhar. Essa é a verdadeira magia do amor, é aquilo que nos une, é a empatia, é o bem-estar, é conseguir saber como o outro está mesmo sem ter de lhe perguntar tudo, é conseguir ver o brilho dos olhos dos nossos filhos perante uma determinada situação: isto é amor e liberdade ao mesmo tempo, pois não temos de andar a pensar, a inventar sentimentos porque os sentimos na realidade. No fundo, o que precisamos de fazer é libertar aquilo que de mais genuíno temos dentro de nós. É assumir que estamos casados por amor, é dizer a nós mesmos que somos capazes de alterar um ou outro aspeto da nossa personalidade em troca do prazer de vivermos melhor com quem amamos. Se o fizermos por prazer, não nos arrependemos, não cobramos e a relação corre bem. Imagine que está habituada a fazer tudo em casa e que, de repente, o seu companheiro a começa a ajudar. Em vez de isso ser um problema, isso é mais um momento de partilha e de aprendizagem a dois. O mesmo se passa com tudo. O pai é essencial na educação dos filhos, chame-o para essa tarefa, aprendam em conjunto a gerir as responsabilidades e os sentimentos, façam o vosso estilo de vida a dois e preocupem-se menos com o que os outros pensam a vosso respeito. Quem sabe se até conseguem ser um bom exemplo para outras pessoas…
 
Na realidade, andamos muito à deriva naquilo que mais simples e bonito que temos:os sentimentos, pelo que a experiência de cada um é importante para melhorar as dos outros. Arrisque criar o seu modelo de família, ouse fazer diferença, ouse cortar com os padrões do passado e mostrar ao grupo que é feliz no seu relacionamento, à sua maneira, com os seus valores e ideias. Ouse não falar mal dos seus filhos como se fazia antigamente. Ouse resolver os problemas em casa conversando e encontrando soluções. Ouse ser feliz com um novo estilo de vida! Isso é amar em liberdade dentro das quatro paredes!
 
Fátima Fernandes
 
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