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Quem não pensa não consegue ser feliz
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Pensar acerca de nós mesmos e da melhor forma para nos posicionarmos nas mais variadas situações, é inato e acarreta tudo o que somos em cada fase de vida, razão pela qual, parece que não faz muito sentido afirmar que precisamos de pensar para conseguirmos ser felizes.
 
A realidade é que há vários pensamentos que nos invadem a mente, muitos deles sem grande utilidade, na medida em que resultam de emoções num determinado momento. Quando falo em pensar, refiro-me a uma capacidade única que temos ao nosso dispor de nos colocarmos na situação de forma isenta e refletirmos acerca dos nossos atos e daquilo que realmente procuramos numa determinada situação.
 
O ritmo de vida acelerado em que nos vamos deixando arrastar, nem sempre nos reserva esse espaço de encontro pessoal para que sejamos capazes de fazer algo tão simples quanto pensar na importância que uma pessoa pode ter na nossa vida ou, pelo contrário, não ter e estarmos a desgastarmo-nos tanto em função dela.
 
 
Pensar requer uma atitude pessoal: dizer claramente a nós mesmos a razão pela qual fazemos uma coisa de uma determinada maneira e não de outra. Saber o motivo pelo qual uma pessoa é tão importante para nós e outra não merece mais do que o nosso respeito enquanto humanos. É importante sabermos dizer a nós mesmos o que nos move em cada momento para que o possamos validar e tornar nosso. No fundo, é isto que nos distingue uns dos outros, mas parece que andamos sempre à procura é de imitar alguém porque, efetivamente dá trabalho pensar em nós mesmos e no nosso percurso.
 
Dá trabalho investir algum tempo diário para anotar aquilo que correu menos bem durante o dia para que o possamos melhorar. É exigente a tarefa de olharmos para nós próprios com sentido crítico e assumirmos que erramos, mas que podemos fazer melhor se pensarmos nas alternativas possíveis naquele momento.
 
Muitas vezes, queixamo-nos de que não encontramos a felicidade como se a mesma residisse nos bens materiais que queríamos ter ou na pessoa que os outros mostram e que nós queríamos imitar para sermos felizes como ela. Esse é um caminho errado!
 
Aproximamo-nos da felicidade sempre que afastamos de nós aquilo que nos causa incómodo. É isso mesmo. Ao retirarmos aquilo que nos pesa de alguma forma, estamos cada vez mais a colher momentos de felicidade e a conseguir apreciar a beleza das outras pessoas e das situações em que participamos.
 
Quando resolvemos um conflito no trabalho, sentimo-nos tão bem que queremos celebrar de alguma forma essa conquista, o mesmo se passa com um mal entendido que é esclarecido e daí por diante. Mas para isso, é preciso pensar em nós mesmos e desejar essa sensação de liberdade. É preciso conseguirmos aquilo que temos de melhor e que é capaz de produzir emoções maravilhosas, é essencial analisarmos aquilo que fizemos num determinado contexto, mas cujas consequências desagradáveis nos devem impedir de fazer o mesmo. Isto é uma forma simples de pensar, é parar no momento certo, é analisar aquilo que fizemos ou que nos fizeram e perceber como é que isso não nos volta a acontecer. Se gostamos do que vivemos, teremos uma natural tendência para repetir e, claro que aí, saberemos muito bem os motivos que nos orientam para uma determinada situação e que nos dão força para recusar outra.
 
Assisto muitas vezes a situações em que as pessoas não sabem sequer a razão pela qual realizam algo. Como é possível participar numa situação sem ter um objetivo por muito banal que seja? Isso significa que, não andamos a pensar o suficiente em nós mesmos nem naquilo que fazemos.
 
É muito gratificante aprender e corrigir os erros, por isso, não temos de nos assustar com aquilo que já fizemos, mas sim pensar naquilo que queremos fazer daqui para a frente. Aos poucos, vamos ultrapassando aquilo que nos impede, pois estamos cheios de frases feitas para tudo, mas serão as nossas? Se somos seres únicos e especiais, faz algum sentido termos a mente repleta de vivências exclusivas de outras e sem que delas tiremos partido?
 
Aprendemos através dos outros, mas temos a obrigação de construir a nossa própria identidade com tudo aquilo que nos carateriza e que assumimos como a nossa vivência e o produto da nossa aprendizagem. Pense em si, carinhosamente e seja feliz com aquilo que dá e recebe da vida.
 
Fátima Fernandes
 
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