Este será o terceiro concerto do ‘rapper’ norte-americano em Portugal, depois de se ter estreado em 2006, no Cool Jazz Fest (Oeiras), e de ter regressado em 2011, no festival Sudoeste (Zambujeira do Mar).
Kanye West, que, segundo a promotora, se tornou “uma figura incontornável da música global, responsável por redefinir os limites do hip hop, da produção musical e da própria cultura pop”, editou em março passado o álbum “Bully”, 12.º de estúdio.
Na quinta-feira, na página que o músico criou no Instagram para o concerto em Portugal, podia ler-se que 99% dos bilhetes tinham sido vendidos. Os ingressos que ainda estavam à venda custavam entre os 100 euros e os 209 euros.
As portas do Estádio Algarve abrem às 17:00 e o concerto está marcado para as 21:00. É ainda feito um aviso de que os “menores de 16 anos devem fazer-se acompanhar de um adulto”, ambos com bilhete comprado.
O músico lançou o primeiro álbum, “The College Dropout”, em 2004, seguindo-se “Late Registration” (2005), “Graduation” (2007), ou “My Beatiful Dark Twisted Fantasy” (2011) venceu Grammy de Melhor Álbum Rap.
Em 2019, depois de ter mudado o nome artístico para Ye, Kanye West editou o álbum de gospel “Jesus is King”.
“Ao longo de mais de duas décadas, construiu uma discografia marcada por inovação, impacto e reinvenção constante, com álbuns que atravessam gerações e continuam a influenciar artistas em todo o mundo”, afirmou a Bilheteira Online (BOL), que também promove o concerto, em comunicado.
No entanto, a carreira artística acabou por ser ofuscada, em vários momentos, por polémicas, nomeadamente por mensagens antissemitas, por sugerir que a escravidão era uma escolha e por considerar que a vacina contra a covid-19 era a “marca da besta”.
Em 2022 anunciou que se candidataria às eleições presidenciais de 2024 nos Estados Unidos e que tinha oferecido o cargo de vice-presidente a Donald Trump.
Em janeiro deste ano, o músico fez publicar um anúncio no Wall Street Journal no qual pedia desculpa por comportamentos dos quais se arrepende e que diz terem-lhe “destruído a vida”; e lembrou que foi diagnosticado com uma doença bipolar, que o fez “perder contacto com a realidade”.
“As coisas foram piorando quanto mais eu ignorava o problema. Disse e fiz coisas de que me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que mais amo foram as que tratei pior. Suportaram medo, confusão, humilhação e a exaustão de tentar ter alguém que era, por vezes, irreconhecível”, afirmou.
Kanye West já viu cancelados ou adiados concertos na Polónia, França, Reino Unido e Suíça. Em julho, um concerto dele e outro do ‘rapper’ Travis Scott foram cancelados em Itália, tendo sido invocadas questões de segurança.
Em abril, o governo britânico proibiu a entrada do músico no país, devido a declarações antissemitas, tendo levado ao cancelamento do festival Wireless, onde iria atuar.
O Congresso Judaico Europeu também chegou a pedir, em junho, o cancelamento do concerto de Kanye West em Portugal, “para garantir que o antissemitismo, a glorificação do nazismo e o ódio não sejam recompensados com plataformas públicas, legitimidade ou apoio”.