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Reclamar adoece o cérebro. O que dizem os cientistas?

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Segundo a ciência, o hábito crónico de reclamar reprograma os circuitos neurais para a negatividade e eleva os níveis de stress, afetando a saúde física e mental.

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O psicólogo Jeffrey Lohr diz que o hábito de reclamar não nos faz bem. Expressar toda essa negatividade faz com que ainda nos sintamos mais aborrecidos e irritados, que entremos em estados depressivos e que arrastemos quem nos rodeia para o mesmo circuito, o que também é danoso, afirma.

O investigador norte-americano Steven Parton afirma que o hábito de reclamar afeta diretamente a saúde do indivíduo, colocando-o num permanente estado de mau humor e de tristeza. O mesmo cientista diz que o cérebro constrói as suas conexões com base em tudo a que é repetidamente exposto. Assim, quando uma pessoa se habitua a fazer reclamações e a ter pensamentos negativos, existe uma tendência para que o cérebro faça o mesmo repetidamente, uma vez que esse é o caminho mais fácil e o que conhece melhor. O investigador ressalta ainda que «a boa notícia é que, tal como o cérebro se habitua ao negativo, também pode habituar-se ao positivo, é tudo uma questão de escolha».

Os cientistas alertam também para o facto de que, quando uma pessoa reclama muito e está habituada a viver nesse registo, para além de prejudicar as relações que estabelece com os outros, também sofre impactos muito negativos na sua saúde, porque um sistema imunitário deprimido aumenta a tensão arterial e o risco de desenvolver doenças tais como o cancro e as desordens cardiovasculares. O cortisol também prejudica a memória, aumenta o risco de depressão e ansiedade e, obviamente, diminui a esperança de vida, alertam nas conclusões de vários estudos levados a cabo sobre o assunto.

Para além dos danos que esta prática representa em nós, são conhecidos e descritos pelos investigadores problemas na interação social, uma vez que dificilmente uma pessoa que reclama muito consegue manter amizades e relações positivas com outras pessoas.

Como funciona o cérebro de uma pessoa “reclamona”:

• Neuroplasticidade negativa: repetir queixas fortalece conexões neurais ligadas ao pessimismo. O cérebro aprende a focar-se nos problemas de forma automática.

• Aumento do cortisol: reclamar ativa a libertação da hormona do stress, o que pode danificar áreas vitais como o hipocampo (responsável pela memória e resolução de problemas).

• Redução cognitiva: o excesso de lamentações afeta o córtex pré-frontal, diminuindo a capacidade de planear, tomar decisões e pensar criativamente.

• Efeitos na saúde mental: o hábito está diretamente associado a maiores índices de ansiedade, fadiga mental e sintomas depressivos.

Efetivamente, as pessoas não reclamam só porque lhes apetece. Fazem-no porque precisam de desabafar, chamar a atenção para algo que lhes correu menos bem ou porque não se sentem bem consigo mesmas e necessitam de “descarregar” essa negatividade em alguém. E neste último ponto é que está o maior problema, uma vez que a pessoa que reclama não se apercebe, mas acaba por afetar negativamente quem está ao seu lado.

Os cientistas dizem que as pessoas que reclamam têm sempre a mente cheia de negatividade e de pensamentos maléficos, pelo que, quanto mais se queixam, menos capacidade terão de mudar alguma coisa e de encarar o mundo de um modo mais positivo. Quer isto dizer que, “quando convivemos com outras pessoas, levamos essa carga destrutiva que acaba por afetá-las e por impedir que se sintam bem ao nosso lado”, destacam os especialistas nesta matéria.

Como mudar o hábito

• Pratique a gratidão: exercitar o reconhecimento de aspetos positivos fortalece conexões neurais mais saudáveis.

• Foque-se em soluções: direcione a energia da reclamação para uma ação prática que mude a situação real.

• Registe as principais queixas: questione o propósito de cada lamento antes de expressá-lo.

Por fim, anote que é muito importante reservar um tempo diário para conhecer-se melhor, para aliviar as tensões, para registar num caderno aquilo que lhe passa pela cabeça e, aos poucos, verá que vai encontrando alternativas a esse estado de queixume constante e que em nada o ajuda a viver melhor e mais feliz.

Em qualquer momento, pode ler um bom livro sobre o assunto e procurar apoio psicológico especializado, pois, em muitos casos, não é fácil mudar um hábito enraizado há muitos anos, mas querer é sempre poder e, com força de vontade e as pessoas certas, conseguirá.