Ambiente

Reconduzida equipa que gere centro de Lince-Ibérico, em Silves

Foto - Depositphotos  
A equipa que gere o centro de reprodução do Lince-Ibérico, em Silves, vai manter-se em funções mais 14 meses, depois de o anúncio da sua substituição ter sido objeto de pedidos de esclarecimento parlamentar.

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Em comunicado, na sexta-feira à noite, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) anunciou que foi adjudicada “uma aquisição de serviços à atual empresa gestora do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI)” para promover os projetos de gestão do complexo de treino e recuperação dos animais e do programa de conservação e reintrodução da espécie em Portugal.

Há duas semanas, o Livre apresentou um requerimento a questionar a substituição anunciada da equipa em junho, dizendo que o processo deve ser "transparente" e contestando a decisão do ICNF de gerir diretamente o projeto, sem renovar o contrato com os atuais responsáveis, uma equipa que integra 14 veterinários e que gere o centro há 16 anos.

Confrontada pelos jornalistas no dia 13 de maio, a ministra do Ambiente, Graça Carvalho, disse que a decisão do ICNF de passar a gerir diretamente o CNRLI coube à "gestão interna" da instituição.

"Não foi uma interferência minha, o ICNF tem autonomia e eu respeito muito, num regime democrático, as autonomias das instituições. Tomou essa decisão e informou-me de que o ia fazer e, portanto, é uma gestão interna", disse Maria da Graça Carvalho.

Sobre a substituição, o coordenador do centro, Rodrigo Serra, disse à Lusa que a transição de equipas deveria demorar pelo menos um ano, porque o calendário de trabalho com o lince ibérico é de 12 meses e "o treino de uma equipa não se faz em três semanas".

Rodrigo Serra acrescentou que, com este processo acelerado de substituição, os animais e técnicos incorrem em riscos.

"Há informação que se vai perder", lamentou, afirmando que os responsáveis do lado de Espanha também "estão preocupados" com o que vai acontecer.

Também a equipa técnica do CNRLI manifestou em comunicado "profunda preocupação" sobre a forma e o calendário previstos para a transição, considerando que é precisa uma transição técnica, legal e operacionalmente segura, "devidamente articulada com os parceiros ibéricos envolvidos no programa de conservação do lince-ibérico nos últimos 16 anos, com sucesso comprovado".

No comunicado de sexta-feira, o ICNF refere que o novo contrato “terá uma duração de 14 meses e permitirá assegurar a continuidade das operações num período considerado particularmente relevante para o bem-estar e acompanhamento das crias que venham a nascer em 2027, até atingirem uma fase de maior autonomia”.

“Nesta contratação está adicionalmente incluída a elaboração de uma proposta de modelo de gestão do Centro”, refere ainda o ICNF, sem contudo explicar o que isso implica e sem esclarecer se esta renovação corresponde a um período de transição para passar o controlo do projeto para a instituição pública.

“O CNRLI é parte de uma estratégia ibérica de conservação do Lince-ibérico, desenvolvida ao longo de décadas, em estreita articulação com parceiros científicos, institucionais e internacionais, liderada em Portugal pelo ICNF”, num “trabalho conjunto” que “permitiu alcançar resultados históricos para a recuperação da espécie, hoje reconhecidos internacionalmente como um caso exemplar de sucesso em conservação da natureza”, pode ainda ler-se no documento.