Num artigo de opinião enviado ao Algarve Primeiro, Patrícia Gabriel refere que a recuperação após o exercício é uma etapa fundamental para a adaptação ao treino. Para além do descanso, a alimentação influencia diretamente a reparação muscular, a reposição de energia e a redução da fadiga.
Para a nutricionista das Farmácias Holon, a fadiga muscular manifesta-se pela diminuição da força e pela dificuldade em manter o esforço. Durante o exercício intenso, ocorrem microlesões nas fibras musculares, redução das reservas de glicogénio (a principal fonte de energia do músculo) e aumento do stresse oxidativo. A resposta inflamatória que se segue pode traduzir-se em dor e rigidez muscular nos dias seguintes.
Uma alimentação adequada pode ajudar a acelerar este processo e a otimizar a recuperação, através da aplicação dos 3 R’s da recuperação: Reparar, Repor e Reidratar, sublinha a especialista deixando estas dicas essenciais:
• Reparar: implica garantir proteína de qualidade para apoiar a reparação e reconstrução das fibras musculares. Ovos, leite, iogurte grego, skyr, queijo fresco magro, peito de frango, peixe e outras carnes magras. Em algumas situações, os suplementos de proteína whey podem ser utilizados como estratégia prática no pós-treino, especialmente quando não é possível realizar uma refeição completa;
• Repor: significa restaurar as reservas de glicogénio utilizadas durante o exercício. Para isso, os hidratos de carbono são fundamentais. Arroz, massa, batata, pão, aveia e fruta são opções práticas e eficazes. Quando combinados com proteína, favorecem uma recuperação mais rápida e eficiente;
• Reidratar: é igualmente essencial. A perda de líquidos e eletrólitos pelo suor pode comprometer a função muscular e atrasar a recuperação. Água, bebidas isotónicas em treinos mais prolongados, fruta rica em potássio e lacticínios podem ajudar a repor líquidos e minerais importantes.
Para além dos 3 R’s da recuperação, alguns compostos bioativos podem também desempenhar um papel interessante no apoio nutricional à recuperação muscular:
• Os nitratos presentes na beterraba, rúcula e espinafres podem favorecer o fluxo sanguíneo e a oxigenação muscular;
• Os antioxidantes, encontrados em alimentos como frutos vermelhos, kiwi, citrinos, tomate e vegetais de folha verde, ajudam a modular o stresse oxidativo associado ao exercício;
• Ácidos gordos ómega-3, disponíveis em peixes gordos como sardinha, cavala e salmão, podem contribuir para a modulação da inflamação e apoiar a recuperação muscular, recomenda Patrícia Gabriel.
Na prática, boas opções após o treino incluem banana com iogurte proteico, smoothie de frutos vermelhos com whey, iogurte baixo em gordura com fruta e frutos secos ou granola, ou pão com frango, queijo magro ou ovo.
Mais do que um alimento isolado, a recuperação muscular depende de uma alimentação equilibrada ao longo do dia, ajustada ao tipo de treino, intensidade, objetivo e tolerância individual. Comer bem também é recuperar melhor, destaca a nutricionista no mesmo artigo.