Iniciado em 2019, o projeto coordenado pelo Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) permitiu já plantar 580 mil árvores autóctones, numa área de 1.850 hectares da serra de Monchique, no distrito de Faro, financiado através da iniciativa de compensação das emissões de carbono da companhia de aviação britânica Ryanair.
“Apoiámos mais de 80 proprietários e já plantámos 580 mil árvores, estando neste momento a caminho das 600 mil em fevereiro próximo”, afirmou Miguel Jerónimo, coordenador do projeto do GEOTA.
Em declarações aos jornalistas no final da conferência de imprensa de apresentação de mais uma fase do projeto, em Monchique, o responsável salientou que o Renature Monchique “vai além da recuperação ambiental” após o incêndio, assumindo-se também “como um projeto de regeneração social e económica, num território onde a propriedade é maioritariamente privada”.
“Quando temos estes incêndios, são pessoas de carne e osso que são afetadas, e é preciso fazer diferente para evitar, no futuro, incêndios com 27 mil hectares ardidos”, referiu, apontando a continuidade do trabalho como fator determinante para regenerar a floresta.
Segundo Miguel Jerónimo, o projeto não é desenvolvido de forma isolada, contando com parceiros como a Câmara de Monchique, a Região de Turismo do Algarve e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
“O financiamento da Ryanair já vai em 2,2 milhões de euros, o que é significativo, e o nosso objetivo é continuar. Os processos de regeneração destas áreas ardidas são intervenções na escala dos 20 anos e, portanto, esperamos continuar por mais anos” com este restauro ecológico, notou.
A iniciativa passa por proteger o ecossistema com as espécies autóctones e compatibilizar essa aposta com as atividades económicas locais ligadas à serra, "proporcionando às populações a sua rentabilidade", destacou.
Por seu turno, o presidente da Câmara de Monchique, Paulo Alves, destacou a importância do projeto “que tem já uma marca no concelho, pela sua expansão territorial, pelo apoio aos proprietários e pela intervenção em terrenos abandonados que não têm valor”.
Segundo o autarca, a reflorestação com espécies autóctones, como o carvalho de Monchique e o medronheiro, “representam uma mais-valia para os proprietários”, sendo o medronheiro uma árvore que dá frutos e um rendimento a curto prazo”.
Já o presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), André Gomes, apontou a “importância do projeto que tem uma preocupação em recuperar a ecologia do território, numa lógica de proximidade com os proprietários”.
“É um excelente exemplo de que, de facto, é possível trabalharmos em conjunto, parceiros públicos, privados, entidades regionais, municípios e empresas […] numa ação de regeneração do nosso território, tão importante naquilo que é o trabalho que fazemos ao nível do Turismo do Algarve, do ponto de vista da diversificação da oferta dos segmentos turísticos, demonstrando cada vez mais que o Algarve, de facto, é um destino todo o ano”, concluiu.