A empreitada, que tem como objetivo conter a erosão costeira agravada nos últimos anos, foi formalizada no passado sábado, com a assinatura do contrato pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que se deslocou ao local para assinalar o início do projeto.
Após a última grande intervenção realizada em 2010/2011, os trabalhos agora previstos irão abranger cerca de 6,7 quilómetros de costa, visando a mitigação da erosão das arribas arenosas e o reforço da proteção da linha de costa. De acordo com um comunicado do Município de Loulé, serão depositados aproximadamente 1,4 milhões de metros cúbicos de areia, o que permitirá um avanço médio do areal na ordem dos 40 metros.
Segundo o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado, esta operação representa um reforço significativo face ao padrão habitual. “Regra geral, a cada 10 anos são colocados cerca de um milhão de metros cúbicos de areia, mas este ano aumentámos para 1,4 milhões, o que nos dará cerca de uma década de maior estabilidade e tranquilidade no combate à erosão”, afirmou.
O investimento é financiado pelo Programa Sustentável 2030 e deverá estar concluído antes do início da época balnear. O responsável da APA afastou a possibilidade de atrasos, explicando que parte do calendário será dedicada à instalação do estaleiro e aos trabalhos preparatórios, sendo que a fase de enchimento propriamente dita terá uma duração estimada de dois meses, recorrendo a uma draga de alta performance.
A ministra do Ambiente e Energia destacou a importância estratégica da obra para o Algarve, sublinhando a necessidade de acelerar a execução de projetos estruturantes. “Esta é uma costa muito sensível e este foi um ano particularmente difícil. O lema deste Ministério é executar obra. Há projetos que se arrastaram durante demasiado tempo e é fundamental resolver os problemas. Esta zona tem praias de grande valor e é dever do Governo garantir a sua proteção”, declarou, adiantando que o construtor assegurou condições para avançar assim que as condições meteorológicas o permitam.
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Maria da Graça Carvalho revelou ainda que deverá avançar, “muito em breve”, uma intervenção complementar nos esporões, para a qual já existe projeto aprovado e autorização ambiental. Esta medida permitirá atenuar o impacto da ondulação e reforçar a proteção da linha costeira.
Tanto a realimentação artificial das praias como a intervenção nos esporões, bem como os respetivos estudos arqueológicos, foram precedidos de um Estudo de Impacto Ambiental elaborado pelo Município de Loulé, integrando uma estratégia mais abrangente de defesa do litoral algarvio.
O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, salientou a importância do planeamento a médio e longo prazo. “Estamos a trabalhar com um horizonte de cerca de 10 anos, embora tudo dependa das condições naturais e das intempéries. Estaremos atentos e o Ministério contará com todo o apoio da Câmara Municipal de Loulé para futuras intervenções”, afirmou, destacando o bom entendimento institucional e a cooperação com o Governo.