Comportamentos
Sabe estabelecer os seus limites? Este artigo pode ajudá-lo/a
Muitas pessoas lamentam o facto de serem invadidas na sua privacidade «com profundas faltas de respeito» por parte de colegas, familiares e amigos, mas não se apercebem que o problema está em si mesmas.

Cabe a cada um de nós aprender a definir o seu espaço, a sua privacidade e o tempo em que os outros podem entrar na nossa vida. Para facilitar a tarefa, resumimos os principais pontos que o podem ajudar a dizer mais vezes “não” aos outros e “sim” a si mesmo e à sua vida.
 
É verdade que, há pessoas que insistem, que ofendem para terem o que pretendem, que fazem chantagem e daí por diante, mas, com treino, qualquer um de nós será capaz de resistir a essa pressão. Para tudo é preciso aprender a estabelecer os seus limites e não ter medo de deixar de ser “o bonzinho” ou “a boazinha” a quem todos recorrem para pedir um conselho, para solicitar ajuda, muitas vezes fora de horas e de contexto. Com estas dicas, certamente que se vai sentir mais forte numa tarefa acessível a todos: zelar pelo seu bem-estar e privacidade.
 
O primeiro passo é assumir responsabilidades e entender que, a partir do momento em que toma uma posição, deixa de ser vítima e deve estar pronto para encarar de frente os seus problemas. Quer isto dizer que, o comportamento passivo, comum entre pessoas que sofrem com a falta de limites alheios, «precisa de ser abandonado para que se possa iniciar uma avaliação interior», apontam os especialistas na matéria.
 
De seguida, é fundamental que responda honestamente a quatro perguntas, fazendo um balanço dos prós e dos contras de cada questão proposta:
 
1- Dentro desta dinâmica de abuso, qual a dimensão da sua culpa e qual a margem que pode ser depositada nos outros?
 
2- Quais os resultados que esperava ter neste trabalho/relacionamento? E o que realmente conquistou?
 
3- Qual é o custo deste trabalho/relacionamento para si?(Emocionalmente, fisicamente, intelectualmente, materialmente, espiritualmente)
 
4- Até que ponto sente medo de perder essa situação que está a viver? E quais são os seus verdadeiros receios?
 
É imperioso ter em conta que, quanto melhor entender a situação e aquilo que realmente sente, mais estará preparado para avançar para o passo seguinte que é mesmo colocar limites nos outros. Saiba que simples trocas de palavras e uma tomada de posição, já fazem uma grande diferença no processo, pelo que deverá seguir um passo de cada vez e, à medida em que se vai sentindo mais seguro, poderá exigir mais de si.
 
Pequenos truques passam por dizer mais vezes “eu não quero”, em vez de dizer “não posso”. Pratique também o “eu não gostaria de fazer isso ou aquilo”, em vez de arranjar desculpas para evitar as pessoas e as situações que não o agradam.
 
Use frases mais imperativas, onde utilize mais vezes o “Eu”, já que essa é uma forma de se assumir tal como é e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para mostrar aos outros que está convicto da sua posição e decisão. Ao abandonar o traço da vítima, naturalmente que lhe será muito mais fácil mostrar essa assertividade a si mesmo e aos demais, o que também vai colocando limites naqueles que julgavam que nunca se conseguiria afirmar e que estaria sempre disponível para os servir. Perceba o conjunto de vantagens em alterar uma frase e uma resposta a um convite que não se quer aceitar.
 
Por fim, fique mais atento a tudo o que acontece ao seu redor e ouça os seus próprios sentimentos. O comportamento ajuda a identificar os sinais iniciais de uma possível falta de limites e, quando se consegue  antecipar aos factos, consegue dominar melhor a situação, saindo assim do ciclo de abusos, completam muitos entendidos na matéria.
 
Fátima Fernandes