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Saiba como o perdão nos ajuda a seguir em frente
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Ser capaz de perdoar não traduz ter de conviver com quem nos magoou ou nos feriu, mas sim, uma forma de nos libertarmos “do peso” que essa mágoa acarreta para a nossa qualidade de vida.
 
Em primeiro lugar, temos de aprender a perdoarmo-nos a nós mesmos, a aceitar que falhamos, que nos enganamos, que erramos para depois podermos fazer esse mesmo exercício com os outros. Se pensarmos que a nossa paz deve estar acima de tudo, vamos dar o nosso melhor na tentativa de nos perdoarmos, de aceitarmos que temos limites e que não sabemos tudo, muito menos da forma como gostaríamos.
 
Depois, é preciso que sejamos menos exigentes para connosco próprios. Aceitar que cada pessoa tem o seu ritmo e que não pode ser julgada por isso, também nos ajuda a diminuir as culpas, ao mesmo tempo que nos prepara para que nos aceitemos muito melhor e que nos saibamos respeitar e exigir esse mesmo grau de respeito por parte dos outros.
 
Não ter medo de pensar em tudo aquilo que nos incomoda. Se temos um problema com alguém, não devemos ter medo de seguir esse pensamento até ao fim e de procurarmos uma solução para o mesmo. Libertar o pensamento ajuda-nos a libertar também a criatividade para que possamos encontrar saídas para os nossos impasses. Tentar perceber a razão pela qual reagimos de uma determinada forma e o que poderia ter levado o outro a fazê-lo também. Fazer este processo em total liberdade, vai seguramente permitir-nos chegar a algumas conclusões importantes e, a partir daí, seguimos em frente porque já colocamos a pessoa em causa no seu devido lugar.
 
Evitar “ruminar” um problema. Perceber que a nossa paz interior e bem-estar e o mais importante de tudo, por isso devemos dedicar o tempo necessário até conseguir encontrar a nossa resposta, mas sempre tendo em vista que vamos ter de encontrar uma solução para o problema. É desta forma que vamos evitar ruminar o assunto, pois a partir do momento em que encontramos uma solução, deixamos de ter um problema e passamos a ter uma realidade para aceitar.
 
Se uma pessoa nos magoa constantemente, fará sentido manter uma relação com ela? Se alguém nos diminui e ofende, se não nos respeita, fará algum sentido conviver com essa pessoa? É bom que saibamos abrir a nossa mente de forma a que possamos encontrar a pergunta e a resposta. Se chegamos à óbvia conclusão de que não devemos conviver com quem nos trata mal, podemos sempre argumentar para nós mesmos que isso não é forma de relação humana, que essa pessoa está muito atrás do nosso tempo e da nossa forma de encarar a vida, pois assim, perdoamo-la, mas não a queremos junto de nós. Encontramos um argumento concreto para nos afastarmos dessa pessoa e isso liberta-nos.
 
É de realçar que, perdoar é conseguir livrar-se das correntes que o sentimento de mágoa impõe, afinal, viver com uma raiva inesgotável é o mesmo que estar aprisionado. Isso vale tanto em relação ao outro quanto a nós mesmos.
 
A melhor forma de nos aceitarmos e perdoarmos ao mesmo tempo, é assumir que, ao longo do nosso percurso vamos falhar, e, se soubermos gerir a situação, teremos igualmente muitas oportunidades para corrigir os nossos erros e encontrar alternativas para os nossos problemas e aceitar novos desafios.
 
Para facilitar a tarefa e para que aprenda a perdoar e a libertar-se de pesos desnecessários, deixamos-lhe estas 4 dicas que podem facilitar a tarefa em momentos difíceis:
 
1. O que aconteceu não será apagado
 
As vítimas não se esquecem, e nem precisam de se esquecer dos seus traumas. No entanto, podem aprender a perdoar e a viver com isso, sem serem atormentadas. Um filho que é agredido jamais se vai esquecer, mas pode compreender que os pais sofriam de algum tipo de transtorno, que tiveram uma educação difícil e que não conseguiram fazer melhor. O filho não será capaz de conviver com os pais, mas não irá carregar o peso da mágoa pela vida fora.
 
Ao agir assim, não significa que a intensidade do que aconteceu diminuiu algo muito negativo continua sendo muito mau mas, representa a aceitação do facto que fez parte da história e ficou no passado.
 
2. Perdoar é um processo
 
Em relação ao perdão, cada pessoa leva o seu próprio tempo. Não é preciso imediatamente, voltar a agir da mesma forma com a outra pessoa.
 
Talvez, neste momento, não esteja preparado para perdoar completamente, mas pode trabalhar para conseguir fazer isso. Pense numa escala de 0 a 10, onde 10 é o patamar máximo de harmonia. Com o passar dos dias, a relação pode subir alguns pontos nessa régua, mesmo que nunca atinja o extremo.
 
3. Não é necessário que a outra pessoa aceite a sua oferta
 
Perdoar não é um sinal de fraqueza ou de ingenuidade. Ao contrário, fazer isso coloca-o numa posição de superioridade, imbuído do poder de limpar a alma de quem lhe fez algum mal.
 
Não é preciso esperar que essa pessoa reconheça o erro e mostrar arrependimento, o perdão pode ser libertado sozinho, para o seu próprio benefício.
 
4. Praticar o perdão é um ato de amor-próprio
 
As pessoas que são capazes de perdoar as outras, merecendo ou não, vivem melhor, já que não aceitam continuar na condição de vítimas. Com sabedoria, a raiva é substituída pela compaixão (uma pessoa que faz isto a alguém, também não merece a minha atenção, perdoo, mas não a quero perto de mim…)
 
Ao aceitar a condição incompleta do homem (inclusive a própria) e as vantagens de passar por cima dos conflitos, um ato de amor-próprio é praticado. Quem é capaz disso, quer viver livre e intensamente.
 
Aos poucos, a imagem do que nos fizeram vai-se afastando de nós, dos nossos pensamentos e vamos acabar por encontrar a nossa qualidade de vida e bem-estar com outras pessoas. Não é um processo simples, mas é muito eficaz!
 
Fátima Fernandes
 
 
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