Os principais ingredientes são a autoconfiança, o autoconhecimento, a comunicação e a disponibilidade para aprender, para ouvir o outro e para respeitar o que sentimos por nós e por quem amamos.
De acordo com os terapeutas de casal, quando nos conhecemos bem, aceitamos quem somos, disponibilizamo-nos para melhorar habilidades, admitir e expressar emoções, tornando-nos empáticos e com uma maior gestão e controle emocional.
Para isso, em primeiro lugar, temos de aprender a comunicar com o nosso “eu” interior, ouvir o que sentimos, admitir pensamentos para que os possamos entender e ajustar-nos da melhor maneira. A partir dessa base consciente de quem somos, tornamo-nos mais autênticos, honestos e realistas, pontos chave para que melhor saibamos com quem gostamos de estar, seja na intimidade, seja nas demais relações interpessoais. Tudo parte de nós e vem para dentro de nós, afirmam os especialistas nesta matéria.
Damos aos outros aquilo que somos e que temos, pelo que, quanto melhor nos sentirmos, mais facilmente construiremos relações positivas com os outros e desenvolveremos uma relação sólida e duradoura, replicam.
Mark Travers, psicólogo e colaborador na revista Forbes adianta que, uma boa forma de desenvolvermos uma melhor comunicação é através da educação emocional, uma vez que, esta permite que sejamos mais conscientes, mais empáticos, confiantes e à altura de procurarmos alguém com quem estabelecer uma relação íntima de qualidade e com longevidade.
Um novo estudo, publicado no Journal of Couple & Relationship Therapy, analisou dados de 1,4 mil participantes solteiros num programa de educação para relacionamentos. A pesquisa revelou que aqueles que estavam menos satisfeitos nos seus relacionamentos anteriores tiveram as maiores melhorias nas habilidades relacionais, após concluírem o curso. No entanto, as mudanças só acontecem quando a pessoa reconhece a necessidade de mudar, regista o psicólogo.
De acordo com os investigadores, o simples ato de perceber que é preciso mudar parece abrir caminho para criar hábitos mais saudáveis nos relacionamentos.
Essa mudança de mentalidade teve melhores resultados entre solteiros que nunca se divorciaram. Os participantes demonstraram uma ligação mais forte entre a insatisfação que viveram num relacionamento passado e a motivação para mudar.
Por outro lado, os participantes divorciados mostraram menor tendência a sentir que precisavam mudar, possivelmente porque já tinham feito esse esforço antes do curso de educação para relacionamentos ou porque eram mais propensos a culpar o ex-parceiro.
Os cientistas concluíram então que, «é essencial trabalharmos constantemente quem somos para nos comunicarmos melhor com os nossos parceiros e resolvermos conflitos de forma eficaz». Mesmo que a pessoa não consiga mudar tudo de uma vez, porque isso não é possível, só que mostre disponibilidade e vontade para ir modificando o que não está bem, que converse, desabafe e que queira melhorar, «já transmite um sinal muito positivo à pessoa que está ao seu lado». Quem não o faz, revela pouco interesse na relação, dificuldades em aceitar-se, em admitir falhas e acaba por não alterar nada, o que pouco beneficia o relacionamento, constataram os especialistas em terapia de casal.
É importante também ter em conta que, não serve de nada querer mudar alguém, pois na maioria das vezes, essa tentativa é mal encarada pelo outro e ainda surte resultados piores. «O Ideal é que cada um dos parceiros sinta essa necessidade de se ajustar à vida em conjunto, que faça cedências, que conversem acerca das diferenças, que as respeitem e aceitem, pois só a partir daí, é que cada um sentirá necessidade de modificar o que não está bem e o que pode prejudicar a convivência a dois», recomendam.
Os entendidos nesta matéria registam ainda que, muitas pessoas não mudam porque aprenderam a atribuir as culpas do que lhes acontece aos outros e, na parceria amorosa, isso não éexceção. Tudo o que está menos bem nunca é da sua responsabilidade, mas sim, do parceiro ou da companheira.
Este tipo de pessoa só muda quando altera esta condição e coloca-se em pé de igualdade no que se passa diariamente na vida de casal.
A chave é: quando acontece alguma coisa, perguntar-nos onde falhamos e onde podemos melhorar, o que podemos fazer para alterar a situação e como é que a pessoa que está ao seu lado está a lidar com o ocorrido para que, juntos possam encontrar uma solução.
A verdade é que, «não temos de culpabilizar-nos por tudo o que nos acontece, mas sim, responsabilizar-nos pelas nossas ações e retirar as lições para que possamos melhorar-nos em situações futuras. Admitir que ocorreu uma falha, que também não estivemos bem, é logo o ponto de parttida para que procuremos encontrar alternativas e, é muito mais fácil. Pelo contrário, a pessoa que anda sempre à procura de culpados, desgasta-se, não resolve, arrasta o problema, causa mal-estar na relação e não evolui», explicam os terapeutas de casal.
Lembre-se de que, o ciclo de atribuição de culpas, desgasta a relação, arruína os sentimentos, é pouco gratificante e não nos ajuda a crescer interiormente, nem a transmitir essa confiança a quem divide a vida connosco.
Mark Travers, num artigo da Forbes explica que, «o primeiro passo para construir um relacionamento satisfatório é assumir a responsabilidade pelas suas ações. A partir daí, será mais fácil reconhecer os seus erros e alcançar mudanças, em vez de simplesmente desistir».
À medida em que percebemos que somos parte da nossa vida e responsáveis pelas nossas ações, entendemos que as coisas não são produto da má sorte ou do destino, mas que todos temos uma palavra a dizer sobre o que se passa, mesmo que nem tudo seja inteiramente da nossa responsabilidade, mas diz-nos respeito, logo temos de reagir. A partir daí, conversar com quem amamos é a chave para que se encontrem ideias para modificar algo, seja dentro de nós mesmos, seja no seio da relação. Tornamo-nos mais livres, honestos, autênticos, confiantes e com vontade de mudar. Pensar é a chave infalível do processo, conversar é o meio e mudar é a orientação que se vai repetindo infinitamente para construir uma relação estável e duradoura.
Ao fim de algum tempo, o casal ganha mais maturidade em conjunto, ultrapassa os obstáculos, encontra soluções para os problemas e constrói um vínculo estável, gratificante e resistente ao exterior. Com essa base, acrescentam-se as emoções, o prazer de desfrutar momentos em conjunto, construir uma vida satisfatória, criativa e com muitas mais vivências positivas.