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Sente-se mais atraído pela inteligência de uma pessoa do que pelo aspeto físico?
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Muito mais do que uma orientação sexual, a sapiossexualidade é uma moda que tem vindo a ganhar expressão nos sites de encontros amorosos em que surge a opção para que o utilizador se enquadre num perfil para escolher uma parceria compatível.
 
O sapiossexual define-se neste contexto, como alguém que prefere uma pessoa pela sua inteligência em vez de optar pelo seu aspeto físico. Este tipo de pessoas diz não ter paciência para “aturar gente burra” e que só querem estar com alguém com quem possam partilhar gostos, interesses, opiniões e conversas agradáveis, o que não é de admirar tratando-se de uma rede social na internet em que o contacto físico não é a base dos encontros.
 
Ao mesmo tempo, este grupo de pessoas não tem dúvidas de que, estando numa era em que se modificam as fotos, em que se tenta só mostrar o melhor que se tem, a aparência seja desvalorizada em detrimento daquilo que as pessoas dizem e pensam, pois é isso que escrevem.
 
De que serve estar atraído por uma pessoa com bom aspeto se depois não fala em conformidade ou não está em sintonia comigo? Como posso alimentar uma conversa se a outra pessoa não fala a mesma linguagem? Estas são algumas das questões que suportam a opção dos sapiossexuais.
 
O termo começou a ser utilizado com mais frequência há cinco anos, quando a app de relacionamentos OkCupid criou uma nova opção de orientação sexual, a sapiossexualidade.
 
O termo foi ganhando expressão e, chegou a vez da Sapio, que se tornou a única aplicação que junta casais com base na sua inteligência.
 
O uso da sapiossexualidade tornou-se tão popular que, só no ano passado, o OkCupid viu um aumento de 42% no número de pessoas que usa o termo na descrição do seu perfil.
 
Segundo Debby Herbenick, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Indiana (EUA), "As pessoas que se identificam como sapiossexuais descrevem a inteligência como um fetiche ou uma perversão, outras dizem que se apaixonam pelo cérebro da outra pessoa"."Na internet, tudo o que se tem [para atrair um parceiro] são as palavras. Assim, enquanto na vida real se pode ver como a pessoa interage com os outros, online só se mostra aquilo que se escreve", observa a psicóloga, autora e orientadora sexual Liz Powell.
 
Ao Huffington Post, Kristin Tynski, CEO do Sapio, admitiu que "para muitos, definir-se como sapiossexual tornou-se [uma] afirmação contra o atual estado da cultura dos relacionamentos online e da sua superficialidade, onde a aparência é valorizada acima de tudo".
 
A título de curiosidade é interessante recuperar que a palavra foi usada, pela primeira vez, numa publicação do LiveJournal em 1998, por um utilizador conhecido como wolfieboy (rapaz lobo), e nasceu da sua frustração com a falta de palavras que se adequam às suas preferências sexuais. O termo só explodiu no início da década de 2010, por meio de quizzes online, acabando por se consolidar no léxico das apps de relacionamentos em 2014.
 
Para os especialistas, a sapiossexualidade parece retratar o desejo por um parceiro com interesses iguais, opiniões idênticas, o mesmo nível de auto conhecimento e motivação, e educação também equivalente à sua. Os sapiossexuais falam ainda de uma aversão a todas as pessoas que consideram "burras" ou com "interesses mais limitados".
 
A ciência afirma que, com base num estudo de 2018, “ainda não há evidências suficientes para sustentar ou desmascarar a sua legitimidade”.
 
O professor e investigador em sexualidade da Western Sydney University, Peter Jonason duvida que a sapiossexualidade seja uma orientação legítima porque não considera os outros fatores fundamentais na escolha de um parceiro. No entanto, independentemente de ser uma orientação ou apenas uma moda, teve uma clara utilidade para várias pessoas com dificuldade em expressar-se. Segundo os especialistas, o aparecimento do termo destaca um problema no modo como nos estamos a relacionar: estamos a confundir o desejo de estabelecer uma ligação séria e duradoura com alguém com uma nova orientação sexual.
 
Na realidade, se conjugarmos os vários aspetos que nos ligam uns aos outros, vamos perceber a importância de sermos intelectualmente compatíveis sem precisarmos de ter mais “uma opção” sexual!
 
Uma qualquer relação séria e duradoura requer interesses em comum, disponibilidade mútua e a construção de um plano de vida conjunto.
 
Fátima Fernandes
 
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