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Ser amigo de alguém é colocar-lhe limites
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Existe alguma confusão em torno das relações sociais que quero contribuir para reduzir.Muitas vezes entende-se a amizade de alguém como uma oportunidade para dizer e fazer tudo o que nos passa pela mente. Isso não é correto nem para quem o faz, nem para quem o recebe na medida em que não coloca limites na relação com o outro.
 
Ser amigo implica dar e receber, pelo que, uma relação baseada só no desabafo do outro sem que inclua uma tomada de posição e uma opinião, é um desequilíbrio relacional. Ninguém tem o direito de agarrar num telefone e de dizer a outra pessoa tudo o que lhe passa pela cabeça, muito menos agarrar no espaço de comentários de uma rede social e exprimir a sua opinião sem se colocar no lugar de quem vai receber essa informação.
 
É importante termos em conta que a amizade ou qualquer outro tipo de relação com outra pessoa implica limites, implica respeito. Precisamos de pensar antes de agir levianamente e isso traduz os nossos valores, a nossa educação e os nossos limites para com os outros. Não é por ser amigo ou por estar numa posição de inferioridade que, aquele que se julga superior se pode dar ao luxo de dizer o que lhe apetece. Temos de ser mais elaborados e cautelosos nas nossas relações com os outros para que as possamos manter.
 
Longe vão os tempos em que, um empregador, por estar numa posição de superioridade, podia dizer o que queria a um funcionário. O mesmo se passa no seio de um casal, numa amizade, numa relação profissional e daí por diante. Muitas pessoas não receberam esse sentido de oportunidade por parte dos seus educadores e acabaram por passar o seu percurso com a sensação de que podiam dizer e fazer o que queriam. Uma prova disso reflete-se nas redes sociais em que se diz o que apetece sem pensar na forma como o outro vai receber essa mensagem. Chamo a isso, falta de limites e de formação pessoal por parte de pessoas que ainda não estão preparadas para se relacionar com outrem, mas que podem e devem aprender.
 
Uma prova de afeto dos pais para com os seus filhos é fornecerem-lhes estes limites na ação para que não tenham de aprender da pior forma em termos sociais. Faz sentido dizer aos mais novos que isto ou aquilo não se faz, que temos de pensar antes de agir e que os outros merecem o nosso respeito para que nos possam devolver os mesmos valores. Com esta postura reduzimos muitos mal entendidos, muitas questões mal esclarecidas e dissabores. Basta que tenhamos bom-senso e que saibamos parar no tempo devido. Quando tal não nos foi ensinado, temos de aprender com as pessoas com quem convivemos e, os nossos amigos assumem um papel muito importante nas relações.
 
Muitas vezes são os amigos, os técnicos e os professores que nos ensinam aquilo que não aprendemos no seio familiar. São essas pessoas que nos preparam para a vida em sociedade ao nos dizerem “não faças isso que estás a aborrecer-me”. Pode parecer uma humilhação e ser mal interpretado nos primeiros minutos, mas mostra-se de elevada importância quando aprendemos com os nossos erros e assumimos uma postura mais madura e responsável pelos nossos atos.
 
Mais tarde, acabamos por agradecer aos nossos amigos, ao nosso cônjuge, ao nosso colega de secretária que nos alertou para um comportamento indevido. Penso que temos todos esta função nas relações com os outros. Todos temos a obrigação de ajudar o outro a ser melhor através da correção dos seus erros. Ninguém sabe tudo, nem os mais velhos, nem os mais novos, nem os patrões, nem os empregadores. Cada um assume a sua função num determinado momento e, se necessário, deve dizer ao outro, com educação, que aquilo não está correto ou não se faz assim.
 
Ganha quem faz, ganha quem recebe essa repreensão positiva, pois acaba por juntar ao seu lote de conhecimento algo novo, algo que pode melhorar a sua forma de se relacionar com outras pessoas. Penso que, quem se fecha em si mesmo, não se dá oportunidade nem de corrigir nem de ser corrigido, acaba por ficar estagnado na sua ignorância e por perder muitas oportunidades de vida, de experiência e de aprendizagem. Por isso, encare como bom amigo aquele que o ajuda a ser melhor pessoa, não quem o ouve desenfriadamente e não o consegue travar e fazer pensar no que está a dizer e no que realmente se passa na sua vida.
 
As pessoas espelham-se umas ás outras. Se temos maus amigos, é porque também o somos, por isso, dê o exemplo e contribua para fazer a sua amizade mais bonita e duradoura, ensinando e aprendendo.
 
Fátima Fernandes
 
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