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Ser forte não significa usar os mais fracos
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Vivemos numa sociedade em que a luta e a competição estão na ordem do dia, a ponto de se instalar a confusão nas estradas, no trânsito caótico, na luta pela ascensão no carreira, por ser o melhor do grupo, o melhor sucedido na publicação do que quer que seja e daí por diante. Parece que existe tanta falta de consciência pessoal que chegamos a acreditar que o mundo se processa a partir do nosso umbigo…
 
Será que já paramos para pensar que isso não nos torna mais fortes e poderosos?
 
A nossa força interior está contida nos nossos valores, no cumprimento das leis e das normas da sociedade, não no oposto como se vê muitas vezes e nas mais variadas situações. Penso que o ser humano se distância dos seus valores para ir dando resposta às crenças que foi acumulando ao longo do seu percurso e que nunca teve coragem para as colocar em causa, mas é precisamente aí que reside o segredo para vivermos mais livres, mais felizes e mais satisfeitos com as nossas opções.
 
Viver de consciência tranquila é muito mais do que ganhar dinheiro para fazer face às suas despesas. É ser capaz de respeitar e de ser respeitado, de aceitar e respeitar as diferenças e de se assumir tal como é, pois é a partir daí que se corrigem os erros, que se melhora a nossa postura pessoal e social e se tira partido deste valioso direito que é viver.
 
Precisamos de nos colocar nos nossos lugares e perceber que não precisamos de tanta força física para fazer face ao nosso quotidiano. Não precisamos de agredir os outros para fazer valer a nossa opinião, precisamos de ser inteligentes, estudiosos e de nos mantermos atualizados para podermos aprender a ser cada vez melhores pessoas, pois os tempos atuais mostram que não somos felizes com tanta violência e capacidade de fazer mal aos outros e a nós próprios.
 
Precisamos de aprender a não possuir, mas sim a valorizar aquilo que temos e que vamos conquistando. Precisamos de ser mais gratos com a vida e com aquilo que temos, precisamos de aprender a valorizar mais os outros que, no fundo não são assim tão diferentes de nós. Têm outra cultura, receberam outra educação, podem falar outro idioma, mas no conto geral, todos queremos ser mais descontraídos e felizes. Então porque razão ainda se anda de mocas na mão para nos defendermos dos outros quando vivemos muito mais com máquinas e com base na nossa inteligência?
 
Temos de nos perdoar a nós próprios por não termos sabido agir da melhor forma em muitas situações. Temos de superar os nossos medos para podermos ser mais pessoas e melhores amigos, maridos e esposas, pais e mães. Temos de ser mais simples, mais humanos e fazer valer os nossos valores onde quer que vamos, pois é essa distância da base cultural e humana que nos está a tornar agressivos e cada vez mais injustos.
 
O desafio desta minha reflexão assenta precisamente em permitir que o leitor e a leitora comece a parar uns minutos no final de cada dia, que aprenda a cuidar mais de si e de quem ama. Verá que, em pouco tempo, vai encontrar a sua essência, aquela que o orienta para o bem e o protege do mal. É quando nos encontramos a nós próprios que percebemos que vamos deixando passar o tempo, os melhores momentos da nossa vida, os nossos amores. Os filhos crescem, as relações acabam e, início após início, temos de parar para pensar no que estamos a fazer de errado, nem que isso implique uma mudança de grupo, de classe, seja do que for. Temos de colocar o que somos, gostamos, valorizamos e queremos acima daquilo que a sociedade vai fazendo de nós. Sem nos darmos conta estamos cada vez mais próximos do homem primitivo que desconhecia como é que as pessoas se podem relacionar bem umas com as outras. Lidamos em piloto-automático, sempre a afastar-nos do que somos e sentimos e a culpabilizar os outros, a sociedade, o universo por tudo o que nos acontece ou não acontece, quando grande parte dessa responsabilidade é nossa, só nossa.
 
A partir do momento em que adquirimos a nossa autonomia, temos de aprender a aplicar os nossos valores e alterar aquilo que herdamos da nossa educação caso seja necessário. É daí que resulta o maior ou o menor sucesso que temos na vida: a nossa capacidade de evoluirmos e de sermos melhores, de termos melhores exemplos do que aqueles que recebemos no berço. Quase sempre é preciso atualizar a forma de estar e de pensar, mas os valores e as regras de uma cultura deverão permanecer como garante da nossa estabilidade e segurança.
 
Se repararmos, está tudo dentro de nós. É no nosso “eu interior” que vamos encontrar tudo o que precisamos, seja para manter, melhorar ou aprender, então só temos de ser humildes, colocar em causa as crenças que nos impedem de crescer, de pensar e de sermos mais livres e agir. Agir de forma ponderada e adequada à nossa idade, agir de forma consciente como alguém que é capaz de utilizar os muitos recursos que tem ao seu dispor. Tendo tudo dentro de nós, só temos de identificar e aprender a utilizar da melhor forma. É isso que a natureza espera de nós: que saibamos dar utilidade áquilo que recebemos no nosso direito à vida. Para isso, é preciso olharmos para nós próprios em vez de andar à procura do mesmo fora de nós e, perceber que, não é utilizando e fazendo mal aos outros que vamos encontrar aquilo que só existe dentro de cada pessoa, por isso é perda de tempo andar a discutir diferenças, a medir forças, a competir de forma inútil. Cada pessoa deve ocupar-se com o que possui, tirar o máximo partido possível a aprender a relacionar-se com os outros. É simples, não é? Então mais vale colocar de parte todas as crenças que dizem o contrário, pois certamente que já percebeu que não dão bom resultado e… boa sorte!
 
Fátima Fernandes
 
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