A título de exemplo, o sindicato refere que, em Santarém e em várias localidades algarvias, estes profissionais têm sido obrigados a desempenhar funções em ambientes que não garantem o mínimo de conforto térmico, sem que as entidades competentes tenham assegurado a reparação dos equipamentos avariados.
No Algarve, o STI afirma que o problema assume uma "dimensão preocupante" em Albufeira, Faro, Lagoa, Portimão, Silves, Tavira e Vila do Bispo, onde os equipamentos se encontram "totalmente avariados". Já em Aljezur, Loulé 2 e Vila Real de Santo António, os sistemas funcionam com anomalias, "um cenário de falhas sistemáticas que afeta todo o distrito", lamenta.
Para o sindicato, estes não são casos isolados, "mas sim um padrão persistente de desinvestimento que coloca em causa a saúde dos trabalhadores e o próprio funcionamento dos serviços públicos". O STI responsabiliza ainda "o silêncio e a inércia das entidades responsáveis", que têm agravado, "de forma alarmante, uma situação já de si insustentável", sobretudo numa altura em que o país enfrenta sucessivas ondas de calor extremo.
Acrescenta que os trabalhadores dos Serviços de Finanças estão expostos a temperaturas que ultrapassam "claramente os limites aceitáveis para o exercício das suas funções, colocando em risco a sua saúde e segurança".
O STI diz ter interpelado a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), solicitando a realização de ações inspetivas urgentes em diversos Serviços de Finanças por todo o país. Em vários destes locais, "a gravidade e a reincidência dos problemas obrigaram à realização de mais do que uma ação de fiscalização", constata.
Noutros casos, "dada a premência e a gravidade da situação", o STI avançou diretamente com denúncias junto das Autoridades de Saúde. Ainda assim, alerta que a grande maioria dos problemas detetados continua por resolver, "um cenário que desgasta os trabalhadores, reduz a produtividade e, acima de tudo, coloca em causa a sua saúde".
Para o sindicato, estas denúncias revelam "uma realidade marcada pela degradação estrutural dos serviços, pelo desinvestimento contínuo nas condições de trabalho, pela ausência de mecanismos eficazes de proteção laboral e pelo incumprimento sistemático da legislação de segurança e saúde no trabalho", conclui.