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Sofre por antecipação? Este artigo pode ajudá-lo/a
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As sociedades modernas vivem a um ritmo muito acelerado que começa logo na infância. As crianças frequentam diversas atividades para além da escola, estão expostas a muita informação seja através da TV, dos jogos eletrónicos, dos smartphones, seja pelo ritmo acelerado dos seus pais no ambiente familiar.
 
A par de um dia cheio de horas de trabalho e de estímulos de todos os lados, o cérebro humano está exposto à significativa perda da qualidade de vida sobretudo devido à falta de tempo para estarmos connosco próprios, de conseguirmos contemplar a natureza e de fazermos pausas ao longo do dia para pensarmos um pouco em nós mesmos. Este ritmo leva-nos a sofrer por antecipação porque não desfrutamos do tempo presente; no fundo o único que temos, pois o passado não volta a concretizar-se e o futuro ainda não aconteceu e será sempre o prolongamento do presente. Se vivemos num ritmo acelerado no presente, é assim que será o dia seguinte e o outro e daí por diante. Como consequências, apercebemo-nos de que estamos sempre numa corrida contra o tempo e sofremos da Síndrome do Pensamento Acelerado que vai surgindo cada vez mais nas descrições de especialistas.
 
Segundo o psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury, a única forma de conseguirmos inverter esta situação é através de um “choque de lucidez” que temos de dar diariamente aos nossos pensamentos. Usando a técnica do “DCD”, - duvidar dos nossos pensamentos, criticá-los e determinar fazer de outra forma, será o caminho para não nos deixarmos levar pelo autofluxo de informação.
 
O mesmo especialista sugere que ensinemos os nossos filhos, ao mesmo tempo em que estamos também a aprender um novo estilo de vida, a conseguir parar. Reservar uns momentos para pensar, aprendermos a pensar antes de reagir, sermos capazes de nos colocar no lugar dos outros e duvidar dos nossos próprios pensamentos, já que eles são o reflexo de tudo o que o nosso registo automático da memória acumula. Muitas vezes pensamos naquilo que ouvimos e captamos daqui e dali, sem tomarmos uma posição individual sobre os assuntos e, é aí que é importante dar um choque de lucidez e tornar o “eu” um autor da sua própria história.
 
Quer isto dizer que temos de deixar de ser “marionetas” do sistema e resgatarmos o nosso eu para que seja ele a decidir, a tomar uma posição e a escolher o caminho que quer seguir. Neste contexto, torna-se muito importante aprender a dizer “não”, para podermos fazer opções mais livres, criativas e conscientes.
 
Ser capaz de conversar longamente com os nossos filhos, com o nosso parceiro ou parceira são as ferramentas mais básicas e mais produtivas que temos ao nosso dispor. Falar sobre os nossos sentimentos, contar aos mais novos as nossas histórias de vida, as nossas dificuldades, os nossos sucessos, as nossas tentativas e erros, mas também o que fizemos para inverter a situação, são importantes pontos de partida para “desacelerar”, para deixarmos de andar sempre à procura de uma nova resposta, de uma novo estímulo, de mais uma progressão na carreira, de mais uma atividade para os nossos filhos. Temos de parar para pensar, para conversar entre casais, entre pais e filhos e dar novos contornos ao nosso tempo. Reduzir o tempo de exposição aos ecrãs e não acreditar em tudo o que ouvimos, sob pena de não conseguirmos tomar as nossas decisões, é também um aspeto fundamental para ter em conta e para evitar sofrer por antecipação.
 
Sofremos antes que as coisas aconteçam precisamente porque estamos sempre a receber novos conteúdos e, a partir daí, deixamos de saber quem somos e onde nos podemos posicionar naquilo que ouvimos e vemos. Temos de ter a nossa própria responsabilidade e determinação. Saber o que se passa no mundo à nossa volta, mas ter coragem para fazer as coisas de forma diferente. Ter coragem para educar os nossos filhos de acordo com os nossos valores e a nossa forma de estar na vida. Ter tempo para desfrutar de parques naturais, infantis e de diversões, ter tempo para o contacto com a natureza, ter prazer na contemplação, dispor de momentos para conversar diariamente, para dar apoio na escola e nas suas dúvidas. Não temos de fazer dos nossos filhos aquilo que sabemos que está errado, pelo contrário, temos a obrigação e a responsabilidade de fazer algo novo e diferente, mesmo numa sociedade acelerada e sem tempo, nós temos o nosso tempo, o nosso modo de vida e o nosso estilo, o nosso amor e atenção para dar e para fazer algo novo. Temos é de ter essa base de conforto e segurança em nós próprios e deixarmos de andar perdidos num sistema que não pára para pensar, para corrigir os seus erros e para encontrar formas mais criativas para resolver os seus problemas.
 
Cada pessoa é única e especial, pelo que não tem de se comparar a outras. Pode aprender com os demais, mas deve fazer algo diferente, construir a sua vida à sua maneira e de acordo com os valores que considera mais adequados. Os filhos são o reflexo dessa força dos pais, do seu estilo, das suas qualidades, sentido de responsabilidade e capacidade de gerir a sua própria vida. Desacelarar implica dar mais qualidade ao nosso tempo e reduzir a quantidade. Temos de perceber que, não precisamos de muito para sermos felizes, precisamos de o aproveitar da melhor forma possível.
 
Fátima Fernandes
 
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