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“Sonhos podem ajudar a prever o futuro”
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De acordo com o neurocientista Sidarta Ribeiro, os sonhos podem ajudar a prever o futuro na medida em que, “o sonho simula um futuro possível com base nas lembranças do passado".
 
Há mais de 25 anos que este investigador procura compreender a realidade dos sonhos e, apresentando os resultados dos seus estudos e experiência pessoal, Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), conta em livro como chegou a algumas conclusões.
 
O neurocientista manteve o hábito de registar, em páginas de incontáveis cadernos, as lembranças que conseguia extrair das suas noites de sono , a fim de entendê-las melhor.
 
Todo esse conteúdo estudado no último quarto de século redundou no livro “O oráculo da noite — A história e a ciência do sonho”, lançado pela Companhia das Letras e que procura esclarecer até que ponto os sonhos são realmente capazes de nos ajudar a prever o futuro.
 
No seu livro, o autor traça uma história da mente humana e argumenta que, os sonhos tiveram um papel central na evolução da espécie. Para tanto, Ribeiro reuniu uma extensa — e diversa — bibliografia, em que história, religião, psicanálise, biologia molecular e neurofisiologia se complementam. O esforço reflete-se numa vasta e interessante informação ilustrada com exemplos, da experiência dos povos ameríndios até às ondas cerebrais registadas por eletroencefalografia.
 
Desta forma, Ribeiro demonstra que, anotar os sonhos num “sonhário” é o primeiro passo para entendê-los. Atormentado por pesadelos desde a infância, o neurocientista diz que aprendeu a controlá-los através de 'sonhos lúcidos', aqueles em que o sujeito deixa de ser o ator dos devaneios para se sentar na cadeira de diretor. E concluiu que a experiência onírica deve voltar a ser levada em conta por uma sociedade “que dorme mal e sonha cada vez menos”.
 
Citado pela Globo, o investigador demonstra a relação entre sonho e desejo.
 
Para este cientista, "o desejo é o motor do sonho porque é a ativação das vias dopaminérgicas de recompensa e punição durante o sono REM (fase em que os sonhos mais vividos acontecem) que dá direção ao sonho. Isto é, as imagens oníricas são concatenadas de acordo com o desejo e o seu contrário, o medo, criando de imagens independentes numa história que pode ser depois narrada e portanto re-representada para outras pessoas. Essa prática diária, tão frequente por exemplo em populações ameríndias, faz com que os sonhos se transformassem numa importante ferramenta que diagnostica os problemas enfrentados, e também numa essencial fonte de soluções.
 
Para Sidarta Ribeiro, “o sonho evolui como um ‘oráculo probabilístico’. Passando atividade elétrica nos circuitos que codificam as memórias mais fortes segundo as restrições impostas pelo desejo de recompensa e medo de punição, o sonho simula um futuro possível com base nas lembranças do passado. Na passagem do paleolítico para o neolítico e depois na Antiguidade, “esse oráculo que existe em todos os mamíferos se complexificou enormemente, alavancando a explosão cultural que nos tirou das cavernas e trouxe à internet."
 
No seu livro, o investigador realça ainda o papel dos “Sonhários”, na medida em que,
“para escrevê-los, é preciso ter pelo menos dez minuto diários logo no início da manhã e, naturalmente ter tempo para dormir!” É fundamental escrever “porque quando a pessoa está no sono REM, não consegue fixar memória. Ao acordar, há um rasgo de memória do sonho. Como a ponta de um novelo de lã. Quando seguramos essa ponta, passamos a dispor da noradrenalina, e a memória vai voltando aos poucos”. Quem faz sonhários pode escrever de cinco a dez páginas todas as manhãs, inclusive as pessoas que dizem não se recordar do que sonharam”.
 
Sidarta Ribeiro refere ainda que, o sonho lúdico é uma espécie de supersonho, em que a pessoa tem o controle do enredo e se torna no diretor da cena, não sendo um mero ator involuntário da situação. A maior parte dos sonhos comuns é composta por objetivos que a pessoa não alcança, o que é uma boa simulação da vida como ela é. Nos sonhos lúcidos, o sujeito sai dos enredos típicos e escolhe personagens, ações e locações. Ao mesmo tempo, os“sonhos lúcidos são uma disciplina do ioga tibetano e uma coisa new age da Califórnia (EUA)”.
 
Ainda à Globo, Sidarta Ribeiro aponta em que medida Freud tinha razão, quando defendia a ideia de que o sonho reflete a vigília. Isso já foi demonstrado em ratos e passarinhos, por exemplo, com a ajuda de eletrodos e ressonância magnética. É um facto, sustenta o investigador acrescentando a  ideia de que existem repressão inconsciente e supressão consciente de memória, o que também foi provado em dois artigos publicados na revista 'Science' por grupos que citam Freud na primeira linha.
 
Dormir bem, ter tempo para sonhar, ajuda-nos a resolver melhor os problemas, a viver melhor e a encontrar novos desafios para o nosso quotidiano.
 
Fátima Fernandes
 
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