O Núcleo do Algarve do SOS Racismo, fala de «uma prova do racismo estrutural e institucional», cuja denúncia foi enviada para a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação (CICDR).
O SOS Racismo relata ter conhecimento de que existe um projeto para licenciamento de uma unidade de gestão de resíduos (unidade para armazenagem, triagem, mistura e compactação de lixo urbano e de outros resíduos, incluindo resíduos perigosos) a instalar no sitio dos Matos da Picota, concelho de Loulé.
Em comunicado, acrescenta que a 15 de dezembro de 2021, foi decidido pela CCDR Algarve a necessidade de sujeitar o projeto a Estudo de Impacte Ambiental (AIA). Segundo o SOS Racismo, diante a informação recolhida pelos técnicos da CCDR, a Diretora de Serviços de Ambiente da mesma entidade, emitiu um parecer no qual refere "O novo local ... localiza-se a uma distância de pelo menos 1000m das habitações mais próximas a nordeste da pretensão".
Para a SOS Racismo, «esta afirmação não corresponde à verdade, existindo habitações, onde residem vários agregados familiares, que se localizam a cerca de 50 a 100 metros do local onde pretendem instalar a unidade de gestão de resíduos, existindo imagens no próprio processo onde aparecem essas habitações».
No documento da SOS Racismo enviado às redações, lê-se que «esses agregados familiares são constituídos, na sua maioria, por pessoas de origem africana que vivem longe da aldeia mais próxima, situada a aproximadamente um quilometro das suas casas, vivendo junto a pedreiras, sem saneamento básico público, sem estradas alcatroadas, sofrendo constantemente com o pó causado pelas pedreiras. Conjuntamente com todos estes problemas, estas pessoas são confrontadas com a possibilidade de ser instalada uma unidade de gestão de resíduos junto às suas residências, ficando com as suas vidas completamente arruinadas. E, mais uma vez, os principais sacrificados são sempre os mesmos: as pessoas racializadas».
Para os representantes do SOS Racismo, «além de um problema de saúde pública e ambiental, estamos perante um problema de racismo estrutural», repudiando que se equacione a possibilidade de licenciamento de uma unidade de gestão de resíduos junto de residências habitacionais.