Ambiente

Tartaruga devolvida ao mar pelo Zoomarine percorreu 9.203 km e já é caso de estudo internacional

Fotos - Zoomarine
Fotos - Zoomarine  
Em 2022, a tartaruga-comum Salina, reabilitada durante um ano no Porto d'Abrigo - Centro de Reabilitação de Espécies Marinhas do Zoomarine, foi devolvida ao oceano. Através de monitorização por satélite, registou-se que Salina percorreu 9.203 km desde a sua libertação, cruzando o Estreito de Gibraltar seis dias após ser solta e entrando no Mar Mediterrâneo.

PUB

A jornada da tartaruga permitiu o desenvolvimento de um estudo pioneiro, o segundo de telemetria satélite com tartarugas reabilitadas no Algarve e o primeiro a cruzar informação de tracking dados genéticos. Este estudo aprofundou o conhecimento sobre padrões migratórios e a origem populacional da espécie. Salina viajou pelo Mar de Alborão, aproximando-se das costas de Marrocos e Argélia, atravessou as Baleares, contornou a Sardenha e estabeleceu-se entre a Sicília e a Calábria.

Resgatada em junho de 2021 no rio Guadiana por pescadores, Salina estava presa em equipamento de pesca, anémica e com um anzol no estómago. 

O transmissor satélite possibilitou o registo contínuo de deslocações, padrões ambientais e interações com atividades humanas. A análise genética, realizada no momento da libertação, auxiliou na identificação da origem populacional da tartaruga. Os dados foram essenciais para o estudo "Tracking and Genetic Analysis of a Rehabilitated Loggerhead Turtle in the Mediterranean", que expandiu a compreensão sobre origens populacionais, conectividade entre regiões e fatores ambientais que influenciam a movimentação da espécie.

Apesar da perda do sinal do transmissor após 392 dias, Salina manteve padrões de comportamento consistentes. Os dados recolhidos contribuem para a investigação e conservação de tartarugas marinhas, auxiliando na identificação de áreas críticas e zonas de risco associadas à pesca.

João Neves, diretor de conservação do Zoomarine, destaca a importância do Porto d'Abrigo: "Cada animal monitorizado transforma-se numa fonte de conhecimento valiosa, capaz de orientar investigação, informar políticas públicas e melhorar a forma como protegemos espécies marinhas ameaçadas." O Porto d'Abrigo, criado em 2002, reafirma o seu compromisso com a investigação, conservação e partilha de dados para a proteção de espécies e habitats.