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Tratamos bem quem nos trata bem!
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É comum ouvir as pessoas lamentarem-se que tratam bem as pessoas, que fazem “tudo o que elas querem” e que acabam por não conseguir uma retribuição desse gesto.
 
Sem grandes rodeios, ambas as partes estão mal nessa relação porque quem trata bem, não tem autoestima suficiente para perceber que não o pode fazer “só por fazer”. Quem não retribui, sofre de algum problema com a valorização dos outros que não lhe permite ser humilde e reconhecido.
 
Naturalmente que devemos apostar no inverso para vivermos relações de qualidade: tratar bem, quem nos devolve esses sentimentos.
 
Em jeito de brincadeira costumo dizer que, quem trata bem alguém que o trata mal, é porque tem alguma “desfocagem” nos seus neurónios espelho, pois se repararmos bem no que somos enquanto pessoas, temos uma enorme capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. Se tal não acontece, é porque não estamos “nitidamente” a lidar com os outros com boas intenções.
 
Talvez seja por isso que, nem sempre percebamos a razão pela qual não é um prazer estar com algumas pessoas. É devido a essa falta de empatia e de entendimento essencial para as relações.
 
Treinamos ao longo de toda a vida a relação com os outros e, é assim que aprendemos, no entanto, temos de saber aceitar que, nem todas as pessoas estão dispostas a lidar connosco com os mesmos valores e sentimentos que lhes dedicamos.
 
Vale a pena perder tempo e energia com essa falta de sintonia?
 
É claro que todos sabemos a resposta: não! Não vale de facto a pena desperdiçarmos os nossos valores e sentimentos com quem não está disponível para receber o que temos para dar. Essa energia será muito valiosa para alguém que goste de nós e que nos devolva sentimentos positivos.
 
As pessoas que se queixam dessa falta de empatia, devem olhar para si mesmas e perceber que estão a perder tempo com causas perdidas e que, a sua autoestima as deve empurrar para relações saudáveis e de partilha mútua.
 
O que acontece é que temos medo de não ter pessoas à nossa volta e, acabamos por ceder a tudo só para ter companhia. Essa postura destrói por dentro e retira-nos boas energias e sentimentos.
 
Pelo contrário, quando assumimos que queremos relações equilibradas e em que os neurónios espelho estão a funcionar corretamente porque o outro percebe sem esforço o que lhe pretendemos dizer, porque é capaz de valorizar os nossos gestos, mesmo os mais simples e dialogar connosco de forma descontraída, então estamos no bom caminho, mesmo que, com poucas pessoas à nossa volta.
 
Não podemos gostar de toda a gente, muito menos agradar a todos. Temos sim o direito de nos relacionarmos com quem nos devolve esses bons sentimentos porque isso é que nos alimenta quem somos.
 
Se passarmos o tempo a alimentar causas perdidas e relações de maus-tratos de algum tipo, acabamos por perder a necessária esperança para viver melhor e, isso não podemos deixar acontecer.
 
Não se importe por ter menos contactos na sua agenda. Valorize simplesmente quem são os escolhidos por si porque dão provas de merecerem a sua confiança e afetos.
 
Com isto não se pretende dizer que devemos tratar mal quem não nos liga. Devemos simplesmente ignorar as pessoas que não lidam connosco de forma sincera e disponível para o que temos para dar. É simples e sem discussões ou conflitos. É olharmos para nós mesmos com valor e capacidade de valorizar quem nos enche o coração com as suas atitudes.
 
Todos temos momentos em que isso não nos parece tão fácil e evidente porque estamos muito habituados a ser maltratados emocionalmente, mas não responda aos impulsos. Pense, analise e vai voltar a encontrar este caminho de liberdade e de felicidade com quem realmente merece.
 
Fátima Fernandes
 
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