Em declarações à Lusa, o presidente do Turismo do Algarve disse que a demora no processamento da entrada de passageiros extracomunitários gera “apreensão” no setor devido aos “impactos que provocam na imagem do destino” e ao “incómodo causado a quem chega ao país, nos diferentes aeroportos nacionais”.
André Gomes salientou que o sistema utilizado tem tido, nos últimos dois anos, “sucessivos adiamentos de entrada em funcionamento” devido às dificuldades causadas nos aeroportos e é necessário que “surjam, de uma vez por todas, soluções práticas e eficazes” para este funcionar de forma rápida e eficiente.
O sistema informático “não está a funcionar corretamente, seja do ponto de vista da leitura dos passaportes, seja do ponto de vista da recolha e armazenamento dos dados biométricos” e são necessárias “melhorias efetivas” para reduzir os tempos de espera nos aeroportos, advogou.
“Durante dois anos tenho dito que tem de haver soluções para além da mera suspensão, mas neste momento, perante aquilo que é o ‘deficit’ do sistema, não vejo outra solução que não seja, efetivamente, a suspensão do sistema” até a situação estar resolvida, defendeu.
O presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), António Miguel Pina, disse que os municípios do distrito de Faro olham para a situação com “grande preocupação”, afirmando que os tempos de espera aumentam porque o sistema informático utilizado não responde com a velocidade necessária quando há um número elevado de passageiros a processar.
O também presidente da Câmara de Faro disse ser preciso explicar ao país que as dificuldades atuais não derivam da passagem do controlo nos aeroportos do Serviço de Estrangeiros e fronteiras (SEF) para a PSP, “porque os homens e mulheres empenhados são em muito maior número do que o SEF tinha anteriormente”.
António Miguel Pina argumentou que, se o SEF ainda existisse, “o problema seria muito pior” e salientou que a demora acontece porque “o sistema de controlo de passageiros foi atualizado” e passou “a incorporar nas suas bases de dados as bases de dados das diferentes polícias da União Europeia” para garantir “um controlo muito mais eficaz” no espaço Schengen.
Contudo, “o sistema informático, o ‘hardware’, o ‘software’, não responde com a rapidez que antes respondia, quando o controlo era quase um faz de conta”, apontou.
“Daí que se põe a possibilidade de solicitar ao Governo, e que o Governo solicite à União Europeia, um retrocesso na forma como se faz o controlo dos passageiros, até que o sistema informático acompanhe a velocidade que é necessária”, apelou, reconhecendo que esta situação causa um impacto negativo na imagem da região.
O presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA também encara as dificuldades sentidas pelos passageiros de fora da União Europeia com “muita preocupação”, mas opinou que, nos últimos dias, a situação “melhorou bastante, registando-se apenas um ou dois picos de grande afluência”.
Hélder Martins contou que, na quarta-feira, esteve no aeroporto de Faro e “o tempo de espera era 15 minutos”, mas reconheceu que “o mal que já foi feito” à imagem do país e do Algarve, com passageiros a terem de suportar “longas filas e longas esperas”.
“E, portanto, a nossa opinião, que transmitimos ao primeiro-ministro, ao ministro da Administração Interna e ao Secretário de Estado do Turismo é que, enquanto o sistema não estiver perfeito, nós devemos suspendê-lo até que se resolva de o problema”, propôs.