“Continuamos a acreditar que o turismo em Portugal em 2026 continuará a ter resultados positivos e, inclusive, a crescer, mas com um claro abrandamento”, afirmou a vice-presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, numa conferência de imprensa ‘online’ para apresentação dos resultados de um inquérito aos associados sobre os períodos do Carnaval e da Páscoa.
Tendo por base “o raciocínio do Banco de Portugal” (BdP) - que no boletim económico divulgado na quarta-feira reviu em baixa a previsão de crescimento da economia de 2,3% para 1,8% este ano, devido ao impacto da guerra no Médio Oriente -, a associação aponta para um abrandamento do crescimento do número de hóspedes dos 3% registados em 2025 para 2,5% em 2026, das dormidas de 2,2% para 1,7% e das receitas do alojamento turístico de 5% para 3%.
De acordo com a vice-presidente executiva da AHP, embora “no curto prazo” Portugal possa beneficiar de um desvio de destinos devido à guerra no Irão, sobretudo nos destinos de ‘resort’ – “um efeito de substituição que já se sente neste momento”, disse – este é “um sol de pouca dura”, porque “vai abrandar para todos”.
“Há um nível muito elevado de incerteza e, sem saber qual a duração do conflito, no médio/curto prazo há muitas nuvens no horizonte”, afirmou, salientando que o turismo é um setor “que vive sempre de confiança e estabilidade”.
A este propósito, a dirigente associativa destacou a importância do mercado interno, que “tem crescido muito bem e continuará a ser um mercado importante”, e fez “uma chamada de atenção” ao Governo para que “quanto maior apoio houver aos consumidores, como Espanha está a fazer, maior capacidade haverá” para gastar em turismo.
“A grande pergunta é quanto tempo vai durar isto [a guerra]”, afirmou Cristina Siza Vieira, embora convicta de que “a vontade de viajar ainda vai ser muito forte” e permitir um crescimento do turismo.
Num outro inquérito intitulado “Balanço 2025 e Perspetivas 2026”, realizado pela AHP em janeiro, antes do grande agravamento do contexto internacional e da atual crise energética, os hoteleiros atribuíam um nível de confiança de 7,4 ao desempenho do turismo nacional este ano, numa escala de um a 10.
As expectativas relativas à evolução da taxa de ocupação eram, contudo, díspares, “refletindo um cenário de incerteza”, destacando-se entre os principais desafios então identificados a capacidade aeroportuária (51%), a instabilidade económica e geopolítica (49%) e o aumento dos custos operacionais (37%).
Os hoteleiros da região do Alentejo destacavam-se como os mais confiantes quanto à evolução do setor, seguidos dos da Madeira e do Algarve.