Economia

Turismo: Outros mercados não serão suficientes para colmatar saída dos britânicos

Foi no dia 3 de junho que o secretário dos Transportes, Grant Shapps, anunciou a saída de Portugal da “lista verde” de países seguros do Reino Unido, passando a requerer de um teste negativo à covid-19, antes do embarque, e de quarentena obrigatória, por um período de 10 dias, após a chegada ao Reino Unido.

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Esta medida passou, então, a ser efetiva no dia 8 de junho. Tal decisão foi fruto da descoberta de novas variantes, bem como do aumento do número de infeções que se têm vindo a verificar, com vista a evitar a importação de mais variantes para o país inglês.
 
Com o passar das semanas, e com o desenvolvimento e propagação da variante Delta, também o Reino Unido tem visto os seus números a crescer, levando, consequentemente, a um adiamento do desconfinamento para o dia 19 de julho de 2021, antes previsto para o dia 21 de junho. É neste contexto que se torna fulcral compreender o impacto de todas estas alterações nos setores turístico e hoteleiro na região do Algarve.
 
Em conversa com o Hotel Faro, localizado na capital algarvia e com a empresa de viagens e turismo, Algarserra, compreendeu-se que a dependência face ao mercado inglês é enorme e que o receio perante o futuro económico sobre estes meses de verão é crescente. 
 
“Logo que saíram as notícias do “fecho” do Reino Unido, sentimos de imediato os cancelamentos, nas primeiras horas, após as notícias tivemos cerca de 12% de cancelamentos das reservas que tínhamos para Junho e Julho deste mercado“, afirma o Diretor Assistente do Hotel Faro, João Leitão. 
 
Após um verão planeado, com processos de seleção e recrutamento, de modo a reforçar as equipas, o Hotel Faro viu-se obrigado a cancelar os mesmos, o que revela o grande contributo do mercado inglês para o funcionamento do turismo no Algarve. 
 
Um dos sócios-gerentes da Algarserra, Sérgio Cardeira, realça que estas regressões na indústria turística, após os cancelamentos do Reino Unido, levaram a que os contratos com os trabalhadores, outrora realizados, fossem revogados. Contudo, esta empresa conta que “haja um acréscimo dos outros mercados face à quebra do mercado inglês derivada da baixa de preço da hotelaria, nesta altura do ano, face aos anos anteriores”.
 
O facto é que ambos os setores aguardam turistas vindos de países como a França, a Alemanha e a Bélgica, porém, e ainda que estes venham a apresentar uma ligeira subida, não se apresentam enquanto uma solução para o Algarve, pois não compensam tamanhas ruturas.
 
Rita Lopes Cardeira