“É completamente falso que ´doentes e sinistrados transportados em ambulâncias permaneçam longos períodos de espera no exterior expostos a temperaturas extremamente elevadas´”, afirma-se num comunicado assinado por Tiago Botelho, presidente do Conselho de Administração da ULS Algarve.
O responsável diz que o serviço de urgência do Hospital do Barlavento Algarvio, em Portimão, como acontece nos outros cinco pontos de atendimento da rede de urgência do Algarve, tem mais procura desde o início do verão, e, se há momentos do dia com mais afluência, por regra o tempo de triagem não corresponde ao divulgado.
A Comissão de Utentes em Defesa dos Serviços Públicos (CUDESP) alertou hoje para a “situação indigna e desumana” do acolhimento dos doentes nas urgências de Portimão, alegando que têm de esperar em ambulâncias, sujeitos a elevadas temperaturas.
“Diariamente, doentes e sinistrados transportados em ambulâncias permanecem longos períodos de espera no exterior do serviço de urgência [do Hospital de Portimão], muitas vezes no interior das próprias ambulâncias, expostos a temperaturas extremamente elevadas”, adiantou a comissão.
Na denúncia, divulgada pela Lusa, diz-se que a transferência dos doentes das ambulâncias para o interior das urgências é frequentemente feita à vista de quem circula na via pública, e que a triagem se faz também sem privacidade.
Às acusações, a ULS Algarve responde garantindo que o serviço de urgência em Portimão tem tido macas disponíveis, não há retenções de equipas de socorro pré-hospitalar e é “absolutamente falso” que a transferência de doentes seja feita sem privacidade.
Tiago Botelho diz que o alarmismo da notícia é “descabido e infundado” e acrescenta que a suposta CUDESP é “uma entidade desconhecida, que nunca procurou dialogar com a ULS Algarve”, sendo legítimo “questionar a sua efetiva representatividade da população do barlavento algarvio utilizadora do Hospital de Portimão”.
E refere ainda que o facto de divulgar as acusações a um domingo em vez de procurar esclarecer o assunto com quem gere o Hospital sublinha a “suspeita de interesses diferentes da pura e simples defesa dos serviços públicos de saúde”.