Em declarações à Lusa, Tiago Botelho explicou que os dados apresentados pelo Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) são alimentados pelo sistema Alert, que, em condições normais, calcula médias com base em poucas horas de atividade, ficando particularmente sensível a ocorrências pontuais.
"Em condições de funcionamento normal, o sistema Alert, que fornece os dados dos tempos de espera para o Portal do SNS, faz uma média de poucas horas de atividade", afirmou o responsável.
Segundo Tiago Botelho, essa metodologia torna os valores "sensíveis a pequenos números onde possa ter existido um problema real ou administrativo", sobretudo durante períodos noturnos, quando o número de admissões é reduzido.
"No caso desta noite [sexta-feira e madrugada de sábado], estivemos com erros no sistema Alert", adiantou o responsável, explicando que, durante a manhã, os hospitais de Faro e Portimão apareciam com tempos de espera que "não eram verdadeiros".
O responsável deu como exemplo o caso de Portimão, onde o sistema chegou a indicar um tempo de espera de 17 horas para um doente classificado como "muito urgente".
"Estava um utente muito urgente em Portimão com 17 horas, o que era falso e impossível", afirmou Tiago Botelho, acrescentando que esse registo acabou por inflacionar a média apresentada pelo Portal.
O presidente da ULS do Algarve referiu ainda que, após corrigido o erro, o tempo médio indicado para Portimão passou "abruptamente de 13:00 para quatro horas, em minutos", evolução que considerou "obviamente matematicamente impossível".
Às 14:50, o Portal do SNS apresentava em Faro um tempo de espera para atendimento no Serviço de Urgência de cerca de 41 minutos para doentes classificados como urgentes, valor que Tiago Botelho considerou "próximo da realidade".
Já em Portimão, o Portal indicava cerca de quatro horas de espera, valor que o responsável da ULS Algarve também rejeitou.
"Não é real, visto que já não se encontram à espera os 25 doentes que o Portal apresenta", afirmou.
Tiago Botelho rejeitou igualmente a informação de que, pelas 12:00, existissem doentes classificados como urgentes ou muito urgentes à espera de observação nos dois serviços de urgência como indicado no Portal do SNS e consultado pela Lusa.
"De todo. À hora a que a Lusa se refere, 12:00, não existia um único doente laranja ou amarelo para ser visto, segundo a informação da chefe de equipa da urgência de hoje", afirmou.
O responsável da ULS Algarve sublinhou que os tempos divulgados pelo Portal do SNS "não estão a refletir com rigor" a situação efetiva das urgências de Faro e Portimão, alegadamente devido a problemas registados no sistema Alert.