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Um casamento de sonho
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A palavra «casamento» só por si, parece estar a conhecer novos contornos nos tempos actuais. Um casamento de sonho, imediatamente remete-nos para um conto de fadas onde se criam expectativas enormes.
 
Então o que é preciso para conquistar um casamento de sonho?
 
Muito mais do que sonhar com o que pode ser o casamento, é perceber o que é casar, a disponibilidade para viver com outra pessoa e construir um projecto de vida. 
 
Depois, é fundamental ter em conta que, sonhar com a boda e com a alegria dos convidados, nada tem a ver com o acto de celebrar um compromisso com outra pessoa durante o maior tempo possível, pois uma realidade é aquela que se escolhe quando se afirma o «Sim», a outra é aquela para que se está preparado nos dias seguintes à festa.
 
Ter um casamento de sonho, é assumir que se quer estar com a outra pessoa, é ter em conta que a vida conjugal demora até que se consiga «acertar o passo das diferenças», tal como se arrasta até que as mesmas passem a características e deixem de constituir um problema.
 
A seguir, é preciso que os sentimentos sobrevivam no meio do processo de adaptação conjunta! Por ser uma tarefa delicada e algo longa, muitos parceiros acabam por desistir na procura de alternativas mais facilitadas. 
 
Não quer dizer que não existam, mas dificilmente se consegue encontrar o amor e a convivência dentro de uma casa sem que se afirmem alguns pontos, sem que se respeite o outro, sem que nos respeitemos a nós mesmos, sem que se conciliem interesses, sem que se abandonem alguns hábitos. 
 
Claro que, a forma como esta construção ocorre, varia de casal para casal, e aí é que reside a diferença: há pessoas que nos levam ao fim do mundo com a sua delicadeza e capacidade de nos envolver, e nós queremos envolver-nos, enquanto que outras, nem com as melhores palavras, conseguem levar-nos ao que quer que seja!
 
O que faz um casamento de sonho, é mesmo essa capacidade de dizer que se está interessado e preparado para viver este processo. Que se está disponível e que se quer arriscar o processo e com aquela pessoa, pois não podemos viver abstrações quando de algo tão sério se trata. Muito menos se pode tomar uma decisão rápida, quando a mesma implica tomada de consciência. Casamento de sonho quer dizer, encontrar uma relação que nos faz felizes e não, uma festa onde todos ficaram felizes por nós!
 
Assumir uma relação, implica conhecer e ter uma noção do que nos espera. Será um «pesadelo» aceitar um desafio sem a mínima ideia do que é viver a dois no mesmo espaço diariamente!
 
Um dos segredos, se é que assim se pode designar, é a tolerância, o empenho no projeto de vida com outra pessoa, o amor que se sente pelo outro e que motiva todo o processo, a capacidade de entrega e a valorização diária da vida que se escolheu e que se quer manter.
 
Sem estes requisitos que se intercalam entre as diferenças dos parceiros, é muito difícil manter uma relação e, o sonho acaba poucos meses depois da festa em que todos brindaram a uma felicidade irreal; um momento para ser partilhado com amigos, mas que, para o casal não significou mais do que fotos bonitas, música, presentes e daí por diante.
 
No fundo, e por muito que isto possa parecer estranho, uma das motivações para o casamento acaba por ser, o desgaste perante o percurso anterior. 
 
A necessidade de experimentar algo novo. Muitas vezes a saída da casa dos pais, a curiosidade em testar as nossas qualidades no quotidiano com outra pessoa, sem esquecer que, naturalmente a idade nos convida a outros desafios e necessidades. 
 
O desejo de conhecer a intimidade com aquela pessoa que se ama, mesmo com todos os impedimentos diários, mas também «ser adulto» e abandonar os hábitos de adolescente.
 
Há uma fase de vida em que, nos faz falta descobrir algo mais em nós e nos outros. Quando chegamos a esta etapa, pode dizer-se que devemos direcionar a nossa personalidade para o casamento ou para uma relação com outra pessoa, pois estamos preparados para mostrar quem somos a alguém e, disponíveis para receber e conhecer melhor o outro.
 
Ninguém se pode casar a acreditar que, «quando estivermos juntos é que nos vamos entender», pois essa base tem que existir no namoro e tem de ser um processo interior, algo que se sente. Temos de encontrar consensos nos momentos diários e, compreender até que ponto ambos estão dispostos a fazer cedências, a valorizar a vida conjunta, a dar de si e a abdicar em prol de ambos.
 
Se esta base não existe no namoro, dificilmente vai desenvolver-se no quotidiano, muito menos com o nascimento de um filho, com as despesas e as dificuldades diárias.
 
Já Quintino Aires dizia num dos seus apontamentos relativamente a este tema que, «o namoro serve precisamente para nos conhecermos melhor, para sabermos se estamos com a pessoa certa e, se é essa a pessoa com quem queremos partilhar os nossos dias, sonhos, projectos e características. 
 
Podemos namorar muitas pessoas até sabermos quem é a que melhor se encaixa na nossa personalidade e, com os nossos planos de vida, pelo que, é mesmo para isso que serve esse tempo de conhecimento que se designa por namoro.
 
O namoro é um compromisso relativo, pois pode ser duradouro e dar lugar ao casamento ou, simplesmente acrescentar-nos enquanto experiência. Se não nos damos bem no namoro, o melhor é pensar bem se queremos arriscar algo mais com essa pessoa».
 
Para finalizar, é importante ter em conta alguns pontos: se o casamento corre mal, existe a separação, se estivermos disponíveis para mudar alguns pontos em nós mesmos e a dividir a nossa essência com o outro, facilmente se encontra um casamento feliz. 
 
Num tempo em que se tem uma maior liberdade de escolha quer para o namoro, quer para o casamento, não faz sentido, viver o amor sob pressão e sem a certeza de que, pelo menos naquele momento, aquela pessoa nos faz felizes e acreditamos que assim possa perdurar a relação. 
 
Não podemos arrastar a mentalidade do passado de, olhar para o outro, ver se é aceite pelos amigos, se é a escolha dos pais e demais familiares… pois casar implica uma escolha individual e muitos sentimentos que, ou se assumem ou não. Não se pode, nem deve casar só porque os outros o fizeram, sugeriram uma pessoa para nós e, «está na idade», pois o casamento deve ser muito mais do que isso. É um acto de responsabilidade que deve ser ponderado com respeito mútuo.
 
Fátima Fernandes
 
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