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Uma família à sua medida
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Longe vão os tempos em que a família era uma enorme instituição apostada em formar membros em série para que respeitassem as regras e as normas sociais, para que tivessem medo da autoridade e para que aceitassem passivamente as ordens de quem tinha mais poder no seio da família.
 
Apesar de não ter sido há muitos anos, a sociedade tem evoluído muito em termos ideológicos e as instituições de apoio social têm assumido um papel de extrema relevância no auxílio dessa mudança de mentalidades. Também as leis em vigor têm assumido um papel determinante para se mudar aquilo que se considerava como que uma condenação, pois nascer numa determinada célula familiar era um ato de sorte, uma vez que se poderia “calhar” num meio extremamente violento e sem possibilidade de resposta a não ser a fuga.
 
Muito se tem construído nesse sentido e, ainda muito há por fazer nessa dimensão, no entanto, o facto de, os maus-tratos e a violência de vária ordem serem punidos por lei, obriga a que, pelo menos se possa intervir nos casos em que existe uma maior resistência ao progresso e à compreensão de que cada indivíduo tem direito a crescer e a se desenvolver num ambiente sadio e estável.
 
Pensa-se muito mais na parentalidade e assume-se essa condição com muito mais respeito e valorização.
 
Outro ponto positivo é a educação que está cada vez mais alargada a todas as idades, sendo possível aprender ao longo da vida nas mais variadas instituições de ensino. Quem não sabe educar e não teve oportunidade de acompanhar esta dinâmica social, tem sempre a possibilidade de pedir ajuda a técnicos especializados para o efeito, pelo que, ninguém pode dizer que está condenado à ignorância.
 
Há muito trabalho por fazer nesse sentido, já que ainda existe resistência ao progresso dos tempos e, há também quem se sinta tão confuso com o progresso que acabe por nada fazer para não errar. É o caso de muitos pais que nem educam pelo medo de falhar.
 
Por outro lado, ainda assistimos a muitos casos de violência para com os filhos e comportamentos de jovens delinquentes. Tudo porque nada acontece sem um processo e, muitos dos problemas a que estamos a assistir são o reflexo da má compreensão das mudanças.
 
É por isso que é importante falar sobre os assuntos com abertura e sempre com um sentido pedagógico para que todos possam acompanhar minimamente o que se pretende.
 
Se os pais não compreenderem o que os professores querem dizer com mau comportamento, naturalmente que não podem fazer o seu trabalho de casa com os seus filhos.
 
Idealmente deveriam existir mediadores sociais que interviessem nas famílias onde existem as maiores carências, essencialmente fazendo um trabalho de suporte entre as instituições, os psicólogos, a escola e as famílias. Provavelmente esse será mais um passo a considerar nos casos de maior dificuldade, ainda assim, somamos sucessos em maiorias.
 
Hoje existem diversos modelos de família, sendo que o essencial é que cada um se posicione e cumpra o seu papel. Passou-se da família como grande instituição em que as crianças eram criadas com muitos elementos da família, para sistemas de pequenos núcleos onde se pode encontrar o pai, a mãe e um ou dois filhos, um modelo monoparental em que um pai ou uma mãe vive com um filho, podemos encontrar dois pais e uma filha, duas mães e um filho e daí por diante.
 
Felizmente já se percebeu que o importante não é a forma como se constitui o agregado familiar, mas sim a qualidade de vida que o mesmo proporciona aos seus elementos. Sabemos que o essencial é que a família seja feliz à sua medida e que seja capaz de reproduzir essa tranquilidade para a sociedade em que está integrada.
 
Vivemos na era do “Eu”, cuja principal preocupação é que cada indivíduo se desenvolva com as suas características e potencialidades e que tenha oportunidades para ser bom cidadão.
 
É pouco relevante chamar um nome a um determinado modelo familiar, o fundamental é que o agregado produza boas práticas entre si e que as mesmas sejam um contributo para cada indivíduo.
 
Tornou-se essencial o desenvolvimento da autonomia e da capacidade de pensar criticamente acerca de si mesmo e do mundo. Este é um contraste enorme para com quem era vítima de maus-tratos e nem sabia se isso era ou não correto. Hoje sabemos que é crime agredir qualquer pessoa dentro ou fora de casa, o que nos prepara desde logo para um sentido crítico e uma posição a tomar.
 
Uma criança sabe dizer na escola se é bem ou mal tratada e, imediatamente os organismos se mobilizam para tentar fazer alguma coisa. Hoje sabe-se que a família não é por si só o melhor lugar do mundo, muito menos o mais estável, sadio e tranquilo. É tudo isso quando as pessoas se respeitam, quando trocam afetos, quando se compreendem e resolvem os seus problemas de forma responsável, pois caso contrário, deixa de ser esse território de segurança e espaço de conforto.
 
É importante que cada cidadão, cada “Eu”, saiba os seus direitos e os seus deveres desde a tenra idade, pois isso permite que seja um cidadão ativo e participativo e, ao mesmo tempo, que saiba como se proteger de quem o possa querer agredir de alguma forma.
 
A escola faz um importante papel nesse sentido, bem como os locais onde se facultam ações de formação que permitem uma maior abertura de mentalidades, pois só quem está informado é que se pode defender, só quem sabe os seus direitos é que os pode reclamar, só quem conhece os seus deveres, os pode cumprir.
 
É fundamental ter em conta que, vivemos num tempo de liberdade, mas que esta só existe quando as pessoas forem capazes de resolver os seus problemas e de pedir ajuda quando assumem que não estão preparadas para o fazer, por isso, é um trabalho que se tem de continuar, é um percurso que exige curiosidade em saber mais e em perceber que, temos muito meios ao nosso dispor, mas que também temos de utilizá-los em nosso proveito. Não basta evidenciar o “Ego” em selfies e em publicações nas redes sociais que nos dão uma noção de que somos importantes. Cada um de nós tem de desenvolver esse “Eu” para se assumir tal como é, para se responsabilizar pelos seus atos e para sentir a vida de uma forma mais livre e feliz!
 
Podemos escolher se queremos ou não casar, se queremos ou não ter filhos, a profissão, os gostos e daí por diante. Devemos ser capazes de escolher as pessoas que nos respeitam e que respeitamos. Devemos ser capazes de assumir claramente a nossa função social e fazermos o melhor que sabemos, valer a nossa posição no mundo. Este é um desafio que vai muito para além das fotos e daquilo que se publica nas redes sociais. Por isso, devemos ter curiosidade em querer aprender e procurar os locais certos para recebermos informação de qualidade. Assim, vamo-nos aproximando daquilo que se pretende, sermos melhores dia após dia!
 
Fátima Fernandes
 
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