Cultura

Universidade do Algarve cria novo percurso para visitar ruínas romanas de Milreu

Foto - UAlg
Foto - UAlg  
As ruínas romanas de Milreu, em Estoi vão ter um novo percurso de visita ao abrigo de uma obra que inclui deslocar blocos do antigo templo para facilitar a sua interpretação, revelou a Universidade do Algarve (UAlg).

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O sítio arqueológico algarvio está encerrado desde abril, quando o Património Cultural anunciou que o complexo estaria fechado ao público durante quatro meses para a sua requalificação, orçada em aproximadamente um milhão de euros e financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Hoje, a UAlg anunciou que vai participar nesta intervenção com o projeto “Percurso de Visita Acessível e Enquadramento Paisagístico”, coordenado por Ana Paula Gomes da Silva e Sónia Talhé Azambuja, arquitetas paisagistas e docentes da Faculdade de Ciências e Tecnologia, criando um percurso de visita contínuo e acessível a pessoas com mobilidade reduzida.

“Com a implementação deste projeto, o novo percurso funcionará como uma barreira de proteção das estruturas arqueológicas, orientando a circulação dos visitantes e evitando que pisem indevidamente os mosaicos, pavimentos, muros e outras áreas sensíveis do monumento, como tem acontecido devido à ausência de um percurso claramente definido”, adiantou.

A instituição académica frisou que vai ser criado “um percurso adjacente às ruínas, áreas de aproximação aos ambientes arqueológicos e um novo acesso ao centro de interpretação” para a visita ser “mais clara, inclusiva e circular”.

A UAlg salientou, contudo, que há “aspetos mais delicados da intervenção”, como a deslocação de “grandes blocos arquitetónicos do templo romano” para “uma nova localização, após cerca de 40 anos no local onde se encontravam”.

“A operação prevê o levantamento tridimensional, realização de ações de conservação e restauro, o envolvimento das peças com cintas de proteção e o recurso a uma grua de grande capacidade, permitindo libertar o novo percurso expositivo e, simultaneamente, valorizar a leitura destes elementos arquitetónicos”, precisou.

A UAlg explicou que os blocos em causa são “provenientes dos derrubes da estrutura original do templo” e vão ser “reposicionados de modo a facilitar a sua interpretação pelo público”, que vão poder perceber a que partes do edifício pertenciam, “observando detalhes construtivos especializados sem necessidade de entrar nas áreas arqueológicas mais sensíveis”.

A intervenção realizada pelas arquitetas paisagistas da UAlg terá também em conta os materiais utilizados na construção do templo romano, “nomeadamente o uso de ‘opus caementicium’ (uma espécie de betão romano) e de argamassas com incorporação de elementos associados à pozolana (um material rico em sílica e alumina, de origem vulcânica ou, por vezes, artificial)”, indicou a academia.

Estes materiais “evidenciam a qualidade técnica e construtiva do templo” e mostram que havia “circulação de materiais e conhecimentos técnicos no mundo romano”, após ter sido detetada a “presença de pedra vulcânica, que não existe naturalmente na zona de Faro”.

Serão ainda instaladas rampas, novos pavimentos, pontos de descanso e contemplação, bem como bancos ao longo do percurso, num traçado com “inclinação adaptada a cadeiras de rodas, assinalou.