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Usa muito o telemóvel? Saiba os riscos que está a correr

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Estudos realizados sobre o uso excessivo do smartphone alertam para a importância de limitar o tempo de utilização e ensinam como fazê-lo.

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Um trabalho de investigação levado a cabo numa universidade do Texas, nos Estados Unidos da América, concluiu que o uso excessivo de telemóveis afeta negativamente a capacidade cognitiva humana, com impactos diretos na atenção, na memória de trabalho e na retenção de conhecimento a longo prazo.

Os investigadores envolvidos neste trabalho resumiram deste modo os principais impactos cognitivos:

• Atenção fragmentada: A constante receção de notificações e estímulos visuais gera um estado de atenção fragmentada contínua, dificultando a concentração profunda em tarefas complexas de trabalho ou estudo.

• "Preguiça mental" e memória: A facilidade em recorrer ao telemóvel para pesquisar factos, guardar agendas ou usar mapas reduz o esforço cerebral de memorização, comprometendo a capacidade de reter e evocar informações por conta própria.

• Sistema de recompensa e dopamina: As aplicações móveis utilizam recompensas imprevisíveis (como "gostos" e mensagens) que ativam os circuitos de dopamina de forma semelhante às dependências, reduzindo a sensibilidade do cérebro a estímulos naturais e recompensas mais lentas.

• Impacto no sono: A emissão de luz azul e a hiperestimulação antes de dormir prejudicam a produção de melatonina, o que se reflete diretamente em défices de atenção e fadiga mental no dia seguinte.

• Desenvolvimento infantil: Em crianças e jovens, o tempo excessivo de ecrã está associado a atrasos na linguagem, menor controlo de impulsos e alterações na integridade da substância branca do cérebro.

Perante este cenário, os cientistas comprovaram que «períodos de desintoxicação digital (redução de notificações e tempo de ecrã) ajudam a recuperar parte da capacidade de foco e a clareza mental».

A revista científica Frontiers in Psychology completa que, por sua vez, o uso prudente do smartphone ajuda a aumentar a cognição, sobretudo quando o equipamento é utilizado para pesquisar informações que exigem leitura mais aprofundada e quando é utilizado para trabalhos académicos que implicam conhecimento. Caso contrário, a utilização por mero lazer como ocorre, por exemplo, nas redes sociais, vídeos, entre outros produtos rápidos de entretenimento, «gera um impacto negativo no cérebro e na capacidade de aprender».

«O cérebro gasta energia de forma inconsciente para combater o impulso constante de procurar o smartphone – um processo descrito como esgotamento da capacidade cerebral». Neste sentido, os investigadores perceberam que, para que uma pessoa consiga obter um melhor desempenho, mais foco e concentração nas suas tarefas ou nos estudos, não pode ter o smartphone na sua presença. Colocá-lo noutra divisão da casa, guardá-lo numa mala ou gaveta, é uma recomendação da equipa de cientistas de uma universidade na capital do Texas.

Para reduzir o tempo de ecrã e proteger a sua saúde mental e o seu descanso, é fundamental compreender como estes dispositivos interagem com a química do seu cérebro.

Neste sentido, o Algarve Primeiro reuniu um conjunto de dicas de especialistas que podem ajudar a fazer a diferença na qualidade de vida de crianças, jovens e adultos:

- Mudar comportamentos digitais exige a criação de barreiras físicas e visuais entre si e o aparelho:

• Desative as notificações não humanas: Mantenha apenas as notificações de mensagens diretas de pessoas reais. Desative alertas de redes sociais, jogos, notícias e aplicações de compras.

• Crie zonas livres de telemóvel: Deixe o carregador fora do quarto de dormir e evite usar o telemóvel à mesa durante as refeições.

• Mude o ecrã para escala de cinzentos: Ao retirar a cor do telemóvel (nas definições de acessibilidade), este torna-se visualmente muito menos apelativo, quebrando o ciclo de desejo visual que as aplicações exploram.

• Use a "Regra dos 20 minutos": Se sentir um impulso forte para abrir uma rede social, force-se a esperar 20 minutos. Muitas vezes, a urgência passa após esse período.

• Compre um despertador clássico: Evite usar o telemóvel como alarme para não começar nem acabar o seu dia a olhar para um ecrã.

Por fim, tenha em conta o impacto do smartphone na qualidade do sono e encontre boas razões para usar este equipamento com conta, peso e medida. O segredo não é proibir o seu uso, mas sim regrá-lo de modo a não ser prejudicial.

Segundo os especialistas na área do comportamento humano, é essencial reter que «o uso do telemóvel à noite prejudica o descanso através de dois mecanismos validados pela ciência:

• Supressão de melatonina: Os ecrãs emitem um espetro de luz azul que imita a luz solar. Quando olha para o telemóvel à noite, os fotorrecetores dos seus olhos sinalizam ao cérebro que ainda é dia, bloqueando a produção de melatonina (a hormona do sono). Isto atrasa o seu relógio biológico e dificulta o adormecer.

• Hiperestimulação cognitiva (Arousal): Consumir conteúdos antes de dormir — sejam notícias, vídeos curtos ou mensagens — ativa o estado de alerta do cérebro. O cérebro precisa de relaxar para entrar nas fases profundas do sono, mas a interação digital mantém-no em sobressalto.

Não menos importante em todo este processo é a ansiedade resultante do uso excessivo do telemóvel que se deve a estes fatores:

- O design das aplicações modernas que dão lugar a:

• Picos e quedas de dopamina: As redes sociais funcionam com base num mecanismo chamado "recompensa intermitente" (semelhante às máquinas de casino). O utilizador não sabe quando vai receber um "gosto" ou uma mensagem interessante. Isto causa descargas constantes de dopamina. Quando desliga o ecrã, os níveis de dopamina caem abruptamente, gerando uma sensação de vazio, tédio e urgência em voltar a verificar o aparelho.

• Elevação do cortisol (Hormona do Stress): A necessidade subconsciente de estar sempre contactável e a exposição a fluxos contínuos de más notícias ou vidas idealizadas nas redes sociais ativam o sistema nervoso simpático. Isto estimula a libertação contínua de cortisol e adrenalina, mantendo o corpo num estado latente de "luta ou fuga", que se manifesta fisicamente como ansiedade crónica.

A receita é simples, muito embora exija tempo e muita persistência: reduzir a exposição a estes estímulos tentando promover momentos de tranquilidade e bem-estar, contacto com a natureza, convívio social, leitura atenta, ouvir música e, tanto quanto possível, ser o leitor a controlar o telemóvel e não permitir que seja o aparelho a determinar as suas escolhas e como passa o seu tempo livre de qualidade. Já sabe, a sua saúde física, mental e emocional agradecem.