A presidente da Comissão Vitivinícola do Algarve (CVA), Sara Silva, fez um balanço da campanha deste ano, numa altura em que a vindima está quase a terminar, depois de ter sido antecipada para julho, e afirmou que as perspetivas do setor são positivas, devido à melhoria da qualidade da uva e a uma subida das quantidades colhidas.
“Estamos com a perspetiva de recuperar o volume que atingimos em 2024, que foi um ano recorde, em que ficamos quase perto dos dois milhões de litros. Portanto, perspetivamos um aumento de produção relativamente a 2025, de 12% a 15%”, precisou Sara Silva à agência Lusa.
A presidente da CVA lembrou que 2025 “não foi um ano muito bom a nível quantitativo”, tendo-se registado “algumas quebras” em comparação com 2024, e este ano a estimativa é “ultrapassar esses números de 2025 e estar bem perto dos valores do ano recorde de 2024”.
A CVA espera assim que os seus 60 produtores associados atinjam, em 2026, entre 1,8 e 1,9 milhões de litros, quantificou.
Apesar de os padrões climáticos se terem alterado, antecipando o início das vindimas para meados de julho - embora com variações entre o sotavento (este) e o barlavento (oeste) -, a expectativa é que haja uma “boa produção, quer na parte qualitativa, quer quantitativa”, disse.
Questionada sobre a evolução da viticultura algarvia, Sara Silva disse que “gradualmente tem estado a aumentar” a área plantada, com direitos para área de vinha a serem solicitados todos os anos.
“Ainda temos cerca de 200 hectares a serem plantados nos próximos três anos, têm aumentado gradualmente, sendo que este ano, em 2026, houve uma decisão da região de limitar a novos pedidos”, enquadrou, esclarecendo que a região tem já cerca de 2.300 hectares dedicados à vinha.
Os preços de venda conseguidos pelos produtores cifram-se em média em um euro por quilograma, embora haja “castas que vendem melhor do que outras”, porque “são mais procuradas ou mais escassas”, fazendo com que o preço oscile, justificou, comparando esse valor com os 30 a 40 cêntimos que os produtores recebem noutras zonas vitivinícolas do país.
Numa região como o Algarve, o turismo tem um impacto importante na atividade económica e o setor vitivinícola não foge a essa realidade, quer seja pelas vendas através dos canais de hotelaria, restauração e comércio, ou do enoturismo, que em alguns produtores já representa “50% da sua faturação”, destacou.
“E a nível de exportações e internacionalização, temos feito aqui um progresso”, afirmou ainda Sara Silva, sublinhando que esse trabalho é feito desde a região, dando a conhecer os vinhos a pessoas que possam levar a mensagem além-fronteiras, tanto nas experiências gastronómicas e turísticas associadas ao vinho, como nos eventos de promoção que a CVA realiza ao longo do ano no Algarve.