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Como lidar com a perda de algo ou de alguém?
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A perda de algo importante ou de uma pessoa significativa para a nossa vida implica um processo de luto.
 
O luto pode ocorrer quando se perde o emprego, quando existe uma separação, quando acontecem alterações corporais drásticas ou repentinas, quando se alteram as condições de vida, quando se muda de residência e até no percurso do processo natural de crescimento psico-emocional.
 
Segundo o psicanalista Bowlby, quanto maior é a vinculação (ou seja, o apego, a ligação) ao objecto perdido (alguém ou algo), maior será o sofrimento e a dor do luto. Neste sentido, um ponto importante a ter em conta é o factor tempo. Os especialistas também concordam que, o tempo é um importante aliado na questão do luto. Mas esperar que o tempo passe não basta; é necessário realizar-se uma série de tarefas que permitam ultrapassar esta dor, preparando o espaço deixado vazio para, mais tarde, ser novamente preenchido, acrescenta o mesmo psicanalista.
 
Apesar de ser um processo que varia consoante a pessoa e a idade, são comuns os sentimentos de tristeza, de raiva e de culpa, a ansiedade e o sentimento de solidão, a apatia e o desinteresse, o estado de choque e a sensação de desamparo. Também se podem desenvolver sintomas físicos como vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, extrema sensibilidade ao barulho, sensação de falta de ar, fraqueza muscular, falta de energia e sensação de boca seca. Em conjunto com estes vários sentimentos e emoções, é natural que se desenvolvam perturbações de sono (principalmente insónias), perturbações de apetite (mais comum a diminuição, mas também pode ocorrer o aumento de apetite), perturbações na atenção e concentração e isolamento social.
 
Tendo por base uma publicação do Espaço Potencial, estas emoções e comportamentos vão surgindo ao longo das tarefas do processo de luto que, segundo Bowlby, se organizam em fases distintas:
 
1- Fase de choque e negação, na qual a pessoa pode sentir-se como desligada da realidade, meio atordoada e desamparada, imobilizada e perdida. A negação surge como defesa contra a dor da aceitação da perda;
 
2-  Fase do protesto, que se caracteriza pelas emoções fortes, pelo sofrimento psicológico e pelo aumento da agitação física. Nesta altura, podem manifestar-se sentimentos de raiva contra si próprio (por não ter conseguido fazer mais nada) ou contra outros significativos;
 
3-  Fase do desespero, que se associa a momentos de apatia e depressão e que pode conduzir a um isolamento social e a um desinvestimento nas actividades diárias, aumentando o desinteresse, as dificuldades de concentração e os sintomas físicos (como insónias, perda de peso e de apetite, entre outras);
 
4-  Fase da desorganização e reorganização que permite que a pessoa aceite a perda, integrando a importância do objecto perdido e do seu significado no dia-a-dia.
 
Segundo o mesmo psicanalista citado pelo Espaço Potencial, quando estas etapas não decorrem com a devida sequência, pode ocorrer uma fixação numa qualquer fase, o que é prejudicial para a pessoa, já que se desencadeia o luto patológico. Neste contexto, a pessoa vive com maior intensidade os sintomas das diversas fases, o que prolonga o sofrimento no tempo e afeta a vida quotidiana.
 
Segundo o psicanalista Bowlby, quando ocorre este luto patológico torna-se necessário pedir ajuda especializada de um psiquiatra ou de um psicólogo com treino em psicoterapia, uma vez que esta técnica é uma importante mais-valia para o processo de recuperação.
 
Durante a psicoterapia, a pessoa pode falar livremente acerca dos seus pensamentos e sentimentos, ao mesmo tempo em que o especialista conduz as sessões para o alívio desse sofrimento psicológico. O luto passa a concretizar-se e a pessoa sente significativas melhorias.
 
Fátima Fernandes
 
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