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Consegue dizer “não?”
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Na posição de muitos entendidos na área da psicologia, a capacidade para dizer “não” quando se sente essa necessidade, resulta da autoestima e da autoconfiança.
 
Pelo contrário, dizer que “sim” quando se gostaria de negar um convite ou uma solicitação é um sinal de insegurança ou uma procura de proteção.
 
Basicamente, dizer “não” aos outros, significa ser capaz de dizer “sim” a si mesmo. É um ato de coragem que resulta da construção da personalidade e da afirmação de valores. 
 
Uma pessoa consciente das suas capacidades e defeitos, não é capaz de aceitar algo que coloque em causa a sua forma de estar e de pensar, é o que sugerem os especialistas.
 
São muitas as razões que levam as pessoas a aceitarem e a concordarem com tudo, ou pelo menos a fazerem de conta que estão de acordo com o que lhes é pedido, mas “o preço” a pagar por essa falta de afirmação pessoal é elevado, “uma vez que, em cada situação que se aceita algo com vontade de recusar, estão a desenvolver-se sentimentos negativos dentro do sujeito que se torna passivo, frustrado e, mais cedo ou mais tarde, deprimido”.
 
De acordo com o site Psicólogos em São Paulo, “Não diga ‘sim’ quando pretende dizer ‘não’, sob pena de se tornar cruel para consigo mesmo e disposto a enganar os outros com quem se relaciona.”  
 
A mesma publicação adianta que, o sujeito que aceita o que não quer, acaba por se confundir a si mesmo e por demonstrar uma realidade que não lhe pertence.”
 
Essa dificuldade em trocar as palavras resulta da procura constante de aceitação, do medo de melindrar os outros e de ficar sozinho, mas “no dia em que o indivíduo perceber que, mesmo concordando com tudo, os outros o rejeitam pelo simples facto de que, ninguém consegue agradar a toda a gente, as consequências são elevadas.”
 
Trata-se de uma enorme dificuldade de autoafirmação que se reflete numa capacidade para concordar com as mais variadas realidades num total desrespeito pela sua identidade e pelos valores de orientação, indicam os psicólogos.
 
O mesmo grupo de especialistas dá como exemplos situações em que o “não” é omisso e leva as pessoas a um sofrimento atroz: 
 
- Comprar coisas que não quer porque não consegue dizer “não” ao vendedor; ter de comprar uma roupa por vergonha de sair da loja sem comprar e assumir que não gostou de nada; não ser capaz de devolver produtos adquiridos com defeito; tolerar as mais variadas situações pelo medo de pedir respeito aos outros. 
 
Uma situação frequente é no cinema, quando se senta ao lado de alguém que está a comentar o filme em voz alta, a comer pipocas com sons ruidosos e daí por diante; fazer “figuras ridículas” com amigos por não ser capaz de negar um favor. Ir à casa do “ex” buscar objetos porque a amiga não é capaz e lhe pediu, não ser capaz de responsabilizar alguém pelos seus atos e assumir você a culpa, esperar longamente pelo outro e não reclamar, entre outros exemplos; não recusar convites do chefe, não faltar a festas mesmo que não se identifique com o tema ou com as pessoas, fazer programas chatos só porque não consegue recusar um convite; deixar que os outros lhe passem à frente numa fila porque não consegue reclamar a sua vez é outro exemplo comum em pessoas que sentem uma enorme dificuldade em se defenderem, em assumirem e marcarem a sua presença e em saberem dizer assertivamente “não”. 
 
“O medo de ser mal interpretado é muito superior à capacidade de honrar os valores e de defender os seus direitos,” acusam os psicólogos que alertam para a necessidade de “treinar” a personalidade de forma a ser capaz de afirmar uma posição no mundo.
 
“Através da terapia comportamental, é possível habilitar as pessoas para uma posição diferente, para uma nova forma de estar na vida e, sobretudo, para um novo ‘modelo’, uma nova linha de orientação.
 
Uma pessoa só muda “se perceber o que está errado e o que precisa de ser alterado”, reforçam os especialistas.
 
Uma pessoa que passe a vida com medo da rejeição e opte por tentar agradar aos outros em vez de se agradar a si mesma, certamente que perde oportunidades, que se sente cada vez mais amargurada e sozinha no mundo, razão pela qual “tem de perceber que esse formato não compensa.”
 
Para esta equipa de psicólogos, “é evidente que os outros não gostam de pessoas que aceitam tudo e nem discutem.Acabam por se aproveitar durante algum tempo e depois ‘depositam-nas’ num canto qualquer, pois não é desafiante conviver com alguém que só marca presença e que acaba por revelar a toda a hora a sua frustração e tristeza.” Uma pessoa que vive contrariada com a sua própria incapacidade para dizer que “não”, torna-se ansiosa, amarga, culpabiliza os outros por tudo e por nada, já que não está ali pela sua vontade e, sobretudo, é mal-humorada e “enjoada”.
 
Qualquer um de nós já percebeu que, efetivamente não vale a pena inverter o que é natural no ser humano: viver sentimentos “de dentro para fora” e não ao contrário.
 
Uma pessoa que abre mão dos seus desejos e vontades em prol dos interesses dos outros, chega a um determinado momento de vida que só lhe apetece fugir de toda a gente, por isso, mesmo que os outros não lhe tenham “colocado um ponto final na presença,” será o próprio a não suportar a sua própria condição de subserviência.
 
Antes que a situação se agrave, vale a pena ponderar acerca do que deseja para si. Sabendo que as consequências podem conduzi-lo à depressão, a crises de pânico e por aí fora, é preciso parar e reformular a sua presença no mundo.
 
O primeiro passo é compreender que, os outros são exigentes e críticos, capazes de o colocar fora do grupo em qualquer situação, pelo que não compensa dizer “amén” a tudo. 
 
Depois, a pessoa mais importante do mundo para si, naturalmente que é você mesmo, por isso, quem não gostar, paciência! Segue-se o facto de ser fundamental aprender a dizer “não” sempre que sinta essa necessidade. 
 
Qual é o problema de fazer um reparo, de dizer a alguém que não se quer ir ou fazer alguma coisa? Quem é que tem de zelar pelo seu bem-estar, você ou os outros? Não vai a um determinado evento e ponto final! Há uma situação em que quer ir, reúna as condições para o fazer! Depender dos outros vai implicar novamente ter de estar presente em tudo o que lhe indicam…
 
Dizer “não” tem de passar a ser tão natural como aceitar algo ou dizer “sim”, sob pena de manter uma “fachada” e um desejo de perfeição que não existe e que como tal, mais cedo ou mais tarde, será descoberto.
 
Pense que, as pessoas duvidam muito mais dos “bonzinhos” e que dizem “sim” a tudo do que das pessoas frontais que facilmente mostram quem são. Por isso, o desafio não é assim tão grandioso, tudo depende do grupo a que pertence e, se pretende ser um membro com esse tipo de mentalidade!
 
Os especialistas recomendam: diga “sim” só quando pretende dizer “sim”. Porque “é impossível agradar a tudo e todos durante muito tempo. Quanto mais se desgastar em sentimentos negativos, mais medos vai construir, menos sensações positivas vai vivenciar e mais triste será a sua passagem pelo mundo.”
 
Alguns aspetos importantes antes de terminar:
 
- Se falhou na sua primeira tentativa para recusar uma situação indesejada, não desista! Terá todo o tempo do mundo para tentar, é fundamental é que não perca de vista a importância de sua luta.
 
- Se não conseguir a coragem de que necessita sozinho, não tenha medo de pedir ajuda. Existem técnicas orientadas por psicólogos que facilitam o processo.
 
- Não se esqueça de que, tem de mudar a sua forma de pensar para poder encetar um novo formato, pois só com a mudança de mentalidade, se conquista a diferença comportamental.
 
- O passo mais significativo de todos é assumir que a sua autoestima é valiosa e que sem se sentir bem consigo mesmo, não será capaz de dizer “não” aos outros.
 
- O medo de perder uma oportunidade não pode servir de pretexto para aceitar algo com o qual discorde, por isso, seja firme na sua posição.
 
- Na dúvida, rejeite e aguarde por um momento mais esclarecido. Não se esqueça de que, muitas pessoas gostam de pressionar os outros para alcançarem os seus objetivos. Não tome decisões quando se sentir mais fragilizado. 
 
Fátima Fernandes
 
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