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Crianças precisam de um tempo diário para “não fazer nada”
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Não é novidade que, cada vez mais os adultos se apercebem da necessidade de reservar um tempo diário para si mesmos.
 
Tempo esse que se destina a pensar, analisar e, basicamente a estar só connosco próprios e sem fazer nada. O mesmo se passa com as crianças. Os mais novos precisam de estar sem horários durante algum tempo diário para que o possam preencher com a sua criatividade e necessidade de brincar.
 
Em muitas famílias já se tornou um hábito pais e filhos aproveitarem algum desse tempo livre em conjunto. Esse tempo é valioso e aproveitado da melhor forma, pais e filhos brincam livremente, conversam, contam histórias e encontram soluções para os problemas inerentes às brincadeiras. Esquecem o relógio e libertam-se para brincar, para utilizar os vários recursos que têm ao seu dispor: objetos, imaginação, vontade de estar com os filhos e muita aventura!
 
É de extrema relevância reservar este tempo diário para a brincadeira. É verdade que as crianças são muito felizes nas suas brincadeiras entre pares, pelo que também devem aproveitar muito bem esse tempo livre com outras crianças, seja em casa, no intervalo da escola ou no parque infantil, mas é também certo que, o tempo dos pais se assume de elevada relevância, sobretudo pelos laços afetivos que permite desenvolver, pela capacidade que as crianças desenvolvem de se colocarem no lugar do adulto e de se imaginarem os “mais crescidos” de amanhã.
 
Segundo a Psicóloga Joana Valério, “é importante frisar que o brincar e o jogar não se resumem apenas a formas de divertimento e de prazer para a criança, mas são meios privilegiados dela expressar os seus sentimentos e aprender”.
 
Através da brincadeira, “a criança explora e reflete sobre a realidade e a cultura na qual está inserida, interiorizando-a”.
 
A mesma especialista reforça que, “a experimentação de diferentes papéis sociais (o papel de mãe, pai, bombeiro, super-homem) através do faz-de-conta, permite à criança compreender o papel do adulto e aprender a comportar-se e a sentir como ele, constituindo-se como uma preparação para a entrada no mundo dos adultos”.
 
Desta forma, “a criança procura conhecer o mundo e conhecer-se a si mesma”.
 
É durante as brincadeiras que a criança tem oportunidade de simular “situações e conflitos da sua vida familiar e social, o que lhe permite a expressão das suas emoções”, pelo que, “brincar é uma forma segura das crianças encenarem os seus medos, as suas angústias e a sua agressividade e de tentarem elaborar e resolver os seus conflitos internos”.
 
Com os jogos aprende a lidar com a frustração, na medida em que está implícito o perder e o ganhar, sustenta a mesma especialista.
 
Para Joana Valério, especialista em Psicologia da Educação e da Saúde, brincar permite “o desenvolvimento do raciocínio, da atenção, da imaginação e da criatividade”, na medida em que as brincadeiras trazem novas linguagem e ajudam a criança “a pensar a realidade de forma criativa”.
 
O brincar desempenha um papel igualmente importante “na socialização da criança”, permitindo-lhe aprender a partilhar, a cooperar, a comunicar e a relacionar-se, desenvolvendo a noção de respeito por si e pelo outro, bem como sua auto-imagem e auto-estima.
 
Os benefícios do brincar são inesgotáveis e como tal é muito importante que os pais não se esqueçam de definir na agenda da criança um espaço diário para não fazer nada – é aí que surge o espaço para brincar, sublinha a mesma psicóloga.
 
Atendendo a esta relevância, faz sentido reduzir a agenda dos mais novos e orientar o seu tempo livre para a diversidade que se encontra numa “simples”, mas riquíssima brincadeira.
 
Se repararmos, os pais de hoje andam empenhados e muito concentrados no futuro profissional dos filhos só através dos estudos, mas na realidade, os mais novos precisam de todas estas componentes para se desenvolverem de forma equilibrada, saudável e até mais inteligente. O segredo é cumprir os horários e reservar diariamente o tal tempo para “não fazer nada”.
 
Fátima Fernandes
 
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